O Dia Mundial do Gato, comemorado nesta terça-feira, dia 17 de fevereiro, coincide em 2026 com um marco importante para o mercado pet brasílio. O país já soma 30,8 milhões de animais dessa espécie, segundo a Abempet. O desenvolvimento anual de 5,4% confirma que o progressão da população felina deixou de ser tendência e passou a configurar uma mudança estrutural no setor.
A verticalização das cidades, a redução do tamanho dos imóveis e rotinas mais intensas impulsionam a preferência por animais mais independentes e adaptáveis a espaços compactos. Mantido o ritmo atual, o Brasil poderá ultrapassar 40 milhões de gatos até 2030.
O movimento impacta diretamente a ergástulo produtiva. A expectativa é que o mercado pet brasílio movimente muro de R$ 80 bilhões até o término de 2026, com foco crescente em nutrição premium, mantimentos úmidos e soluções específicas para a espécie.
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Humanização e comportamento: o gato no meio da família
A humanização dos pets também impulsiona a categoria felina. Dados da Mars Petcare indicam que:
- 7 em cada 10 tutores se consideram “pais” ou “mães” de pet
- 67% permitem que o gato durma na leito
- Mais da metade afirma que o pet “completa a família”
“Nosso papel é escoltar essa evolução, traduzindo comportamento, necessidades e sinais de saúde em informação de qualidade e produtos que façam diferença no dia a dia dos gatos”, afirma Laura Reis, gerente de marketing das marcas Whiskas®, Dreamies™ e Sheba™, da Mars Pet Nutrition, em entrevista ao Quadro Pet&Vet.
A empresa reforça que a hidratação é uma preocupação crescente entre tutores, fator que levou à ampliação do portfólio de mantimentos úmidos e à inauguração, em 2025, de uma novidade fábrica em Ponta Grossa (PR), focada nessa categoria.
Oportunidade represada no varejo
Apesar do desenvolvimento da população felina, o consumo ainda apresenta lacunas importantes. Segundo dados do Pintura de Domicílios da NielsenIQ, analisados pela DREAMIES™, somente 3% dos tutores de gatos compraram petiscos nos 12 meses encerrados em março de 2025. Para cães, o índice chega a 10%.
Na prática, os gatos recebem quatro vezes menos petiscos que os cães no Brasil, um indicativo evidente de potencial de expansão para o varejo especializado.
Saúde Única: prevenção ainda enfrenta mitos
No campo médico, o progressão populacional impõe desafios adicionais. Kathia Soares, médica-veterinária e coordenadora técnica da MSD Saúde Bicho, alerta que um dos mitos mais prejudiciais é a crença de que gatos indoors não precisam de vacinação ou controle antiparasitário.
“A teoria de que o gato que não sai de lar não precisa ser vacinado nem usar antiparasitário é muito geral e preocupante quando falamos em saúde única”, reforça.
Mesmo sem aproximação à rua, o felino pode ser exposto a agentes trazidos por roupas, calçados ou visitas ao veterinário. A prevenção contra pulgas e vermes é necessário não somente para o bicho, mas também para os humanos, reduzindo riscos uma vez que:
- Bartonelose
- Dipilidiose
- Clamidiose em imunossuprimidos
- Raiva (inevitável e zoonótica)
Vacinação e longevidade: o progressão da medicina felina
As diretrizes da WSAVA 2024 classificam uma vez que essenciais as vacinas contra:
- Herpesvírus
- Calicivírus
- Panleucopenia
- Raiva
- Leucemia Viral Felina (FeLV)
No caso da FeLV, a recomendação no Brasil é vacinar todos os gatos até um ano de idade e adultos de risco. Para Soares, o aumento da longevidade felina nas últimas duas décadas está associado a avanços diagnósticos, melhorias na nutrição e, principalmente, à maior procura por atendimento veterinário preventivo.
Tutor conectado e vigilante
O comportamento do dedo também mudou. Dados do Google Trends mostram entre os termos mais pesquisados em 2025 estão:
- Miado
- Gato com vômito
- Pulga em gato
- Gato com diarreia
A vocalização, por exemplo, passou a ser interpretada uma vez que sinal médico ou emocional que exige mediação humana. Miados agudos e súbitos podem indicar dor; séries longas na madrugada podem sinalizar estresse, tédio ou alterações no ciclo sono–vigília.
O movimento reforça um tutor mais cauteloso e participativo, mas também evidencia a premência de orientação profissional para evitar autodiagnósticos equivocados.
