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Um estudo clínico de fase 3 mostrou que a retatrutida, medicamento experimental da Eli Lilly, levou a uma perda média de até 18,8% do peso corporal em adultos com obesidade ou sobrepeso e diabetes tipo 2.

O tratamento também reduziu a hemoglobina glicada e melhorou indicadores relacionados à saúde cardiometabólica após 80 semanas.

Os resultados fazem parte do TRIUMPH-2, que acompanhou 1.152 participantes em 92 centros de pesquisa de oito países, incluindo o Brasil.

Perda de peso aumentou conforme a dose

Os participantes foram divididos em quatro grupos: placebo, retatrutida de 4 mg, 9 mg ou 12 mg, aplicada uma vez por semana.

Após 80 semanas, a redução média do peso foi de:

  • Placebo: 5,1%;
  • Retatrutida 4 mg: 11,9%;
  • Retatrutida 9 mg: 16,8%;
  • Retatrutida 12 mg: 18,8%.

Entre os participantes com IMC de pelo menos 35 kg/m², a redução chegou a 21,9% na dose de 12 mg. Nessa mesma faixa de tratamento, 47% dos participantes perderam 20% ou mais do peso corporal.

Controle da glicose também melhorou

A hemoglobina glicada, utilizada para acompanhar os níveis médios de glicose no sangue, caiu até 1,50 ponto porcentual entre os participantes que receberam retatrutida.

No grupo placebo, a redução foi de 0,45 ponto.

Mais de 70% dos pacientes tratados com o medicamento atingiram hemoglobina glicada de até 6,5%. Na dose de 12mg, cerca de 35% chegaram a níveis inferiores a 5,7%.

O estudo também registrou redução da circunferência abdominal, da pressão arterial sistólica, dos triglicerídeos, do colesterol não-HDL e da proteína C-reativa, um marcador de inflamação.

Medicamento combina três mecanismos

A retatrutida é um chamado triagonista, porque atua sobre os receptores de três hormônios: GLP-1, GIP e glucagon.

A substância foi administrada por injeção subcutânea semanal, com aumento gradual da dose a cada quatro semanas. Os participantes também receberam orientação sobre alimentação e atividade física.

Náusea e diarreia estão entre efeitos adversos

Os eventos adversos mais frequentes foram gastrointestinais. A diarreia ocorreu em 27% a 34% dos participantes, enquanto a náusea foi registrada de 14% a 28%. Vômitos ocorreram em 6% a 16% e a prisão de ventre em 14% a 17%.

Segundo os resultados, a maioria desses episódios foi leve ou moderada e ocorreu principalmente durante o aumento da dose.

Também foram relatadas alterações de sensibilidade na pele, como formigamento, em 4% a 7% dos participantes que receberam retatrutida, contra 1% no grupo placebo.

Não foram registrados casos de hipoglicemia grave. A interrupção do tratamento por efeitos adversos ocorreu em 4% a 12% dos participantes.

A retatrutida permanece em fase de pesquisa clínica. Portanto, os resultados do TRIUMPH-2 ainda não significam que o medicamento esteja disponível para tratamento de obesidade ou diabetes tipo 2.

 *Sob supervisão de Carolina Figueiredo