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A expansão do varejo pet especializado ganha novos contornos na Europa. Em Portugal, a ZU está acelerando a abertura e aquisição de lojas ao mesmo tempo em que amplia o espaço destinado a serviços, categorias especializadas e experiências para os tutores.

No fim de julho, a rede adquiriu nove espaços comerciais da concorrente PetOutlet, levando sua operação a 84 lojas no país, sendo 24 delas com clínicas veterinárias integradas. O movimento se soma a dez inaugurações orgânicas realizadas ao longo de 2026 e a outras seis previstas até o fim do ano, segundo a GlobalPETS.

A estratégia combina expansão física com uma mudança no papel da loja. De acordo com o CEO Tobias Azevedo, a companhia não está apenas aumentando a quantidade de unidades, mas também investindo em estabelecimentos maiores, com maior profundidade de acessórios e serviços


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Mais do que vender produtos

A transformação aparece de forma concreta nas novas unidades. Em agosto, a ZU inaugurou lojas em Mira e Condeixa-a-Nova, no distrito de Coimbra. Além de alimentação, higiene, produtos veterinários e acessórios, as unidades contam com SPA para banho e tosa, realizados por groomers especializados.

“A proposta é oferecer aos tutores uma experiência que combine alimentação premium e super premium, acessórios, soluções de bem-estar e serviços especializados de grooming”, ressalta o diretor de operações Bruno Loureiro.

A lógica encontra paralelo no mercado brasileiro. Integrante da rede de especialistas do Panorama Pet&Vet, Regina Blessa entende que estratégias como leva e traz, encaixes para emergências e orientação profissional fortalecem o vínculo e elevam a recorrência. “O serviço é o grande gerador de fluxo. O cliente vem pelo serviço e consome outros produtos. É isso que sustenta o movimento da loja”, argumenta.

É justamente essa lógica que ajuda a entender a estratégia da ZU. Ao incorporar clínicas veterinárias, grooming e outras soluções às lojas, a rede cria mais motivos para o tutor visitar o estabelecimento. A compra de ração ou acessórios deixa de ser necessariamente a única razão para uma visita

O desafio do metro quadrado

A expansão da ZU traz ainda uma discussão importante sobre o uso do espaço físico. Pontos de venda maiores permitem ampliar o sortimento e incorporar serviços, mas também aumentam a necessidade de produtividade por metro quadrado.

“A distribuição do espaço não deve seguir tradição ou quantidade de produtos, mas critérios como faturamento, margem, giro, recorrência e vendas adicionais. O melhor pet shop não é necessariamente aquele que oferece mais produtos, mas o que transforma melhor seu espaço em vendas, margem e relacionamento”, observa Regina. A questão ganha relevância diante da estratégia da ZU. Segundo Azevedo, a companhia pretende chegar a pelo menos 125 lojas até 2030, com cerca de 25 novas unidades por ano nos próximos três anos. O executivo afirma ainda que a empresa está explorando estabelecimentos maiores, inclusive em centros comerciais, justamente para ampliar a participação de acessórios e marcas próprias.