A federação formada por PSol e Rede emitiu nota nesta terça-feira (6/10) para contestar a avaliação de que não cumpriu a cláusula de barreira pelo fato de não ter atingido 1,5% dos votos válidos para deputado federal em nove estados, um dos dois caminhos para o atingimento do objetivo.
Como revelou a coluna, o partido superou o mínimo em oito estados e ficou abaixo do sarrafo porque teve 1,49% no Espírito Santo. Na prática, ficaram faltando 185 votos para a cláusula ser superada.
“Contestamos as interpretações de que não alcançamos o limite mínimo para superação da cláusula de barreira. Vamos lutar para provar na Justiça que algumas dezenas de votos não são justificáveis para retirar os direitos de funcionamento de dois dos principais partidos da política brasileira“, defendeu a federação, em nota.
“O PSol, a Rede e a nossa federação são necessários para a democracia, para a luta por justiça social e ambiental e para o enfrentamento à extrema direita. Vamos defender esse patrimônio e lutar por todos os meios políticos e jurídicos para mantê-lo”, afirmaram os partidos, sem detalhar os argumentos jurídicos que serão apresentados.
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do Metrópoles
A federação exaltou o resultado conquistado por ela neste domingo, incluindo a eleição de Luizianne Lins (Rede) como senadora pelo Ceará, e pediu que as lideranças se concentrem agora na vitória na corrida presidencial.
“No primeiro turno, o Psol e a Rede Sustentabilidade deram sua contribuição para ampliar e renovar as bancadas de esquerda na Câmara dos Deputados e nas assembleias legislativas. Elegemos uma senadora no estado do Ceará e alcançamos 5% dos votos nacionais para deputado federal, o dobro exigido pela famigerada lei da ‘cláusula de barreira’, e agora convocamos nossas lideranças a dedicarem esforço máximo pela vitória de Lula”, afirmaram os partidos.
Criticada nas redes sociais por ter liderado a rejeição de uma proposta de federação com o PT antes das eleições deste ano, a deputada federal Sâmia Bonfim (PSol-SP) foi às redes sociais nesta terça-feira para culpar uma suposta “fraude eleitoral” pelo insucesso da federação no Espírito Santo.
“No Espírito Santo, uma fraude na chapa eleitoral (com as chamadas candidatas laranjas) distorceu o resultado eleitoral. Vamos acionar a Justiça para derrubar essa fraude armada contra as mulheres e contra o PSol. Temos um papel importante na luta para derrotar a extrema direita e estamos prontos para arregaçar as mangas”, ela escreveu, sem dar detalhes desse suposta.
Como a coluna mostrou já no domingo, um dos caminhos para a federação do PSol é uma recontagem de votos no Espírito Santo com a impugnação de candidaturas de outros partidos – os votos totais diminuiriam e a proporção de votos na federação cresceria.
Mas não existem indícios claros de ter havido fraude à cota de gênero em outros partidos no estado. Normalmente isso é atestado por baixas votações de candidatas mulheres, mas no Espírito Santo todas as candidatas receberam mais de 100 votos e os últimos do ranking são todos homens.
