LUTO
População ainda tenta entender as motivações que levaram o secretário municipal e genro do prefeito a cometer o duplo homicídio seguido de suicídio
Sarah Tinoco Araújo é amparada por seu pai, o prefeito de Itumbiara, Dione Araújo, durante o velório de Miguel Araújo Machado. (Foto: André Bragança/Mais Goiás)
Passadas 24h horas do enterro de Miguel Araújo Machado, de 12 anos, assassinado com um tiro efetuado pelo pai, Thales Machado, de 40 anos, na madrugada de quinta-feira (12/02), o clima em Itumbiara é de choque, dor e consternação pela tragédia que repercutiu em todo o Brasil. A população ainda tenta entender as motivações que levaram o secretário municipal e genro do prefeito Dione Araújo a cometer o duplo homicídio seguido de suicídio.
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Durante o velório, amigos, professoras e colegas da ateneu de luta afirmaram que o juvenil era muito carismático e querido por todos. “Ele queria ser um grande lutador e se esforçava para isso!” afirmou um primo do jovem durante a despedida. A avó paterna também esteve no lugar e foi acolhida pela família do prefeito.
A todo tempo a mãe das crianças, Sarah Tinoco Araújo, de 37 anos, foi amparada pelo pai e a mana Laura Tinoco Araújo. Logo que soube do transgressão, a empresária deixou São Paulo, onde estava desde aquela tarde, em um voo privado ofertado pelo camarada do prefeito. Ao chegar em Itumbiara foi direto seguir o adeus ao rebento.
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No Cemitério Avenida da Saudade, Sarah foi retirada do lugar posteriormente os aplausos durante a ingresso do caixão no sepulcro e seguiu direto para o Hospital Estadual de Itumbiara São Marcos, onde estava internado na UTI, em estado gravíssimo, Benício Araújo Machado, de 8 anos.
Ainda na noite de quinta-feira (12/02), uma funcionária do hospital confirmou à reportagem, sob sigilo da sua identidade, que o menino estava em morte encefálica por ferimento a projéctil – mesmo depois de ter pretérito por cirurgia – e que teria sido iniciado o protocolo interno de cuidados paliativos, previsto para insistir 72 horas, ou por outra, nenhum requerimento de doação de órgão havia sido iniciado. No entanto, em menos de 48 horas do transgressão, no termo da tarde dessa sexta-feira (13/02), o falecimento foi confirmado e o Benício deve ser sepultado junto com o irmão neste sábado (14/02).
Cidade em silêncio
A cidade amanheceu paralisada. Embora o decreto publicado pelo governo lugar fizesse solenidade de luto por três dias somente aos órgãos vinculados à prefeitura, a maioria do transacção não abriu as portas, em reverência à família do prefeito Dione Araújo. Somente restaurantes, lanchonetes, supermercados, postos de gasolina e serviços essenciais estavam disponíveis.
Nas ruas e praças, a população preferiu manter o silêncio e não comentar sobre o incidente. Funcionários da prefeitura, moradores antigos e comerciantes se limitaram a declarar que conheciam a família materna dos meninos, evitando mencionar Thales que era secretário municipal desde 2021. Entretanto, os comentários sobre o comportamento das crianças e a participação deles no dia a dia do avô foram constantes.

Cena do transgressão e investigações
Informações preliminares indicam que a tragédia ocorreu por volta da 00:40 de quinta-feira (12/02). Miguel teria sido atingido enquanto dormia em seu quarto e Benício estaria no pescoço do pai no momento do disparo na sala. Em seguida, Thales teria estanco gasolina pelos cômodos da vivenda e ido para o quarto do parelha, onde tirou a própria vida, além de ter publicado em sua rede social uma mensagem de despedida.
A reportagem do Mais Goiás procurou o solicitador Felipe Sala, do Grupo de Investigações de Homicídio de Itumbiara, que afirmou que o caso segue em sigilo e que não poderia comentar detalhes sobre as investigações. Entretanto, um agente da Polícia Social, que pediu para não ser identificado, afirmou que a mãe seria ouvida posteriormente o velório do rebento mais novo e outras testemunhas prestariam depoimentos na próxima semana, quando logo o interrogatório do duplo homicídio seguido de suicídio deve ser finalizado.
Perfil reservado
Um funcionário da prefeitura conversou com a equipe afirmando que Sarah era uma figura manente nos corredores, mas tinha um perfil reservado. Ele também comentou sobre a família de Thales. Sua mãe teria sido gerente de um banco na cidade e o irmão trabalharia uma vez que gestor de uma quinta de Dione, localizada no Tocantins.

Segundo o servidor municipal, o secretário teria sido jogador profissional de futebol do Itumbiara, entretanto, desistiu da curso em razão do tálamo com Sarah, em março de 2011.
Já uma colega de faculdade da quadra que Thales cursava agronomia na Ulbra comentou que ficou surpresa com o ingresso dele na política e sua atual prova expansiva nas redes sociais. Durante a vida acadêmica, ele demonstrava ter um comportamento introspectivo, com poucos amigos e sem histórico de confusões. A agronomia foi a segunda graduação do pai de Miguel e Benício, que também cursou Governo na mesma instituição anos antes.
Colaborou André Bragança e Letícia Sublime.
