ISABELLA MENON
WASHINGTON, EUA
“QI ordinário”, “pessoas estúpidas”, “perdedores”, “louca” e “falido”. Esses são alguns dos xingamentos que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, costuma guiar a opositores democratas e que, agora, foram usados contra figuras do próprio movimento Maga ({sigla} para “Faça a América Grandiosa Novamente”, em inglês).
Em uma publicação na sua plataforma, a Truth Social, o republicano se se referia a nomes uma vez que Tucker Carlson, Megyn Kelly, Candace Owens e Alex Jones, que têm feito críticas à guerra no Irã e às ameaças feitas pelo presidente, uma vez que a de exterminar “uma cultura inteira”.
Carlson, ex-âncora da Fox News, podcaster e macróbio coligado de Trump, aconselhou o presidente a não entrar no conflito, segundo o jornal The New York Times. Desde o início dos ataques, ele se refere à guerra uma vez que “injusta” e “errada”, além de lamentar as mortes de americanos. Nesta semana, afirmou ainda que militares deveriam se opor ao comando de Trump caso ele cumprisse a promessa de guerrear iranianos se não houvesse tratado.
Megyn Kelly, também ex-âncora da Fox News, afirmou em um podcast que estava cansada da postura do presidente: “Será que você pode agir uma vez que um humano normal? Quer proferir, honestamente, uma vez que o presidente.”
Já a influenciadora de direita Candace Owens, que apoiou a campanha de Trump, disse no ano pretérito que o presidente foi uma grande desengano. Em seguida a prenúncio de ataques ao Irã, ela defendeu a invocação da 25ª Emenda, que prevê a substituição do presidente caso ele seja incapaz de exercitar suas funções. “Nosso Congresso e Tropa precisam intervir”, afirmou.
Já Alex Jones, descrito uma vez que “teórico da conspiração de direita”, também defendeu a invocação da 25ª Emenda e foi chamado de “falido” pelo presidente.
Além dessas figuras, reportagem do The New York Times aponta que a própria Truth Social também tem sido palco de críticas ao presidente. Entre os comentários, usuários escrevem: “você está claramente insano”, “você está alienando sua base todos os dias” e “Trump é um perdedor”.
Jonathan Hanson, pesquisador político e professor da Universidade de Michigan, afirma que as críticas recentes dentro do movimento Maga ainda não representam uma ruptura ampla, mas já indicam sinais de desgaste em sua base de suporte. Segundo ele, o governo enfrenta dificuldades em áreas uma vez que economia, negócio e política externa, o que tem contribuído para a queda de popularidade do presidente.
Hanson observa que, embora Trump historicamente não tenha perdido o suporte de sua base mais leal, começam a surgir inconsistências entre suas ações e promessas feitas aos eleitores. Ele destaca, por exemplo, a expectativa de que Trump evitaria novos conflitos externos.
“Muitas dessas pessoas realmente acreditavam que ele iria evitar se envolver em conflitos no exterior, que ele seria um presidente que traria sossego e não iniciaria guerras”, diz.
Para Hanson, o que se observa no momento são “fissuras” dentro do movimento, sobretudo entre figuras influentes da mídia conservadora, que passam a criticar Trump com mais frequência. Já entre parlamentares republicanos, ainda há cautela, motivada pelo receio de retaliações políticas internas.
O professor também aponta que segmento desse grupo começa a olhar além de Trump e a pensar no horizonte do movimento, principalmente diante da possibilidade de derrotas republicanas nas eleições legislativas.
Ele afirma que, embora o suporte ainda seja poderoso, ele pode enfraquecer se a popularidade do presidente continuar caindo e se o cenário econômico piorar.
