DIOGO BERCITO E ISABELLA MENON
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS)
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) embarcou na noite desta quarta-feira (8) dos Estados Unidos para o Brasil depois de pospor seu retorno em um dia.
À Folha ele disse que a mudança se deu devido a reuniões na capital americana sobre os planos do governo de Donald Trump de impor novas tarifas ao país. “Fui conversar com algumas pessoas para tentar influenciar o governo a não tarifar o Brasil”, disse à reportagem o pré-candidato no saguão de uma companhia aérea no aeroporto internacional de Washington.
Flávio tem sofrido desgastes com o tema das tarifas diante de ofensiva de Lula voltada à bandeira da soberania. O senador tem procurado se posicionar publicamente contra eventual taxação.
“Estou fazendo a minha segmento, né? O que era para o Lula estar fazendo, eu fiz”, disse o senador.
Durante toda a viagem, o presidenciável evitou o contato com a prensa. Flávio desembarcou no domingo (5) na capital americana. Na terça-feira (7), ele prestou testemunho ao USTR –o órgão americano que sugeriu um novo tarifaço de 25% contra o Brasil– em que pediu para que os EUA não apliquem as tarifas e que a medida poderia propiciar o presidente Lula.
O senador tem insistido que, uma vez que o Itamaraty não indicou um representante para falar na sessão do USTR, a gestão Lula está sendo omissa. Por outro lado, o governo diz que a audiência é voltada principalmente ao setor privado, apesar de não ter limitação para que políticos participem.
Em seguida o exposição de Flávio, o governo Lula divulgou nota dizendo repudiar o que chamou de mediação de Flávio e afirmou que, “em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país”.
Em seguida a audiência, a assessoria de Flávio afirmou que ele não concederia entrevista a jornalistas. O pré-candidato do PL foi questionado se ele pediu pelo cancelamento ou protelação das tarifas. Flávio somente disse que quer o cancelamento do novo tarifaço contra o Brasil.
A falta de divulgação, nesta que é a quinta viagem dele para os EUA neste ano, foi criticada até por aliados.
O empresário e influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo reclamou do que considerou uma falta de desembaraço na publicação de uma nota à prensa em seguida a fala de Flávio na audiência nos EUA. “Depois a gente perde e não sabe por que a militância é desengajada, por que toma de 7 a 1 na prensa todos os dias”, disse.
Já o youtuber Kim Paim, que tem quase 1 milhão de inscritos no YouTube, criticou integrantes da pré-campanha. “O que as pessoas possuem para publicar o Flávio? Zero”, afirmou Paim.
