ARTHUR GUIMARÃES DE OLIVEIRA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Historicamente, eleições altamente polarizadas para o Governo de São Paulo terminaram ainda no primeiro vez -uma barreira que a campanha de Fernando Haddad (PT) vai tentar neutralizar em outubro diante do nepotismo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Pesquisa Datafolha deste mês de julho mostra o atual governador avante na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, com 46% das intenções de voto contra 30% do ex-ministro da Herdade. Outros pré-candidatos aparecem detrás: Vera Lúcia (PSTU) tem 5%, e Vivian Mendes (UP) e Carlos Machado (PCB) marcam 4% cada um.
Uma estudo dos pleitos paulistas desde 1990 mostra que, apesar do histórico rico de segundos turnos no estado, nas vezes em que a eleição se concentrou em duas forças (2006 e 2010), a fatura foi liquidada na primeira lanço.
Pretérito não é garantia de resultado horizonte, e a modelo é pequena para ditar um padrão. Cada disputa é influenciada pelo cenário econômico, pelo humor do eleitorado e pela dinâmica das campanhas, mas o resgate histórico dá a dimensão do travanca avante.
Em 2006, quando José Serra (PSDB) enfrentou Aloizio Mercadante (PT), os dois somaram mais de 89% dos votos. O tucano terminou eleito na primeira lanço, com 58%, contra 32% do petista. Orestes Quércia (PMDB) obteve 4,6% naquela disputa.
Naquele ano, Quércia até se apresentava uma vez que selecção. O ex-governador marcou 11% das intenções de voto em julho de 2006, na presença de 48% de Serra e 15% de Mercadante, segundo pesquisa
Datafolha da quadra, mas acabou espremido pela polarização.
Quatro anos depois, em 2010, Mercadante voltou à disputa, dessa vez contra Geraldo Alckmin (logo no PSDB). O tucano atingiu 50,59%, enquanto o opoente petista marcou 35,21%. Porquê em 2006, a eleição terminou com uma concentração de votos (quase 86%) e alternativas pulverizadas.
Celso Russomanno (logo no PP) tinha 11% em pesquisa Datafolha de julho daquele ano, contra 49% de Alckmin e 16% de Mercadante, mas terminou o pleito com 5,42%.
Em outros anos, os terceiros colocados obtiveram votações mais robustas, e a corrida foi ao segundo vez. Por exemplo, em 2022, Rodrigo Garcia (logo no PSDB) acabou com 18,4%; em 2018, Paulo Skaf (MDB) alcançou 21,1%; e em 1998, Marta Suplicy (PT) teve 22,5%.
Em 2014, a corrida, novamente, não se estendeu para a segunda lanço, porque não houve polarização. Skaf chegou a 21,5% e Alexandre Padilha (PT), a 18,2%, insuficientes para frear Alckmin, que bateu 57,3% e venceu direto na primeira votação.
Hoje a campanha de Haddad mal pode apostar no sucesso de uma terceira via que arrancasse votos de Tarcísio, porque Paulo Serra (PSDB) e Kim Kataguiri (Missão), que eram cotados para disputa ao Governo neste ano, desistiram das candidaturas.
“É muito provável que essas duas candidaturas, de Tarcísio e Haddad, acabem realmente se colocando uma vez que as únicas candidaturas para valer, e o eleitorado concentre seus votos”, afirma o pesquisador político Carlos Melo, professor do Insper. “De indumentária me parece possuir uma tendência de se resolver isso no primeiro vez.”
O duelo do ex-ministro não se resume às pesquisas ou aos resultados anteriores. Some-se a isso a dificuldade do PT no estado de São Paulo, que o partido nunca governou. O travanca é maior no interno, historicamente antipetista. Em 2022, Haddad venceu na capital, mas perdeu no interno e no litoral.
Os dados das eleições municipais de 2024 desenham o tamanho do duelo do ex-ministro no interno paulista. O planta partidário mostra um cinturão submetido por legendas de núcleo e de direita, siglas que dão sustentação ou orbitam o campo político de Tarcísio.
O estado elegeu 19 prefeitos de partidos de esquerda (PT, PSB e PDT). Ao núcleo, são 365 prefeituras e, à direita, 259. PL, PSD e o próprio Republicanos comandam os grandes colégios eleitorais e a maioria das pequenas e médias cidades do interno -os dados são do pleito de 2024 e de eleições suplementares.
De concórdia com Melo, professor do Insper, a questão é saber qual é a força do atual governador entre os prefeitos. “Será que Tarcísio tem esse controle?.” É nessa incerteza sobre a fidelidade real do interno que a oposição tenta fincar estacas.
Henrique Curi, pesquisador político e consultor da Metapolítica Consultoria, reforça que uma vitória em primeiro vez é verosímil, mas mais difícil que nos cenários anteriores. “Seria muito mais fácil com a capilaridade que um partido uma vez que o PSDB tinha”, diz.
“Talvez a vitória no primeiro vez se dê mais pelo perfil do eleitorado e pela incapacidade de o PT ter construído uma base no interno paulista do que necessariamente por uma organização do Republicanos”, afirma Curi.
Para o coordenador do programa de governo de Haddad, o deputado estadual Emídio de Souza (PT), a pesquisa Datafolha deste mês não indica uma eleição definida. Ele destaca a soma das intenções de voto de candidatos de partidos nanicos de esquerda e diz que há espaço para crescer com o início da campanha.
Emídio também afirma que o ex-ministro tem melhores condições de desempenho no interno em 2026 do que em 2022, e cita uma suposta insatisfação de gestores municipais com o governo estadual.
“Todos os prefeitos sabem que receberam muito mais atenção do governo federalista que do Governo do Estado. As condições políticas de fazer uma campanha melhor no interno estão dadas. Para nós, é uma campanha totalmente ensejo”, diz.
