MARIANNA HOLANDA
FOLHAPRESS
Aliados na direita disputam a segunda vaga de São Paulo ao Senado em 2026 para fazer dobradinha com o deputado Guilherme Derrite (PP), diante do cenário cada vez mais concreto de que Eduardo Bolsonaro (PL) não deve voltar ao Brasil para concorrer. Hoje há ao menos seis políticos na corrida.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro apostam em nomes do partido para criar a placa.
Enquanto isso, o deputado federalista Ricardo Salles (Novo-SP) avança ao buscar apoios de integrantes do bolsonarismo e, segundo relatos, reaproximou-se recentemente do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo.
Uma vez que mostrou a pilar Pintura, da Folha de S.Paulo, um grupo de políticos aliados de Salles e do bolsonarismo procura reconstruir essa associação. O ex-ministro do Meio Envolvente de Jair Bolsonaro deixou o PL em 2024 para disputar a Prefeitura de São Paulo e se afastou do ex-presidente nos últimos anos.
Esses aliados tentam uma aproximação pragmática: afirmam que Salles tem alinhamento programático e está mais muito posicionado em pesquisas. Mas, para solidificar a associação, ele precisaria do aval da família Bolsonaro, o que ainda não ocorreu.
Já no PL, Valdemar citou à reportagem quatro nomes da {sigla} que poderiam entrar na dobradinha com Derrite: o vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo, o deputado federalista Marco Feliciano, o deputado estadual Tomé Abduch e a deputada federalista Rosana Valle.
Os nomes de Mello Araújo e Feliciano já vinham sendo cotados há alguns meses e, inclusive, foram testados em pesquisas internas. Mas a citação de Abduch, militante do movimento Nas Ruas, e Rosana são novas.
Ela é presidente do PL Mulher em São Paulo, representação estadual da instituição partidária que, nacionalmente, é comandada por Michelle. É citada uma vez que um nome que conta com o aval da ex-primeira-dama.
“Sei que a decisão de um nome indicado para a disputa ao Senado pelo PL será no tempo patente e em consenso entre o ex-presidente da República Jair Bolsonaro, a presidente vernáculo do PL Mulher, a ex-primeira senhora da República Michelle Bolsonaro, e o presidente do partido, Valdemar Costa Neto”, disse a deputada.
Feliciano, que é pastor, também é um provável candidato visto com bons olhos por Michelle. Em entrevista ao Metrópoles em agosto, Eduardo Bolsonaro elogiou o deputado federalista para a vaga.
Abduch disse à reportagem estar à disposição para a empreitada. “Estou muito à disposição para essa vaga. Há mais de dez anos representando a direita, lutando por princípios e valores. Acredito que a decisão [de quem será o candidato] será do grupo político, é importante para o porvir do Brasil, todos vão ver com responsabilidade”, afirmou.
O PL planeja manter a segunda vaga do Senado no partido, se a formato atual das legendas aliadas se mantiver, com Tarcísio disputando a reeleição. Dessa forma, o Republicanos terá o candidato a governador, o PSD, a vice, e o PP, a primeira vaga ao Senado.
Entusiastas da reconciliação com Salles avaliam que talvez ele tenha de se filiar novamente ao PL caso deseje concorrer ao missão na placa –o que não está em discussão no momento.
Outro nome que corre por fora, segundo participantes dessas conversas, é o do ex-governador Rodrigo Garcia. Atualmente sem partido, ele tem procurado bolsonaristas para buscar uma aproximação da família do ex-presidente, em procura de base para concorrer ao Senado.
Ele conta com a simpatia de lideranças do PL e também se aproximou de Tarcísio nos últimos anos, mas enfrenta resistência das alas mais radicais do bolsonarismo, que veem seu nome com suspicácia.
