Sessão durou mais de 16 horas e foi marcada por conflitos entre oposição e governistas
Depois de 16 horas de discussão, a CPMI (Percentagem Parlamentar Mista de Questionário) do INSS rejeitou o parecer do relator Alfredo Gaspar (PL-AL). Por 19 votos a 12, a repudiação marca vitória da base governista. Leia a íntegra do relatório derrubado (PDF – 26 MB).
O documento, com mais de 4.000 páginas, pedia o indiciamento de 216 pessoas, entre elas, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, rebento mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele é citado nas investigações por ter gavinha com o Careca do INSS.
Além de Lulinha, também constava no relatório pedidos de indiciamentos de 2 ex-ministros da Previdência Social:
- Carlos Lupi – governo Lula;
- José Carlos Oliveira – governo Bolsonaro.
O dia foi marcado por conflitos entre oposição e governistas, que chegaram a apresentar um texto paralelo para substituir o solene. Houve também a apresentação da Notícia de Roupa do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) contra Gaspar por estupro de vulnerável, o que foi rejeitado pelo relator. Leia mais nesta reportagem.
A leitura do relatório foi iniciada por Gaspar no dia seguinte à decisão do Supremo Tribunal Federal que impediu a extensão do prazo da CPMI. A maioria dos ministros entendeu que a privilégio para prorrogar a percentagem é exclusiva do presidente do Congresso Vernáculo, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
O documento indicava 218 pedidos de indiciamento, porém a assessoria de informação da CPMI retificou o número para 216. O relatório pedia o indiciamento por crimes uma vez que estelionato, organização criminosa, lavagem de quantia e prevaricação ativa e passiva.
fraudes no INSS
A CPMI foi instalada para investigar fraudes no INSS, com foco em descontos associativos e consignados. Ao longo dos trabalhos, realizou interrogatórios, analisou documentos e aprovou quebras de sigilo.
Segundo as investigações os aposentados — principalmente os de baixa renda — foram os principais prejudicados, com descontos realizados sem consentimento e, em muitos casos, sem conhecimento do motivo.
Durante os trabalhos, a percentagem aprovou mais de 1.000 pedidos de quebra de sigilo, incluindo dados bancários, fiscais, telefônicos e telemáticos. Ao todo, 649 pessoas e empresas tiveram sigilos quebrados no curso da investigação.
A percentagem realizou 38 reuniões, entre sessões deliberativas e oitivas de testemunhas e investigados. Congressistas também aprovaram convocações, requerimentos de informação e compartilhamento de dados com órgãos de controle.
Eis o balanço dos trabalhos da percentagem, que foi instalada em 25 de agosto de 2025 e encerrou em 28 de março:

