Veterinários no Brasil recebem, em média, cerca de quatro salários mínimos por mês, enquanto clínicas veterinárias registram faturamento médio mensal de aproximadamente R$ 75 mil. Os dados fazem parte do levantamento Radar Vet 2025, desenvolvido pela Comissão de Animais de Companhia do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Comac/Sindan) em parceria com a consultoria H2R.
Olhando para médicos veterinários, a média de idade dos profissionais ficou em 35 anos, com cerca de 33 atendimentos clínicos realizados por mês. Para estabelecimentos, o tempo médio de vida do negócio ficou em até 10 anos para a maioria (65%), com sete profissionais da medicina veterinária, em média, trabalhando nos respectivos locais.
Além disso, como já mostramos nesta reportagem, a pesquisa também aponta que a atividade é marcada principalmente pelo trabalho autônomo: 72%, enquanto 14% trabalham com vínculo empregatício no regime CLT e 14% são empresários, como donos de clínicas ou hospitais veterinários.
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A pesquisa utilizou metodologia quantitativa, com entrevistas via telefone e presenciais entre 19 de agosto e 17 de outubro de 2025. Foram 805 pessoas ouvidas, com margem de erro de 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.
Fontes de receita
No campo dos estabelecimentos veterinários, o levantamento também aponta o serviço de atendimento clínico como a principal fonte de faturamento destes negócios, com mais de dois terços dos respondentes (69%). Em segundo lugar, aparece aplicação de vacinas (54%). Cirurgias especializadas (40%) fecham o top 3.
Outros serviços citados foram atendimentos emergenciais (28%), exames de diagnósticos (28%), consultas especializadas (22%), internação (19%), venda de produtos (13%) e banho e tosa (11%). Outros 9% não informaram qual a maior fonte de renda do empreendimento.
Principais fontes de receita de clínicas veterinárias

Gargalos na valorização desses profissionais
Para Sergio Lobato, médico veterinário e consultor de gestão técnica para estabelecimentos clínicos, muitos profissionais ainda se veem apenas como “salvadores da vida animal”, sem reconhecer seu papel amplo na sociedade e nas diversas áreas que envolvem a profissão.
“Há um desconhecimento sobre a nossa função na sociedade, sobre as múltiplas áreas de atuação e sobre o fato de que a veterinária é, sim, uma profissão”, analisa. Ele alerta que essa romantização excessiva da carreira afasta os médicos veterinários da visão empresarial, que deveria ser incorporada já durante a formação acadêmica.
O especialista pontua também que a grande maioria dos profissionais ainda não domina conceitos básicos de contabilidade, gestão de empresas, seguro civil ou aspectos legais de responsabilidade profissional. “O cenário é muito preocupante. A maior parte da classe não tem acesso a essas ferramentas de forma clara e prática”, finaliza.
