O mercado pet segue demonstrando resiliência diante dos desafios econômicos, impulsionado por um fator central – o vínculo emocional entre tutores e animais de estimação. Pesquisas recentes realizadas nos Estados Unidos e no Brasil mostram que as despesas com pets estão ultrapassando limites orçamentários e, em muitos casos, superando despesas com a própria saúde dos tutores.
Nos Estados Unidos, levantamento do U.S. News & World Report com 1.500 tutores de cães (68%) e gatos (32%) revelou que 30% gastam mais mensalmente com pets do que com o próprio bem-estar, incluindo academia, consultas médicas e suplementos.
Ainda segundo o levantamento, 72% desembolsam entre US$ 50 e US$ 200 por mês (R$ 257,09 e R$ 1.028,38) com itens básicos, como alimentação, banho e tosa, brinquedos e consultas veterinárias. Entretanto, os principais fatores de pressão financeira são imprevistos e comportamento de cuidado intensivo – 38% se definem como “pais de pet helicóptero”, perfil que busca atendimento veterinário além da rotina.
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Emergências veterinárias representam custos relevantes. Cerca de um terço relatou visitas por ingestão de corpos estranhos e 7,4% em função do consumo de alimentos tóxicos. Além disso, 67% já enfrentaram gastos inesperados entre US$ 500 e US$ 3.000 (R$ 2.570,95 e R$ 15.425,70), enquanto 38% recorreriam ao cartão de crédito para essas situações excepcionais e 15% afirmam não conseguir arcar com uma despesa inesperada de US$ 2.000 (R$ 10.283,80).
O estudo também indica oportunidades de negócios para o setor. Apenas 34% possuem seguro pet, embora 86% dos usuários considerem o investimento válido. Com base nesse indicador, Vanessa Lima, gestora estadual do Sebrae-SP, reforça a relevância da integração de serviços como diferenciais para empresas do mercado pet.
“Pequenos e médios pet shops poderiam exercer um trabalho consultivo estratégico para reter e fidelizar os tutores. Mas, para isso, precisam enriquecer seu rol de atendimento e buscar justamente o apoio de veterinários e tosadores, entre outros prestadores de serviço”, destaca.
Cenário no Brasil: vínculo emocional impulsiona consumo
Os dados referentes ao Brasil confirmam a tendência registrada nos Estados Unidos. Estudo da Opinion Box divulgado em 2025, envolvendo 1 mil donos de animais de estimação, mostra que 82% dos tutores se sentem mais felizes com a presença dos animais. Esse vínculo impacta diretamente o consumo, já que 77% informam gastar o necessário para manter os pets saudáveis.
No primeiro trimestre de 2025, as prioridades de gasto refletiram foco em qualidade de vida. Alimentação lidera (89%), seguida por medicamentos (49%), higiene (48%), vacinas (47%), banho e tosa (46%), brinquedos (43%) e consultas veterinárias (40%).
A humanização também influencia serviços e comportamento social. 45% dos entrevistados já deixaram de frequentar locais que não aceitam pets, especialmente hotéis, restaurantes e até residências de conhecidos.
