Desafios do jornalismo | Portal da Alego
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O Palácio Maguito Vilela, sede da Reunião Legislativa do Estado de Goiás (Alego), recebeu na última sexta-feira e neste sábado, 10 e 11, o 9º Congresso Estadual dos Jornalistas de Goiás. Realizado no Auditório 1 da Moradia, lugar que leva o nome do jornalista Altemar Santos, fundador do Portal Mais Goiás, o encontro reuniu profissionais, professores, pesquisadores e estudantes para discutir o tema “O jornalismo frente à economia da atenção”.

Articulado pelo presidente do Sindicato dos Jornalistas de Goiás (Sindjor-GO), Francisco Costa, o congresso teve uma vez que foco os impactos das transformações tecnológicas no manobra da profissão e os desafios do novo envolvente informacional.

Representando a categoria profissional, Francisco Costa ressaltou o caráter formativo e político do congresso. “Fico muito feliz em ver esse auditório com tantos colegas de profissão, colegas de sindicato e estudantes. Lutamos muito por esse importante encontro e por isso fico muito honrado em ter todos vocês cá. Os jornalistas hoje vivem um momento de resistência diante de uma luta regular contra a desinformação. Por isso, é muito importante que se estude, que se aprenda e que não somente ache. É importante saber e buscar a verdade. Esse congresso vem nesse sentido: contribuir com a formação e o conhecimento de todos”, afirmou.

Na preâmbulo, o jornalista Vinícius Sassine, repórter próprio da Folha de S.Paulo, destacou a relevância da curadoria uma vez que elemento mediano do fazer jornalístico. “A primeira coisa que eu queria proferir é que eu entendo, uma vez que repórter, uma vez que jornalista, que o que a gente faz não está na mesma categoria que as big techs fazem. O jornalismo não é movido por algoritmos, o jornalismo é movido por curadoria. Eu acho que essa é uma palavra-chave para o jornalismo”, introduziu.

Com 23 anos de curso e passagens por veículos uma vez que O Mundo, Estação, Correio Braziliense e O Popular, Sassine acumula 40 premiações, entre elas dois Prêmios Esso, o Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos, além de distinções internacionais uma vez que o Prêmio Rei da Espanha e o Prêmio Roche de Jornalismo de Saúde.

Durante a conferência, ele alertou para o risco de o jornalismo se deixar pautar pelas dinâmicas das redes sociais. “Ser pautado pelo que as redes estão dizendo é um vício mortal […]. Perdemos mão de obra, vigor e moeda sendo pautados por algoritmos que não temos a menor teoria de uma vez que são construídos”, declarou Sassine. 

Para o jornalista, apesar da disputa por atenção no envolvente do dedo, a prelo ainda tem a capacidade de conduzir o debate público. “Ainda tem essa capacidade de pautar o debate. O jornalista só consegue fazer isso quando ele dá uma peitada nos algoritmos e diz ‘eu tenho as técnicas, as cabeças, a mão de obra, o investimento e o tempo necessário para apurar uma informação”, completou Vinícius Sassine. 

Liberdade de prelo

O ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Goiás, Cláudio Curado, também participou do encontro e aproveitou para ler a “Missiva de Gaza”, um documento que denuncia violações contra jornalistas palestinos em meio ao conflito no Oriente Médio. Segundo o texto, “há violações contra jornalistas palestinos, pessoas que estão sendo mortas enquanto cumprem sua função humanitária de transmitir a verdade do coração da tragédia”.

A missiva classifica os ataques uma vez que “um ataque direto à liberdade de prelo” e afirma que “o delito de trucidar jornalistas dessa maneira sistemática é um delito de guerra completo”. O documento faz ainda um apelo à comunidade internacional, a entidades de direitos humanos e a organizações representativas da categoria para que adotem medidas de proteção aos profissionais que atuam em zonas de conflito. “Nossa luta hoje não é somente uma luta para noticiar os fatos, é uma luta para proteger o próprio recta à verdade”, destaca o texto lido por Curado.

Programação

No sábado, 11, a programação foi retomada e teve início às 8h30 com o tela “Novos formatos e o sentido do jornalismo na atualidade”, reunindo Edson Spenthof, professor da Universidade Federalista do Mato Grosso (UFMT), e a jornalista Cileide Alves Cunha, rabino em História e colunista da Rádio CBN e do jornal O Popular.

O debate “Jornalismo de imagem vs extinção do real” discutiu os desafios impostos pelas mídias visuais emergentes e pela manipulação do dedo, com participação de Lisbeth Oliveira, professora da Universidade Federalista de Goiás (UFG) e Celso Augusto Schröder, ex-presidente da Federação Vernáculo dos Jornalistas (Fenaj) e da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ). A mediação foi feita por Jota Lee, secretária de Sindicalização do Sindjor-GO.

No período da tarde, o tela “Impactos da IA no jornalismo e no mundo do trabalho” abordou os efeitos da perceptibilidade sintético na produção de teor e nas relações profissionais. Participaram Caio Antunes, professor da UFG, e Roseli Fígaro, professora titular da Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora do Meio de Pesquisa em Informação e Trabalho.

O fecho, às 15h45, foi marcado por um debate cândido sobre a regulamentação da profissão. A apresentação do histórico da regulação ficou a função de Maria José Braga, secretária-geral do Sindjor-GO e ex-presidente da Fenaj, que conduziu a discussão sobre os desafios e perspectivas para a categoria.