2 idiomas e paixão por futebol: o caminho de Lucas até trocar a Noruega pelo Brasil
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Você pode até estranhar o “sotaque” de Lucas Pinho Braathen, primeiro medalhista do Brasil em Jogos Olímpicos de Inverno, quando fala em português. Mas não duvide da relação e do afeto do desportista de 25 anos, nascido em Oslo, capital da Noruega, que decidiu simbolizar o país da mãe desde 2024. 

Fruto de um norueguês e de uma brasileira, o desportista que conquistou ontem o ouro na prova do slalom gigante passou a maior segmento da vida em temperaturas baixas na Europa, se desenvolveu uma vez que uma das grandes promessas do esqui alpino da Noruega, potência do esporte, mas, por conta de uma desavença interna com a confederação, mudou o rumo na curso.

Relação com o Brasil desde a puerícia

Mesmo morando com a família paterna, de Bjørn Braathen, na Noruega, a mãe Alessandra Pinho de Castro fez questão de substanciar os laços com o país brasiliano. Desde pequeno ele aprendeu os dois idiomas. Lucas viajava com frequência para o Brasil e teve uma vez que primeiro paixão esportivo o futebol — é torcedor do São Paulo —, mas largou a chuteira pelos esquis aos 9 anos. 

Desde que decidiu tutorar o Brasil, o desportista passou a visitar mais vezes o país e a se aprofundar mais na cultura brasileira. Um dos pilares de Lucas para imergir na cultura tem sido sua namorada, a atriz Isadora Cruz, no ar na romance “Coração Depressa”. Paraibana, a atriz passou a mostrar ao esquiador músicas e comidas típicas da região.

— Eu sou um paulista, né? Logo eu tenho sotaque de São Paulo. Quando eu visito a Isa cá no Rio de Janeiro, eu viro meio carioca. Mas agora que eu conheci João Pessoa, visitando a família dela, estou falando “‘oxe”, “oxente”. Nossa, o meu sotaque está uma bagunça. Eu sou um norueguês, paulista, nordestino, carioca — disse o esquiador em conversa com o ge.

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Mais do que o sotaque misturado, está também o molejo quase claro do desportista, que nutriz dançar e se arrisca a sambar para comemorar os títulos, uma tradição tipicamente brasileira. Os aprendizados na neve norueguesa tiveram um tempero maior com o lema “Vamos dançar”, de Jorge Ben Jor e João Gilberto, que estão entre seus artistas favoritos, os quais lembra com carinho da mãe dançando em morada e leva esse elemento para a sua curso.

A troca da Noruega pelo Brasil

A curso esportiva de Lucas começou cedo, aos 9 anos, na Noruega, quando deu os primeiros passos no esqui. Talento oriundo, logo escalou degraus nas equipes de desenvolvimento até o topo da federação norueguesa, uma das maiores potências da modalidade. 

 A trajetória foi meteórica: aos 20 anos, em outubro de 2020, venceu sua primeira lanço de Despensa do Mundo, no slalom gigante, em Sölden, na Áustria. Dois anos depois, conquistou vitória épica no slalom, na lanço de Wengen, na Suíça. Na temporada 2022/23, em seguida uma primeira Olimpíada tímida, em Pequim-2022, foi vencedor do mundo no slalom, superando o também norueguês Henrik Kristoffersen para permanecer com o mundo de cristal.

 Quando tudo se encaminhava para que Lucas iniciasse o novo calendário defendendo seu título, veio a decisão que supreendeu o cenário da modalidade: decidiu se reformar aos 23 anos, em outubro de 2023.

 Na idade do pregão, a prelo europeia noticiou conflitos de visões na relação com patrocinadores. A federação norueguesa exigia somente o vínculo com marcas do país, e Lucas possuía contratos pessoais relevantes, um deles com uma marca austríaca de energéticos.

Poucos meses depois, em março de 2024, Lucas anunciou a volta ao esporte, mas defendendo a bandeira do Brasil. O desportista afirmou que, para a novidade tempo da curso, buscava uma meio mais individual, com um time próprio, menos focada nos interesses coletivos da equipe norueguesa e com espaço para “mostrar personalidade”. Atualmente, Lucas possui um estafe de dez pessoas, reside na Áustria e tem outro imóvel em Milão, uma das sedes dos Jogos.

 Sob a bandeira brasileira, Lucas já soma dez pódios (um ouro, sete pratas e dois bronzes) de Despensa do Mundo, entre slalom e slalom gigante. O último foi no término de janeiro: prata no slalom gigante, na lanço de Schladming, na Áustria.

 Vencedor de cinco etapas pela Noruega em Copas, ele já havia obtido o primeiro ouro brasiliano na competição, no slalom, na lanço de Levi, na Finlândia, em novembro de 2025. Um ouro já histórico, não mais que o conquistado ontem, na Itália, que o coloca para sempre uma vez que um herói olímpico brasiliano.

 

 

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