Pax usa IA para ajudar polícia a resolver crimes e reduzir violência
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Em um país onde 9 a cada 10 crimes não são solucionados, uma startup brasileira aposta na tecnologia para mudar esse cenário. A Pax, plataforma de investigação policial com inteligência artificial, já apresenta resultados concretos: ajudou a reduzir crimes violentos em 27% em apenas seis meses e vem ampliando sua atuação em diversas cidades do Brasil.

A primeira implementação em larga escala ocorreu em Luziânia, em Goiás. Na época, a empresa ainda operava sob o nome Paladium, razão social utilizada durante a fase de validação da tecnologia antes do lançamento público da marca Pax.

No município, a plataforma auxiliou as forças de segurança a dobrar a efetividade policial e aumentar em 59% a sensação de segurança da população. Ao longo do último ano, contribuiu para a elucidação de mais de 2 mil casos criminais em mais de 30 cidades brasileiras.

A tecnologia da Pax foi desenvolvida desde o início com foco em inteligência artificial, diferentemente de sistemas mais antigos que apenas adaptaram essa tecnologia. A plataforma conecta e organiza dados criminais provenientes de diferentes fontes, como câmeras de monitoramento, boletins de ocorrência, registros de veículos e informações sobre pessoas e locais.

Esses dados são organizados em uma rede de inteligência em tempo real, capaz de gerar pistas investigativas e alertas automáticos para os policiais. Todo o sistema é rastreável: cada consulta fica registrada e vinculada a um usuário, garantindo transparência e auditabilidade.

Segundo o fundador e CEO da empresa, David Peixoto, o principal desafio das investigações policiais está na organização das informações.

“O gargalo das investigações policiais são os dados. Construímos a Pax para organizar essas informações e torná-las úteis em tempo real. O policial decide. A plataforma multiplica sua eficiência”, afirma.

Captação milionária impulsiona expansão

O desempenho da startup também chamou a atenção de investidores internacionais. A Pax anunciou uma rodada seed de US$ 40 milhões, liderada pelos fundos Greenoaks e Benchmark — uma das maiores captações desse estágio na América Latina e a maior já registrada no Brasil.

Para Andrew Cohen, sócio da Greenoaks, o potencial da plataforma está diretamente ligado à necessidade urgente de soluções tecnológicas na área.

“Por décadas, as polícias da região tiveram acesso limitado à tecnologia. Hoje, vemos resultados concretos: roubos de veículos despencaram onde a Pax atua, e os policiais não conseguem mais imaginar trabalhar sem ela”, destaca.

Cenário da violência reforça necessidade de inovação

A proposta da Pax surge em um contexto preocupante. A violência custa à América Latina cerca de 3,5% do PIB, o equivalente a aproximadamente US$ 241 bilhões em 2025, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento.

No Brasil, o cenário também é crítico:

  • Cerca de 10% da população tem o celular roubado todos os anos (quase dois aparelhos por minuto);
  • O país registra aproximadamente 40 mil homicídios por ano;
  • Menos de 40% desses crimes são solucionados, enquanto a média global é de 63% e, na Europa, chega a 92%.

Para a startup, o problema não é a falta de dados, mas sim a ausência de infraestrutura para conectá-los e transformá-los em informação útil.

Equipe reúne especialistas em IA e tecnologia para segurança pública

A Pax é uma startup brasileira de tecnologia policial e inteligência artificial voltada para a segurança pública. O time da startup reúne engenheiros formados por instituições como Stanford, Harvard e MIT, além de profissionais do ITA e da USP. Muitos deles deixaram carreiras em grandes empresas de tecnologia nos Estados Unidos para trabalhar no projeto no Brasil.

A experiência do fundador também inclui passagens por empresas relevantes do setor educacional, como a Arco — primeira edtech brasileira listada diretamente na Nasdaq — e a Isaac.

Com a nova rodada de investimentos, a expectativa é ampliar a atuação da plataforma em todo o país e, futuramente, em outros mercados da América Latina.

“Por décadas, a violência na América Latina pareceu inevitável. Acreditamos que ela é inaceitável — e tem solução. Estamos apenas começando”, conclui David Peixoto.