
O primeiro confronto direto entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na campanha presidencial de 2026 deve atrair atenção especial dos eleitores, mas isso não significa que o encontro vá provocar mudanças nas intenções de voto.
A avaliação é do cientista político Bruno Soller, sócio da Real Time Big Data, em entrevista ao Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, nesta sexta-feira (16).
“São raros os debates que conseguem mexer de fato na opinião pública”, afirmou Soller, ao analisar o encontro marcado para domingo (18), às 20h, na Band. Os dois candidatos confirmaram presença.
Para o cientista político, a expectativa em torno do debate está relacionada à ausência de confrontos diretos entre Lula e Flávio durante o primeiro turno. O encontro será a primeira oportunidade de acompanhar os dois candidatos discutindo propostas e respondendo um ao outro fora dos ambientes controlados pelas campanhas.
Jornais estrangeiros destacam empate técnico entre Flávio e Lula no final da campanha
O segundo turno da eleição presidencial está marcado para 25 de outubro
CNT/MDA: Flávio oscila para 46% e Lula empata tecnicamente com 45% no segundo turno
Considerando apenas os votos válidos, Flávio lidera a disputa com 50,5% dos votos, contra 49,5% do petista
Soller acredita que o confronto pode ser marcado por acusações e referências a investigações envolvendo pessoas próximas aos candidatos. Nesse cenário, considera possível que o debate termine sem alterações relevantes na percepção do eleitorado.
“Eu acho que vai ser um debate de muitas acusações, muitos enfrentamentos diretos, um acusando o outro de alguma coisa”, disse.
O peso de um erro
Apesar de considerar incomuns as mudanças eleitorais provocadas por debates, Soller ressalta que episódios inesperados podem ganhar repercussão e influenciar a disputa.
O analista citou confrontos de eleições anteriores em que o desempenho de candidatos chamou atenção pela mudança de postura ou por dificuldades diante das câmeras.
“Uma performance muito extraordinária para o bem ou muito deficitária num debate pode mexer nos cenários”, afirmou.
Na avaliação de Soller, o preparo das campanhas tende a reduzir a possibilidade de situações desse tipo, mas não elimina a imprevisibilidade de um confronto ao vivo.
“Estamos falando de seres humanos, não estamos falando de robôs, e seres humanos podem estar num dia ruim, podem estar num dia mais nervosos”, disse.
O debate acontece em meio a uma disputa apertada. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (15) mostrou Flávio com 51% dos votos válidos e Lula com 49%, resultado que configura empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Nessa reta final das eleições, o Mapa de Risco contará com edições especiais, ao vivo, de segunda a sexta-feira, às 18h, pelo canal do Youtube do InfoMoney.
The post Por que debate entre Lula e Flávio pode atrair audiência, mas não deve mudar eleição appeared first on InfoMoney.
