Presidente do Flamengo calcula que R$ 20 milhões a R$ 21 milhões destinados às modalidades estejam ligados ao setor de apostas
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, estimou nesta 6ª feira (25.set.2026) que cerca de 30% dos recursos destinados aos esportes olímpicos e ao futebol feminino do clube estejam relacionados direta ou indiretamente às casas de apostas.
Em entrevista ao Poder360, realizada pelo editor sênior Paulo Silva Pinto, Bap afirmou que as modalidades representam um custo anual de aproximadamente R$ 70 milhões para o Flamengo. Desse total, calculou-se que R$ 20 milhões a R$ 21 milhões estejam vinculados ao ecossistema das bets.
“Se você imaginar que a gente gasta alguma coisa como R$ 70 milhões entre esportes olímpicos e futebol feminino, eu diria que você deve ter aí uns R$ 20 milhões, R$ 21 milhões, mais ou menos 30%, relacionados a isso”, declarou.
A estimativa foi apresentada ao ser questionado sobre os efeitos da restrição às casas de apostas sobre outras modalidades mantidas pelo Flamengo além do futebol masculino. Os demonstrativos públicos do clube não detalham essas receitas por modalidade de forma suficiente para confirmar o percentual. O contrato com a Betano, porém, estabelece R$ 12 milhões especificamente para projeto de esportes olímpicos.
Bap disse que uma redução das receitas provenientes das bets exigiria ajustes em diferentes áreas do clube. Segundo ele, os efeitos alcançariam o futebol masculino e feminino, os esportes olímpicos, o quadro de funcionários, as despesas e contratos em vigor.
“Vai haver um efeito dominó nisso, sem sombra de dúvida”, afirmou.
IMPACTO DAS BETS
O presidente do Flamengo estima que o clube tenha de R$ 400 milhões a R$ 430 milhões por ano em receitas relacionadas direta ou indiretamente ao setor de apostas. O cálculo considera não só o patrocínio do clube, mas também outras fontes de recursos ligadas às bets.
Em outro trecho da entrevista, Bap explicou que essa exposição inclui placas de publicidade e receitas de patrocínios relacionadas às competições disputadas pelo Flamengo. Segundo ele, a saída das empresas do mercado também aumentaria a oferta de propriedades comerciais disponíveis no futebol e dificultaria a reposição dos recursos.
Bap afirmou que o clube teria de rever sua estrutura caso a perda de receitas se concretizasse, mas não detalhou quais modalidades ou despesas sofreriam cortes nem o tamanho de uma eventual redução de investimentos.
