Quem é o cérebro por trás da arquitetura de geração do Banco Master
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Habitué de alguns dos hotéis mais luxuosos do mundo, possuinte de jatinhos e de mansões multimilionárias e anfitrião de festas com políticos no Lago Sul, em Brasília, o banqueiro Daniel Vorcaro teve à sua sombra um humilde operador do mercado financeiro, que o auxiliou desde a arquitetura inicial do Banco Master até seus primeiros negócios com a Fictor, empresa que propôs, em 2025, comprar o banco às vésperas da liquidação dele pelo Banco Medial (BC). Intuito da Polícia Federalista e possuinte de uma longa ficha na Percentagem de Valores Mobiliários (CVM), a mente por trás da complexa teia de fundos de investimentos, captação de moeda de pensionistas e compra e venda de títulos podres a valores duvidosos é Benjamim Botelho de Almeida, possuinte da gestora Sefer Investimentos.

A Sefer, empresa de Botelho, afirma, por meio de sua assessoria de prelo, que as operações com fundos são regulares (leia mais aquém). A resguardo de Vorcaro, por sua vez, afirmou que não iria se manifestar.

Nas milhares de páginas de documentos da Polícia Federalista no contextura da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bilionárias no Master, há centenas de menções ao nome de Botelho na exigência de operador de Vorcaro e de seus familiares desde antes do início do banco, em 2019. A PF afirma que a “grande maioria das operações suspeitas” da família Vorcaro “envolve também as empresas de Benjamim Botelho”.

Entre essas operações, segundo a PF, estão “compra e venda de fundos imobiliários, debêntures e outros títulos de origem duvidosa, constituição de empresas de frente e conflitos de interesses entre empresas da mesma família”.

Botelho mora há cinco anos em Portugal e viaja com frequência ao Brasil. É possuinte de um cipoal de empresas de capital multimilionário, muitas delas com conexões com paraísos fiscais, uma vez que Delaware, nos Estados Unidos. Sedia algumas das empresas em Cascais, reduto de endinheirados na costa de Portugal.

Sempre levou uma vida discreta, sem redes sociais nem extravagâncias uma vez que as de Vorcaro. No dia a dia, ex-associados do empresário na Sefer contam que ele não tirava por zero seus óculos escuros e gostava de permanecer só em sua sala envidraçada no escritório. Usava o termo “chinese wall” para descrever o tamanho do distanciamento que queria dos empregados.

Além de investigado pelas fraudes em fundos ligados ao Master, Botelho é protagonista em uma transação de mais de R$ 500 milhões entre uma empresa de Vorcaro nas Ilhas Cayman e a Fictor, nebulosa empresa do mercado financeiro que anunciou a compra do Master na véspera da liquidação do banco e no dia da operação que prendeu Vorcaro pela primeira vez, em 2025.

Pouco mais de um mês depois o proclamação de que compraria o banco, foi a própria Fictor que pediu recuperação judicial, com R$ 4 bilhões em dívidas. Em razão de negócios com Vorcaro, a empresa listou a empresa de Botelho uma vez que sua segunda maior credora à Justiça de São Paulo.

Documentos mostram que o verdadeiro credor da Fictor, por trás de um fundo governado pela Sefer, é uma holding de Vorcaro nas Ilhas Cayman. Com isso, na exigência de segundo maior credor da Fictor, ele terá peso no rumo da recuperação judicial da empresa (leia mais detalhes aquém).

Se Vorcaro era um novato no mercado financeiro em 2019, quando assumiu o Master, Botelho já tinha anos de experiência uma vez que estruturador de fundos de investimentos. Trabalhou para o lendário Banco Garantia, nos anos 1990. Botelho fundou a gestora e administradora de fundos de investimentos Sefer, sediada na Avenida Faria Lima, em São Paulo, em 2003.

A Sefer teve antes outros dois nomes: Foco DTVM e Índigo DTVM. A empresa foi rebatizada ao longo dos anos ao passo em que seu fundador era enredado, mais e mais, em processos sancionadores da CVM e em investigações da Polícia Federalista.

Entre 2019 e 2021, Botelho foi claro de pelo menos cinco processos sancionadores — abertos quando técnicos da autonomia acreditam ter evidências suficientes para levar um executivo a julgamento. Entre os casos, estão investimentos de fundos de pensão que teriam beneficiado empresas de Daniel Vorcaro.

Hoje, a Sefer administra 102 fundos, com patrimônio de mais de R$ 20 bilhões. Desses, pelo menos R$ 9,6 bilhões (48% do totalidade), possuem alguma relação financeira com o ecossistema formado pelo Master, seja pelo investimento direto em empresas ligadas ao banco, seja por manter nas carteiras ativos que já foram alvos da instituição, uma vez que precatórios de usinas.

Um desses fundos da Sefer, o Nazaré, integra esse grupo e já registrou, por exemplo, investimentos de R$ 14 milhões na Super Empreendimentos, empresa apontada pela Polícia Federalista uma vez que dona de bens de luxo de Vorcaro, uma vez que sua mansão em Brasília, de R$ 36 milhões.

Operação Fundo Fake

Botelho atua para o Master desde a era em que o banco ainda não pertencia a Vorcaro e se chamava Máxima. Ele foi claro da Operação Fundo Fake, que investigou desfalques do Máxima em fundos de pensão. O Tribunal Regional Federalista da 1ª Região, porém, acolheu pedidos de investigados na Operação e anulou as investigações. Em 2019, quando Vorcaro assumiu o Máxima e mudou seu nome para Master, já conhecia Botelho. A relação se aprofundou ainda mais depois disso.

Tudo aquilo que a Fundo Fake investigou voltou a ser objeto de escrutínio da PF na Operação Compliance Zero, que levou Vorcaro à prisão duas vezes, em novembro de 2025 e em março de 2026, pelas fraudes no Master. Nas investigações mais recentes, Botelho voltou a ser tido por investigadores uma vez que um operador de fraudes contábeis de Vorcaro desde a gênese do Master.

Segundo narra a PF, Botelho gere fundos de investimentos que compram imóveis e outros ativos duvidosos e jogam seus preços para as alturas. Invariavelmente, esses imóveis, empresas e outros bens são revendidos a empresas de Vorcaro e familiares. O resultado da tabelinha entre Vorcaro e Botelho é que ambos ganham, mas outros investidores — o que inclui fundos de pensão — saem prejudicados.

Em segmento, essas operações inflaram também ativos que foram parar no patrimônio do Máxima e, posteriormente, do Master. Em uma dessas operações, descrita pela Polícia Federalista, um fundo governado pela Sefer comprou um terreno em Aracaju onde se propagandeava que seria construído um condomínio residencial. Zero foi construído, nem a empresa dona das terras, que recebeu investimentos do fundo, podia ser qualificada com segurança uma vez que proprietária do terreno. Isso porque a Justiça chegou a dar razão a um par, que zero tinha a ver com a empresa, mas reivindicou ser possuinte daquela dimensão desde os anos 1990.

A PF apontou que transações envolvendo esse terreno e empresas da família Vorcaro deram prejuízos milionários ao fundo da Sefer, que teve uma vez que investidores fundos de pensão. Leste mesmo fundo foi usado, mais tarde, para capitalizar o Master quando os Vorcaro adquiriram o banco.

A ‘holding ostentação’ e a Fictor

As digitais de Benjamim Botelho estão, também, na Titan, a famosa “holding ostentação” que Vorcaro usa para homiziar seus investimentos pessoais. A holding fica localizada em dois andares de um dos ícones da Faria Lima, o “prédio da baleia”.

É um escritório de 4 milénio metros quadrados, divididos em duas lajes e com unicamente muro de dez funcionários — sendo que empresas no mesmo prédio costumam colocar de 150 a 200 pessoas por andejar. Um elevador privativo liga a Titan ao heliponto. Formalmente, a Titan é sediada em um prédio mercantil em Georgetown, nas Ilhas Cayman. Ela também já se chamou Master Holding — Sefer Investimentos. Todos os seus contatos no Brasil são da gestora de fundos de Botelho.

A Titan e a Sefer foram os veículos de um primeiro negócio, no valor de R$ 500 milhões, entre Vorcaro e a Fictor, empresa que era mais conhecida por patrocinar o Palmeiras e anunciou, em 17 de novembro de 2025, um dia antes da liquidação do Master, que compraria o banco.

No mês anterior à tentativa de compra do Master, a Fictor acertou a compra de R$ 566 milhões em precatórios que pertenciam à Titan Holding. Os precatórios eram valores a serem recebidos por usinas de açúcar que quebraram nos anos 1980 em razão do frigoríficação de preços pelo governo federalista e que obtiveram a pena da União a indenizá-las em razão da política econômica.

Na prática, a Titan havia comprado dos autores da ação judicial e dos advogados que aguardavam o pagamento pelo governo o recta de receber essa indenização. E vendeu à Fictor esses recebíveis. O negócio envolveu um fundo de investimentos da Sefer, e o pagamento pela Fictor, por contrato, seria feito em uma conta da empresa de Botelho. O negócio foi revelado pelo Estadão. E detalhes do contrato foram revelados pelo ICL Notícias.

Depois da tentativa fracassada de comprar o Master, a Fictor pediu recuperação judicial, em janeiro deste ano. A empresa listou uma vez que uma de suas principais credoras a Sefer Investimentos.

A dívida de R$ 430 milhões, segundo apurou o Estadão, na verdade, corresponde a valores que não haviam sido pagos ainda pela compra dos precatórios da Titan Holding. Uma vez que a Sefer administra o fundo de investimentos que foi usado na transação entre a Titan e a Fictor, ela foi listada de maneira equivocada uma vez que credora da empresa. Na verdade, esta é uma dívida da Fictor com a Titan.

Na exigência de uma das maiores credoras da empresa, a holding de Vorcaro terá um importante peso na reunião que vai confirmar, ou não, o projecto de recuperação judicial proposto pela Fictor.

A lista de credores enviada pela Fictor à Justiça, na prática, escondeu o tamanho da influência que o próprio banqueiro investigado, e também o próprio negócio de mais de meio bilhão de reais às vésperas de a empresa tentar comprar o banco.

Paraísos fiscais

Em Portugal, onde reside ao lado de sua mulher, Botelho é possuinte de um cipoal de empresas. Uma delas, a Zeal Capital, fica em uma sala de um núcleo mercantil em Cascais. Está em nome de sua mulher, que declara residir em uma rua bucólica na sofisticada cidade de Oeiras, espécie de Vale do Silício português, região com concentração de empresas de tecnologia, boa qualidade de vida e localizada a menos de 20 quilômetros da capital, Lisboa. O capital da empresa é equivalente a R$ 3,8 milhões.

No mesmo escritório, ainda sedia outra empresa, a Drako, cuja controladora é uma empresa de Zug, na Suíça, onde vivem pouco mais de 20 milénio habitantes e estão instaladas companhias que buscam impostos baixos e altíssima discrição.

A empresa suíça, por sua vez, tem a Hoag Investments, que tem a mulher de Botelho uma vez que conselheira, segundo documentos obtidos pelo Estadão. Seu capital é de R$ 63 milhões, decorrente da compra de duas empresas em Delaware, Estado espargido uma vez que um paraíso fiscal norte-americano.

Defesas

A Sefer Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda. (Sefer DTVM) afirmou que “são inverídicas as informações que atribuem a determinadas pessoas físicas a exigência de cotistas dos fundos de investimento por ela administrados”.

“A elaboração do quadro de cotistas de fundos de investimento é informação protegida por sigilo bancário e fiduciário, nos termos da legislação aplicável, razão pela qual não pode ser divulgada a terceiros, inclusive à prelo. Todavia reafirmamos que as pessoas mencionadas na reportagem não constam uma vez que cotistas desses fundos ou ainda beneficiários finais”, afirmou.

A Sefer ainda diz que, “no que se refere à constituição de fundos de investimento e às operações de compra, cessão ou desvario de ativos realizadas no contextura desses veículos, a Sefer DTVM destaca que todas as operações observam rigorosamente a legislação do mercado de capitais, os regulamentos dos respectivos fundos, muito uma vez que as normas emanadas dos órgãos reguladores e autorreguladores, sendo lícitas, regulares e pautadas por critérios técnicos e de mercado”.

“Por término, a Sefer DTVM reafirma seu compromisso com a validade, a transparência regulatória e o cumprimento integral de seus deveres fiduciários, permanecendo à disposição das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários, nos canais apropriados”, afirma.

Estadão Teor