Rublo digital completou 1 mês de lançamento em outubro; projeto permite pagamentos com o celular
Em outubro, a Rússia completa 1 mês do lançamento do rublo digital, a moeda digital emitida pelo Banco Central do país. O projeto está englobado no conceito de autonomia digital, entendido como a capacidade de um país de controlar suas próprias infraestruturas tecnológicas.
Os pagamentos digitais já dominam o mercado no país euro-asiático. Segundo o Banco Central russo, 88% dos pagamentos no comércio e serviços foram feitos sem dinheiro em espécie em 2025. Os outros 12% foram realizados em dinheiro físico.
A conta em rublos digitais é aberta na própria instituição, que é estatal, e não em um banco comercial específico. O acesso pode ser feito pelo aplicativo móvel de qualquer instituição financeira conectada à plataforma.
O projeto russo tem pontos de comparação com o Pix brasileiro, mas apresenta diferenças estruturais relevantes em relação ao sistema nacional. O rublo, mesmo que digital, é forma de moeda, enquanto o Pix é um serviço oferecido pelo Banco Central do Brasil.
RUBLO X PIX
Nos 2 sistemas, para realizar um pagamento, o consumidor precisa ler um código QR pelo aplicativo do seu banco, selecionar a forma de pagamento e confirmar a operação.
No caso da Rússia, todos os bancos do país devem começar a operar a nova moeda. Para os bancos brasileiros, oferecer o serviço de Pix é obrigatório apenas para instituições com mais de 500 mil contas ativas.
Os varejos também têm obrigação de aceitá-la em grandes negócios, definidos como aqueles com receita anual superior a 120 milhões de rublos. No caso do Brasil, aceitar o pagamento por Pix é opcional, mas 96% dos pequenos comércios aceitam o pagamento, segundo o Sebrae.
Durante participação no Global Digital Forum, em Moscou, o ex-ministro do Desenvolvimento Econômico russo Maxim Oreshkin mencionou o Pix brasileiro e o banco Nubank como exemplos de soluções digitais em plataformas de serviços usadas no cotidiano.
“Se você não tem sua própria solução de plataforma –desenvolvida de forma independente ou em parceria com um 3º país disposto a compartilhar tais soluções soberanas– e se seus dados não estão armazenados localmente, todas essas informações ficarão acessíveis a um 3º país, que poderá utilizá-las para seus próprios fins”, afirmou.
A profissional viajou a convite da Embaixada da Rússia no Brasil.
