Starlink derruba ações de telecom no mundo; o que muda para Vivo e TIM?
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Os avanços recentes da Starlink, empresa de conectividade via satélite da SpaceX, no mercado de telefonia móvel dos Estados Unidos provocaram uma forte onda de vendas nas ações globais de telecomunicações neste mês e levantaram dúvidas sobre os impactos para o setor no Brasil. Para o Itaú BBA, porém, a concorrência direta da empresa representa um risco de longo prazo, e não uma ameaça imediata às operadoras brasileiras.

O banco mantém cautela com o setor e aguarda sinais mais claros de estabilização do ambiente competitivo. Ainda assim, avalia que o perfil defensivo das operadoras ganha relevância no cenário atual e mantém a TIM (TIMS3) como sua preferência relativa, considerando a avaliação das ações e o potencial de aumento dos dividendos. Os dividend yields estimados para 2027 são de aproximadamente 13% para a TIM e 10% para a Vivo (VIVT3).

Na avaliação do Itaú BBA, a concorrência entre provedores de satélite e o controle das operadoras sobre espectro, distribuição, faturamento e relacionamento com clientes reduzem, ao menos por enquanto, o risco de desintermediação, quando as empresas deixam de atuar diretamente na relação com seus clientes.

Um dos pontos de atenção é a faixa de 850 MHz, cujas licenças vencem em 2028. A Anatel e as operadoras que utilizam essas frequências buscam uma solução negociada antes de levar o tema ao Tribunal de Contas da União (TCU). Um eventual acordo poderia renovar parte das licenças e abrir espaço para o leilão de um novo bloco de espectro, o que tornaria relevante um possível interesse da Starlink em participar da disputa.

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Outra possibilidade seria a aquisição de uma operadora móvel local, embora o Itaú BBA afirme não ter visibilidade sobre uma eventual transação. Sem uma aquisição, a Starlink precisaria obter espectro e construir uma rede móvel completa no país. Por isso, o banco classifica esse cenário como um risco de cauda, com longo prazo de execução, e não como uma ameaça imediata às operadoras brasileiras.

A Starlink acelerou recentemente os investimentos em suas operações de telefonia móvel nos Estados Unidos. Três movimentos se destacam: (i) a autorização da Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês) para operar até 15 mil satélites D2D; (ii) um acordo para adquirir até 14 MHz de espectro pareado na faixa de 800 MHz da Grain Management, uma frequência baixa adequada para melhorar a cobertura em ambientes internos; e (iii) relatos de negociações para acessar pelo menos 80 mil locais de infraestrutura terrestre nos EUA.

Os dois últimos movimentos chamaram particularmente a atenção do mercado porque, em conjunto, apontam para uma possível transformação da estratégia da SpaceX, que deixaria de se concentrar apenas na conectividade via satélite para oferecer serviços móveis mais amplos, potencialmente apoiados por uma rede terrestre.

Esses movimentos dão continuidade à aquisição, anunciada em 2025, de espectro da EchoStar nas faixas AWS-4, H-block e AWS-3. Na teleconferência de resultados do terceiro trimestre de 2026, a SpaceX afirmou que a autorização da FCC e o espectro adicional abrem caminho para que a Starlink Mobile se torne uma “grande operadora de telefonia móvel nos Estados Unidos”.

Expansão será gradual

Embora as ambições da Starlink no mercado móvel estejam crescendo, a execução deverá ocorrer gradualmente, e a empresa continua dependendo de parcerias com operadoras tradicionais.

A transação com a Grain ainda precisa da aprovação da FCC. Os satélites móveis de segunda geração, chamados V2, devem começar a ser lançados pelo foguete Starship a partir de 2027. Já uma eventual camada terrestre dependerá da obtenção de acesso aos locais de infraestrutura, e os serviços que utilizarem o novo espectro têm lançamento previsto para o início de 2028.

Ao mesmo tempo, a empresa continua defendendo a ampliação de suas parcerias comerciais com operadoras de telecomunicações. Esse modelo já alcança mais de 22 milhões de usuários no mundo e permite à Starlink aproveitar o espectro, o relacionamento com clientes e as redes de distribuição das operadoras.

Em 26 de outubro, a Vivo anunciou o lançamento comercial do Vivo Satélite, em parceria com a Starlink, tornando-se a primeira operadora a oferecer no Brasil serviços de conexão direta entre satélites e celulares utilizando espectro próprio, dentro do ambiente regulatório experimental da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Operadoras mantêm vantagens competitivas

A conectividade via satélite está se tornando mais uma camada das redes móveis, mas as operadoras tradicionais mantêm vantagens competitivas importantes e dispõem de alternativas além da Starlink.

Nas últimas semanas, três movimentos se destacaram. Nos Estados Unidos, AT&T, T-Mobile e Verizon formaram uma joint venture para compartilhar parte de seu espectro, preencher lacunas de cobertura por meio de satélites e dar suporte a vários provedores, mantendo suas parcerias atuais.

Na Europa, Deutsche Telekom, Orange, Telefónica e Vodafone concordaram em estudar uma proposta conjunta para a faixa de satélite de 2 GHz da União Europeia, cujas licenças atuais vencem em 2027.

No Brasil, Brisanet, Unifique e iez! firmaram parceria com a AST SpaceMobile para oferecer serviços de voz e dados utilizando suas frequências de 700 MHz, embora os termos definitivos ainda estejam em negociação.

A concorrência entre provedores de conectividade via satélite também está se intensificando. A Amazon concordou em adquirir a Globalstar e pretende adicionar recursos de conexão direta entre satélites e celulares ao Amazon Leo a partir de 2028.

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