Para a maioria das pessoas, um planta é uma instrumento de navegação. Para o Dr. Luiz Ugeda, ele é uma prova jurídica, um instrumento de política pública e um dos pilares da democracia moderna. No interceptação entre o Recta e a Geografia, Ugeda se tornou uma das principais referências brasileiras em Geodireito, uma disciplina que ele não exclusivamente estuda, mas ajuda a fundar na prática.
Hoje sócio da SPLaw Advogados e fundador do portal Geocracia, Luiz Ugeda percorreu uma trajetória marcada pela duplicidade: é doutor em Geografia pela UnB e em Recta pela Universidade de Coimbra. Recentemente, vivenciou essa junção ao coordenar a obra “Recta Ambiental Geográfico”, publicada pela Thoth Editora e que conta com trabalhos coletivos dos associados da UBAA (União Brasileira de Advocacia Ambiental). “Escrevemos esta obra porque acreditamos que o porvir do Recta Ambiental depende da sua capacidade de compreender o território porquê oferecido e o oferecido porquê prova jurídica”, afirmou o jurisperito em suas redes sociais.
Embora possua títulos acadêmicos impressionantes, a visão de mundo de Luiz começou longe dos tribunais e gabinetes, ainda na juventude. Criado na efervescência cultural de Pinheiros e Vila Madalena nos anos 80 e 90, ele encontrou na música sua primeira leitura sátira do Brasil.
De Luiz Gonzaga a Chico Science, Ugeda percebeu que as letras narravam hidrografia, transmigração e desigualdade urbana. “A música descrevia espaço, fluxo e desigualdade (…). Quando Chico Science canta que ‘A cidade não para, a cidade só cresce. O de cima sobe e o de insignificante desce’, há ali uma leitura urbana muito potente. Essa percepção dialoga com o pensamento de Josué de Castro, responsável de ‘Geografia da Inópia’, que mostrou porquê o território estrutura desigualdades. Essa teoria de que o espaço organiza oportunidades, podendo ser lido, mapeado e transformado, entrou cedo no meu imaginário”, relembra.
Essa sensibilidade o levou ao curso de Recta na PUCSP e Geografia na USP simultaneamente. Enquanto o Recta lhe dava a linguagem do poder, a Geografia oferecia o método.

“Luizão, agora desenha a lei”
A curso de Ugeda foi forjada em ambientes de subida pressão. Ele esteve no front do racionamento de robustez em 2001 e na transição regulatória da ANEEL em 2002. Mais tarde, porquê executivo jurídico da Inframérica, viveu o repto de colocar os aeroportos de Brasília e Natal em operação em tempo recorde.
Foi nesse período que a teoria e a prática colidiram de forma definitiva. Entre uma reunião de licença aeroportuária e a redação de sua tese de doutorado, ele frequentava o laboratório de cartografia da UnB. Foi lá que ouviu do seu orientador, o Prof. Rafael Sanzio, a frase que virou seu mantra, “Luizão, agora desenha a lei”.
“Aquela frase sintetizava tudo, significava transformar norma em território, visualizar o Estado porquê forma espacial. Foi ali que a interdisciplinaridade deixou de ser noção e virou método”, conta o jurisperito.
Hoje, na SPLaw Advogados, Ugeda lidera o Lícito & Geography Laboratory, uma estrutura de permitido ops que utiliza dados massivos e perceptibilidade sintético para antecipar riscos regulatórios. Para ele, a IA não é uma tendência passageira, mas uma premência institucional para manusear altos volumes de dados que superam a capacidade humana.
Entretanto, ele também faz um alerta sobre o estágio em que se encontra a maturidade do dedo do Brasil. “O repto não é exclusivamente tecnológico, é estrutural. O Brasil possui volume significativo de dados públicos, mas eles permanecem fragmentados, com baixa interoperabilidade e sem padronização robusta”, pontua. Para Ugeda, sem uma infraestrutura de dados abertos e soberania do dedo (com datacenters em território pátrio), a IA será exclusivamente uma instrumento pontual, e não uma base de governança.
Geocracia e legado
Em 2021, ele fundou o portal Geocracia, focado em transcrever a complicação da geoinformação para o cidadão e o gestor público. O projeto já mostrou sua força ao georreferenciar quase seis bilhões de votos da história recente do Brasil, criando o maior planta eleitoral do país em parceria com o Estado de S. Paulo.
Para o porvir, o jurisperito visualiza um Recta Ambiental onde a retórica cede lugar à evidência auditável em tempo real. “Imagino um Recta Ambiental e Regulatório profundamente orientado por dados territoriais estruturados, interoperáveis e atualizados em tempo quase real”, projeta.
Seja defendendo teses em Portugal ou estruturando complexas linhas de transmissão na Amazônia, Luiz Ugeda segue movido pela mesma inquietação, porquê prometer que a tecnologia fortaleça a democracia sem atropelar as garantias individuais. No término das contas, seu trabalho é prometer que a justiça não seja exclusivamente um texto num papel, mas alguma coisa que faça sentido no soalho onde a vida acontece.
