LAURA INTRIERI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Para 59% dos eleitores, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federalista), agiu mal ao proibir o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar.
Outros 36% avaliam que o magistrado agiu muito, segundo pesquisa Datafolha realizada nos dias 22 e 23 de julho. Disseram que Moraes não agiu muito nem mal 2%, e 4% não souberam responder.
A pesquisa mostra esteio majoritário dos brasileiros (59%) à permanência de Bolsonaro em regime domiciliar, enquanto 35% são contra que ele fique recluso em morada e outros 6% não souberam responder.
O ex-presidente cumpre uma pena de 27 anos e 3 meses depois ser réprobo pelo STF por tentativa de golpe de Estado, dentre outros crimes.
Em seguida ter ficado recluso a partir de novembro de 2025 na superintendência da Polícia Federalista em Brasília e depois na Papudinha, ele obteve em março deste ano autorização de Moraes para a prisão domiciliar, devido ao seu quadro de saúde, mas sendo proibido de utilizar celular, internet ou redes sociais, nem por meio de terceiros.
Segundo a pesquisa, 62% concordam que Bolsonaro não deveria poder usar redes sociais durante a prisão domiciliar. Para 35%, ele deveria poder acessar as plataformas, e 3% não souberam responder.
O Datafolha entrevistou presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais em 139 municípios nos dias 22 e 23 de julho. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o código BR-01166/2026.
Moraes proibiu neste mês visitas de Flávio ao pai por 90 dias. Ele também suspendeu por 30 dias as visitas dos demais familiares, vetou contatos de natureza política até as eleições e barrou a divulgação de manifestos.
A decisão do ministro do STF foi tomada depois de Flávio ler, em um evento no dia 11, uma epístola escrita pelo ex-presidente e anunciar que o texto seria divulgado nas redes sociais. No documento, Bolsonaro chamou Flávio de seu “porta-voz” e de candidato escolhido para representá-lo.
Moraes considerou que o incidente violou a ordem judicial que impede o ex-presidente de usar redes sociais diretamente ou por intermédio de terceiros. O ministro afirmou que a fala de Flávio antes da leitura mostrava que ambos sabiam que a epístola seria publicada.
Entre os eleitores que declararam ter votado em Lula (PT) no segundo vez das eleições de 2022, 35% dizem que Moraes agiu mal ao proibir Flávio de visitar o pai.
Entre os que afirmaram ter votado em Bolsonaro, 32% avaliam que o ex-presidente não deveria usar redes sociais durante a prisão domiciliar.
As margens de erro são de três pontos percentuais no primeiro grupo e de quatro pontos no segundo.
Diante da decisão de Moraes, advogados, médicos e fisioterapeutas continuaram autorizados a entrar na morada onde Bolsonaro cumpre a pena, em Brasília. Flávio, apesar de estar inscrito no processo porquê legista do pai e ter tido até logo aproximação livre à residência, ficou pessoalmente impedido de visitá-lo.
A resguardo de Bolsonaro recorreu e afirmou que as restrições ultrapassam a suspensão dos direitos políticos e atingem a liberdade de pensamento. Os advogados também disseram que a sentença “visitas com finalidade político-eleitoral”, usada na decisão, é abstrata e não estabelece critérios claros.
Flávio, por sua vez, chamou a medida de “proibido, desproporcional, covarde e cruel” e acusou Moraes de tentar interferir nas eleições.
Na prisão domiciliar, Bolsonaro vive com a mulher, Michelle, a filha e uma enteada, que não estão submetidas às restrições de visitante.
O Datafolha foi às ruas antes de o PL oficializar a candidatura de Flávio em convenção no sábado (25). O evento confirmou a centralidade do ex-presidente na campanha do rebento, apesar da proibição de contato entre os dois.
Uma reprodução de Bolsonaro feita com lucidez sintético apareceu no telão para pedir que os apoiadores recebessem Flávio porquê seu sucessor. O candidato chorou ao falar do pai e afirmou que ele é perseguido e vítima de uma farsa.
O presidente prateado Javier Milei também atacou Moraes durante a convenção e reclamou de não ter recebido autorização para visitar Bolsonaro. Flávio foi oficializado sem que haja definição ainda do candidato a vice.
Na mesma rodada da pesquisa Datafolha, Lula aparece com 48% das intenções de voto em um eventual segundo vez, diante de 43% de Flávio. No primeiro vez, o presidente tem 40%, e o candidato do PL, 32%. O cenário de segundo vez ficou inabalável em relação à pesquisa anterior.
A convenção do PL buscou reanimar os eleitores depois uma sequência de notícias negativas para Flávio, entre elas a crise com Michelle. Em junho, ela disse ter sido desrespeitada pelo enteado depois criticar a federação do PL com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. Flávio negou a denunciação e pediu desculpas. A reconciliação foi anunciada em 23 de julho, quando Michelle afirmou que o perdoava e que trabalharia por sua eleição.
A relação com o eleitorado feminino é uma das preocupações da campanha. Lula tem 50% das intenções de voto entre as mulheres em um eventual segundo vez, diante de 40% de Flávio. Entre os homens, há empate técnico: 46% para o senador e 45% para o presidente.
