Em entrevista ao Hora H, Hussein Kalout, ex-secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, afirmou que Donald Trump demonstra não ter limites ao publicar em uma rede social um vídeo de texto racista relacionado à família Obama. Segundo Kalout, o ato reflete uma disposição deliberada de esgarçar o tecido social americano em todas as suas dimensões.
“Eu acho que o Donald Trump não tem limite em transgredir os limites e ele está disposto a esgarçar o tecido social americano em todas as suas dimensões”, declarou Kalout. O técnico ressaltou a seriedade do ocorrido, mencionando que “nunca pode-se postar um pouco dessa natureza contra uma poder, contra qualquer pessoa” e destacou ser ainda mais grave por se tratar de um ex-chefe de Estado dos Estados Unidos, país com uma história “muito complexa e muito traumática com a questão escravocrata”.
Estratégia de tensionamento social
De convenção com Kalout, a publicação do vídeo racista não foi eventual, mas segmento de uma estratégia calculada. “O Donald Trump fez isso propositalmente. Ele sabe o que está fazendo. Isso faz segmento de uma estratégia de tensionamento do tecido social”, explicou. O ex-secretário observou que retirar o teor sem se desculpar é “literalmente passar um recibo para verificar porquê as bases se movimentam”.
O técnico alertou que o tema racial é “altamente explosivo” nos Estados Unidos e que Trump está cônscio disso. “Nesse tema não se brinca nos Estados Unidos. Esse tema é altamente explosivo nos Estados Unidos. Ele sabe muito muito disso. Isso foi autorizado por ele”, afirmou.
Objetivo de estatuir estado de insurreição
Kalout apresentou uma estudo preocupante sobre as possíveis intenções por trás das ações de Trump. “Na minha avaliação, o objetivo é, ele quer conduzir o país a uma fragmentação que chega a uma insurreição, ao Estado de insurreição, para ele estatuir, para ele usar os poderes presidenciais de um decreto que chama-se decreto de insurreição”, explicou.
Segundo o técnico, com esse decreto, Trump teria “um controle pleno sobre o Estado, prerrogativas supraconstitucionais”, o que poderia ser usado para “tentar evitar uma roteiro nas eleições de meio de procuração”. Kalout comparou essa estratégia com o que Trump teria tentado fazer em Minneapolis durante os protestos raciais, mas não conseguiu.
Impacto nas eleições e política externa
O ex-secretário também comentou sobre porquê as ações de Trump refletem preocupação com sua popularidade e as chances dos republicanos perderem o controle do Congresso Vernáculo em novembro. “Se ele perde a câmara, isso é indumentária da verdade nos dados de hoje, se ele perde o Senado, acabou a galhofa”, afirmou Kalout.
Ele explicou que uma roteiro republicana no Congresso limitaria significativamente o poder de Trump, não somente no projecto interno, mas também em sua política externa. “Ele vai perder a capacidade de implementar uma política externa baseada não só no unilateralismo, mas baseada no hegemonismo predatório”, concluiu Kalout, acrescentando que a política externa de Trump tem sido orientada para beneficiar a ele próprio, à família Trump e ao seu círculo de amigos empresariais, não à região americana.
