Antes mesmo do início solene, muitas cidades país afora, inclusive Goiânia, já colocaram seus blocos na rua, no chamado pré-Carnaval. Além dos momentos de alegria, descontração e confraternização, o Carnaval também é uma sarau que movimenta a economia. Para fortalecer e contribuir com a asseveração dos eventos, deputados estaduais apresentam projetos que tornam os festejos de Momo patrimônios cultural e intáctil do Estado.
Há quem não goste, simples, mas os números mostram que o Carnaval é a sarau popular mais celebrada no Brasil, que arrasta, todos os anos, uma povaréu pelas ruas, clubes, praças e outros locais de sarau.
Uma pesquisa realizada pelo Locomotiva Instituto de Pesquisa e pela plataforma QuestionPro mostrou que 34% dos brasileiros, mais que um terço da população do país, pretendem participar da sarau. Mas, mesmo quem não gosta, reconhece a relevância do Carnaval. O levantamento apontou que, para 67% dos brasileiros, o Carnaval é uma revelação cultural importante. E, para 69% dos entrevistados, é um evento democrático. A data ainda é considerada uma oportunidade de ocupação dos espaços públicos das cidades para 66% das pessoas.
As turbas de pessoas que lotam as ruas, detrás de trios elétricos e bandas, nos blocos, mostram a força da sarau. Em Goiânia, durante o pré-Carnaval realizado no último término de semana, estimativas oficiais do Volta Folia Goiás apontam que mais de 350 milénio pessoas participaram do evento.
Em Recife, Pernambuco, o tradicional conjunto Galo da Madrugada reúne murado de 2,5 milhões de pessoas nas ruas da cidade todos os anos.
A relevância do Carnaval é tanta que o evento foi reconhecido, em 2005, porquê patrimônio cultural intáctil pela Organização das Nações Unidas para a Ensino, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Para além da folia, o Carnaval é uma sarau que promove a circulação da economia, gera empregos, renda e riqueza para todas as localidades que promovem eventos nesse período. Segundo a Confederação Pátrio do Negócio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a sarau movimentou murado de R$ 9 bilhões no setor de turismo em 2024. Aliás, a demanda de mão de obra em trabalhos temporários gerou quase 67 milénio empregos.
Manifestações populares
A origem das manifestações carnavalescas, porquê as escolas de samba e os blocos, são, via de regra, de origem popular.
Segundo o cláusula “A Origem do Carnaval”, os blocos de rua surgiram dos “entrudos” portugueses, comemorações populares nas quais as pessoas brincavam jogando chuva, ovos, farinha, frutas podres e sobras de comida umas nas outras. A partir do século XIX, essa sarau passou a ser criminalizada, simplesmente, porque a maioria dos participantes eram negros.
Mas, ao final do século XIX, os populares se reorganizaram e criaram os cordões e os ranchos, blocos de pessoas que saíam às ruas seguindo carros decorados. Um pouco que lembrava as procissões religiosas, mas que incluíam expressões da cultura popular, porquê jogar capoeira e tocar tambor. Esses cordões, que tiveram início no Rio de Janeiro, cresceram e se espalharam por todo o Brasil e, até hoje, a cada ano, se multiplicam, formados por grupos de pessoas que se juntam para folgar o Carnaval.
Muitos desses blocos ou desses eventos acabam caindo no sabor do povo e seguem se repetindo todos os anos, até se tornarem manifestações tradicionais. E pela relevância que assumiram, foram branco de propostas de deputados estaduais, na Reunião Legislativa do Estado de Goiás (Alego) para integrarem o Calendário Cívico, Cultural e Turístico do Estado, se tornando Patrimônio Cultural Intáctil.
Alguns desses projetos aprovados na Lar foram sancionados pelo Governo do Estado e tornaram-se leis estaduais.
Uma dessas leis, a de nº 24.086, inclui o Carnaval de Porangatu no Calendário Cívico, Cultural e Turístico do Estado de Goiás. No Legislativo, a proposta foi da deputada Vivian Naves (PP), que alegou que o evento se consolidou porquê uma das celebrações mais tradicionais e expressivas do setentrião goiano.
A parlamentar ainda destacou a programação diversificada, que inclui desfiles de blocos, apresentações musicais e manifestações culturais típicas, que atrai milhares de visitantes, movimentando o transacção, a rede hoteleira e os serviços locais. “Além do seu potencial turístico, o Carnaval de Porangatu é uma frase legítima da identidade cultural da população sítio, reunindo elementos da cultura popular, da originalidade artística e da convívio comunitária”, justificou Naves.
Já a Lei Estadual nº 23.228 incluiu o “Carnaval Vetusto”, realizado anualmente no mês de fevereiro em Caldas Novas, no Calendário Cívico, Cultural e Turístico do Estado de Goiás. O projeto que originou a lei é de autoria do deputado Coronel Adailton (Solidariedade).
Segundo Adailton, o evento tenta reviver a alegria dos antigos carnavais, com blocos e músicas tradicionais, ornamentação do trajeto da folia com bonecos gigantes, desfile de carros e, ainda, concurso de fantasias. “O evento conta com uma grande infraestrutura para turistas e residentes locais, disponibilizando rede hoteleira muito preparada para receber e acomodar todos os foliões, além de completa rossio de sustento com food trucks, espaço infantil e camarotes.”
O Carnaval dos Amigos, realizado em Goiânia no sábado que antecede a semana do Carnaval, é outro evento que foi incluído no Calendário Cívico, Cultural e Turístico, por força da Lei nº 22.116.
Ao propor a iniciativa, no Parlamento Estadual, o deputado Virmondes Cruvinel (UB) pontuou que o evento foi criado pelo jurisconsulto Rener Bilac, que reuniu um grupo de amigos em um sábado antes do Carnaval para passar a tarde em um bar e depois seguir em direção ao Parque Vaca Brava, acompanhados de uma filarmónica de música.
“Foi aí que nasceu o Conjunto dos Amigos em 2003. Depois disso, novos blocos foram surgindo e o evento foi crescendo e conquistando os goianienses. Desde portanto, as pessoas se reúnem nos blocos que têm início simultaneamente em diversos locais. Posteriormente, por volta das 18 horas, todos saem às ruas, se encontram e seguem juntos para a última segmento do evento com um show gratuito sincero ao público”, explica Cruvinel.
Já a Lei nº 23.879, sancionada pelo governador Ronaldo Caiado em novembro do ano pretérito, declarou o Conjunto do Mancha porquê Patrimônio Cultural Intáctil goiano. Virmondes Cruvinel também é responsável da propositura, alegando que o Mancha se consolidou porquê um dos maiores e mais importantes blocos carnavalescos de rua do Estado e que, desde a instalação, desempenha um papel fundamental na democratização do carnaval goianiense, resgatando a tradição dos desfiles de rua e proporcionando um espaço de revelação artística, cultural e social para milhares de foliões.
Cruvinel alega, ainda, que a proposta se justifica “em razão de sua relevante imposto para a tradição dos blocos carnavalescos de rua em Goiânia e sua expressiva atuação na valorização da cultura popular, inclusão social, sustentabilidade e acessibilidade”.
Agora, que você já conhece um pouco das manifestações carnavalescas oficiais do nosso Estado, reúna seus amigos e caia na folia. Em um conjunto solene ou não, o importante é aproveitar o Carnaval.
