
A Prefeitura de Goiânia iniciou nesta quarta-feira (4/11) o processo de substituição da gameleira da Rua José Hermano, no Setor Campinas. A Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) autorizou a substituição porque as raízes obstruem totalmente a calçada, avançam sobre a pista e causaram danos à parede, ao telhado e à garagem de um imóvel vizinho.
A Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) destinou cerca de 100 funcionários para a operação: 60 da Gerência de Poda e Extirpação e 40 da equipe de remoção, varrição e outros. O trabalho vai das 7h às 22h, todos os dias, inclusive nos finais de semana, com prazo estimado em dez dias, a depender do clima.

Em entrevista coletiva no local, a agente ambiental da Amma Wanessa de Castro explica que a gameleira não é uma espécie adequada para calçadas, pois além do sistema radicular tubular, possuem raízes aéreas que precisam se fixar no solo. “Aqui, podemos ver que as raízes foram podadas, o que compromete a fixação e desenvolvimento da árvore. Verificamos o comprometimento da acessibilidade e a interferência nas estruturas adjacentes, então a Amma optou pela substituição, que é o que está previsto em lei.”
A agente ambiental afirma que o Ministério Público de Goiás acompanha o caso em procedimento extrajudicial da 8ª Promotoria de Justiça. Em setembro, a Promotoria pediu uma perícia à sua unidade técnica para avaliar se havia alternativa ao corte. O laudo concluiu que a poda e a adaptação da calçada não resolvem o problema e recomendou a supressão, com plantio de espécie adequada.
A Amma autorizou o corte em 2024 e ratificou a autorização em agosto de 2026, após nova vistoria. A Lei Complementar nº 374/2024, que institui o Plano Diretor de Arborização Urbana de Goiânia, permite o corte quando a árvore obstrui totalmente o passeio público ou causa danos estruturais às edificações vizinhas.
O diretor de Serviços e Negócios Comurg, José Antônio Nunes, explica como funcionará a supressão. Um guindaste de grande porte, contratado para a operação, irá sustentar e baixar cada parte cortada da árvore. “Estamos na etapa preliminar da atividade, na qual fazemos uma poda de limpeza, que é uma preparação para podermos entrar com os grandes equipamentos. Após isso, os guindastes podem acessar o tronco e iniciamos os cortes nos galhos maiores. Por fim, no troncos e raízes aéreas”, diz José Antônio Nunes.
Se as equipes encontrarem ninhos de aves, colmeias de abelhas nativas ou outros animais, o serviço para na hora, e a Gerência de Proteção e Manejo de Fauna da Amma orienta as providências. A Defesa Civil já orientou os moradores e acompanha a execução. A Equatorial acompanha a rede elétrica, e não haverá desligamento de energia.
Como compensação ambiental, o proprietário do imóvel será responsável plantar no local uma escumilha-africana e mantê-la por, no mínimo, 12 meses, conforme a Lei Complementar nº 374/2024. A Amma fará a doação da espécie substituta logo depois da remoção das raízes.
Trânsito e ônibus



A Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET) iniciou na noite da terça-feira (3/11) as interdições no entorno do cruzamento das ruas José Hermano e Santa Bárbara, no Setor Campinas. A SET implantou sinalização temporária e bloqueou totalmente os acessos imediatos ao cruzamento. Na Rua Santa Bárbara, os bloqueios próximos às ruas do Mercado e Formosa permitirão o acesso local. A mesma medida será adotada na Rua José Hermano, próximo à Rua do Acre. Agentes de trânsito atuarão em pontos para controlar a circulação e orientar os motoristas.
Com as interdições, a Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) definiu desvios para 4 linhas de ônibus. As linhas 168, 174 e 315, que chegam pela Rua José Hermano, seguirão pelas ruas do Acre, Formosa e 8, com retorno à Rua José Hermano após o trecho interditado. Os ônibus da linha 176, que chegam pela Rua B, passarão pelas ruas 1, 8 e Desembargador Vicente Miguel e retomarão o itinerário pela Rua do Mercado.
Destino da madeira
A gameleira tem madeira leve e porosa, que não serve à serraria e à marcenaria da Comurg, pois bancos, pergolados e o mobiliário das praças exigem madeiras mais densas. Os galhos finos serão triturados e seguirão para compostagem. O tronco e as peças mais grossas irão a leilão de madeiras.
