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A biotecnologia brasileira começa a abrir novas possibilidades para o desenvolvimento de ingredientes de pet food, utilizando microrganismos como fontes de proteínas e moléculas de interesse nutricional. Entre as startups que desenvolvem este tipo de tecnologia está a HipoMush, em Pato Branco (PR).

A empresa utiliza a fermentação para desenvolver esses ingredientes. De forma simplificada, microrganismos são cultivados em condições controladas para produzir ou modificar componentes que podem ser aproveitados na alimentação animal. Temperatura, tempo e composição do processo influenciam o resultado final. Com linhas voltadas às aplicações relacionadas à dermatite atópica, longevidade e qualidade de vida, a proposta combina processos de fermentação com ferramentas para caracterizar os componentes obtidos.

Pesquisa busca novas opções para pet food

A HipoMush analisa principalmente proteínas, peptídeos e beta-glucanas, entre outros compostos. A proposta é entender não apenas a quantidade de proteína presente em um ingrediente, mas também quais são os componentes e como eles podem se comportar após o processo de fermentação.

Uma das linhas de pesquisa envolve a dermatite atópica em cães. Outra está relacionada à longevidade e ao envelhecimento saudável, com foco no conceito de healthspan, que considera o período da vida em que o animal mantém boas condições físicas e funcionais.

A pesquisa ainda está em fase experimental. Os resultados obtidos até agora não permitem afirmar que os ingredientes tenham efeitos clínicos contra dermatite ou envelhecimento em cães e gatos. A empresa prevê novas etapas de testes, incluindo estudos de digestão, modelos celulares, pesquisas com animais e, posteriormente, validações clínicas.


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Desafio é transformar pesquisa em ingrediente comercial

Para chegar ao mercado, um ingrediente desenvolvido em laboratório precisa passar por diversas etapas. Entre elas estão segurança, estabilidade, processamento, armazenamento, palatabilidade, padronização e viabilidade econômica.

A HipoMush está inserida no GBioPark, em Pato Branco, ambiente que aproxima a empresa de universidades, laboratórios e centros de pesquisa. Para a startup, essa estrutura pode facilitar o desenvolvimento e a futura produção de ingredientes de maior valor agregado no Brasil.

O movimento também mostra uma frente de inovação para a indústria de pet food, que passa a contar com ferramentas para pesquisar ingredientes considerando não apenas sua composição nutricional, mas também digestibilidade, características específicas e possíveis funções biológicas.