DENÚNCIA
HC-UFG afirma não ter pedido cirúrgico registrado, apesar de relatório médico mostrar inclusão em lista de espera
Hospital das Clínicas da Universidade Federalista de Goiás (HC-UFG) (Foto: divulgação)
A família de Miguel, de 4 anos, aguarda há murado de 3 anos por uma cirurgia de reconstrução laringotraqueal, considerada principal para que a párvulo possa respirar sem a cânula e reduzir o risco de morte. Segundo os pais, além da vagar pelo procedimento, há dificuldades no transporte e na assistência oferecida pelo poder público.
Morador de Goiânia, o menino convive com estenose subglótica intensidade IV, a forma mais grave da quesito que obstrui quase completamente a passagem de ar, e depende de uma traqueostomia para sobreviver desde os primeiros meses de vida.
HC nega ter pedido de cirurgia
Conforme relatório médico emitido pelo próprio HC-UFG em 1º de abril de 2026, assinado por uma otorrinolaringologista, Miguel apresenta quadro considerado crítico. O documento aponta escassez de luz glótica e subglótica, com “estenose em fundo cego”, e alerta que qualquer obstrução da cânula ou decanulação fortuito pode provocar paragem cardiorrespiratória. No documento, a médica afirma que, naquela data, o paciente foi incluído na lista de espera de cirurgia da unidade, mas que, naquele momento, “o volume de procedimentos encontra-se reduzido por dificuldades de pós-operatório em UTI pediátrica”.
Em nota enviada ao Mais Goiás, porém, o Hospital das Clínicas da Universidade Federalista de Goiás (HC-UFG) informou que, embora Miguel seja escoltado ambulatorialmente na unidade desde janeiro de 2026, não há pedido de cirurgia registrado em nome dele no sistema do hospital.
Fileira de espera em SP
Além do comitiva em Goiás, Miguel também aguarda cirurgia no Instituto de Otorrinolaringologia da Unicamp, em Campinas (SP).
Segundo e-mail guiado à família pela equipe médica da unidade, Miguel ocupa atualmente a 15ª posição na fileira cirúrgica. Ainda conforme a equipe do instituto, a unidade realiza unicamente duas cirurgias desse tipo por mês e não pode modificar a ordem da fileira sem respeitar a prioridade de outros pacientes graves que aguardam há mais tempo.
Transporte
A mãe, Grassônia, afirma que Miguel já sofreu episódios de insuficiência respiratória durante deslocamentos para terapias e consultas médicas. Segundo ela, nas ambulâncias disponibilizadas pelo município não há profissionais de enfermagem para prestar atendimento em emergências relacionadas à traqueostomia.
“Meu fruto já parou dentro da ambulância e fui eu quem precisei fazer tudo”, relata.
Em resposta, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) informou que o Serviço de Atendimento ao Transporte Sanitário (Sats) é realizado por ambulâncias de suporte imprescindível, uma vez que se trata de transporte eletivo e previamente agendado para pacientes sem instabilidade clínica aguda.
Segundo a pasta, ambulâncias de suporte avançado são destinadas exclusivamente a atendimentos de urgência e emergência.
