A inovação na saúde animal vem avançando para além dos atendimentos convencionais, com tecnologias voltadas à prevenção, ao diagnóstico e à personalização dos cuidados. Testes genéticos e telemedicina veterinária estão entre as soluções que surgem no segmento acompanhando as mudanças no comportamento dos tutores.
Na avaliação do especialista em inovação Guilherme Martinez, a humanização dos animais elevou as expectativas em relação aos serviços veterinários e abriu oportunidades para empresas de diferentes segmentos. O avanço, porém, depende de superar barreiras econômicas, ampliar a capacitação profissional e facilitar o acesso às tecnologias fora dos grandes centros urbanos.
Testes genéticos ampliam oportunidades de prevenção
“A inovação deixou de ser diferencial de nicho para se tornar exigência de mercado. A tendência de humanização do pet moldou um tutor que trata o animal com o mesmo nível de exigência que trata a própria saúde, o que empurrou o setor para diagnósticos mais precisos, telemedicina veterinária, prontuário eletrônico e, mais recentemente, testes genéticos”, afirma o especialista.
Os testes genéticos podem ajudar a identificar predisposições a determinadas doenças e orientar o acompanhamento clínico. Para Martinez, a tecnologia também reorienta oportunidades para a indústria de alimentos e suplementos, com o desenvolvimento de produtos adaptados ao perfil de cada animal.
“Para a indústria de pet food e de suplementos, a avaliação abre caminho para nutrição personalizada, com produtos formulados considerando o perfil genético do animal. O que tende a gerar um novo patamar de valor agregado numa categoria que já é a locomotiva de faturamento do setor”, diz.
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Custo e acesso desafiam a expansão da inovação
Entre os principais obstáculos, o especialista destaca a carga tributária, a capacitação dos profissionais e as dificuldades de distribuição em um país de dimensões continentais.
“O primeiro desafio é econômico. A carga tributária elevada, que pode chegar a compor cerca de 50% do preço final de produtos pet, encarece qualquer inovação antes mesmo dela chegar ao consumidor”, salienta. Existe ainda uma questão de qualificação do setor, a partir da necessidade de interpretação e aplicação de tecnologias mais sofisticadas.
O cenário econômico pode dificultar investimentos em soluções cujo retorno não é imediato. Ainda assim, o especialista vê oportunidades em diferentes áreas e prevê maior presença da inteligência artificial na rotina do setor.
“Vejo força crescente em nutrição e medicina preventiva personalizadas, telemedicina veterinária e planos de saúde pet apoiados em dados”, finaliza. A IA deve contribuir para a análise de imagens, triagem veterinária, gestão de estoques e atendimento aos tutores.
