Alergia à pimenta
Três anos depois uma reação alérgica grave provocar uma paragem cardíaca e fomentar uma lesão cerebral irreversível, Thaís Medeiros vive uma rotina de cuidados intensivos dentro de morada.
Adriana Medeiros acompanha de perto a vida e os cuidados de Thais Medeiros depois do acidente. (Foto: Maria Clara Barreto/Mais Goiás)
Três anos depois uma reação alérgica grave mudar completamente o rumo de uma família, a morada onde vive a trancista Thaís Medeiros passou a funcionar em outro ritmo, marcado por terapias, medicações, equipamentos e uma rede diária de cuidados.
LEIA MAIS:
O incidente começou de forma inesperada. O cheiro de uma pimenta em guarda desencadeou uma crise alérgica severa que provocou uma paragem cardíaca. A falta de oxigenação no cérebro resultou em uma lesão irreversível e, desde logo, Thaís depende de assistência integral para todas as atividades.
Foram mais de 260 dias de internação hospitalar e três cirurgias até a possibilidade de retorno para morada. Mas a subida não significou o termo do tratamento. Pelo contrário: a residência precisou ser adaptada para receber a estrutura necessária para a perpetuidade dos cuidados.
A rotina inclui sustento privativo, sessões frequentes de fisioterapia e fonoaudiologia, uso contínuo de medicamentos e fraldas. O dispêndio mensal gira em torno de R$ 16 milénio. Um valor supino, que exige reorganização financeira e pedestal regular para prometer que zero falte.
Mesmo diante das limitações impostas pelo quadro galeno, cada resposta de Thaís é vista porquê um progresso. Pequenos movimentos e reações são comemorados pela família, que acompanha de perto cada lanço da restauração.
As filhas, Valentina e Antonella, que antes eram cuidadas pela mãe em uma rotina ativa e enxurro de planos, hoje retribuem com presença e carinho. O vínculo familiar se tornou um dos principais pilares nesse processo.
Para a mãe de Thaís, Adriana Medeiros, a fé tem sido fundamental para enfrentar a novidade verdade e mourejar com um diagnóstico considerado definitivo pelos médicos. “Desde a madrugada que eu acordei, conversei muito com Deus e parece que passa um filme na cabeça da gente. Eu já fui me preparando para o outro dia, porque a gente nunca espera e foi muito dolorido. A vida da gente mudou completamente. Às vezes muitas pessoas pensam: ‘por que a Adriana não para de rezar para a partida?’. Gente, não é porquê a gente quer, é porquê Deus quer. Eu acho que Deus está me confortando todos os dias, me colocando num degrauzinho para que eu me fortaleça, porque a gente sabe que a melhora da Thaís é muito pouca e eu tenho muito o pé no solo. A minha vontade não é a mesma que a Dele… e vamos vivendo.”
Três anos depois, a família segue adaptada a uma rotina intensa e contínua. Entre limitações, desafios financeiros e incertezas, o desvelo permanece porquê prioridade, sustentado pelo afeto, pela presença e pela esperança provável em cada novo dia.
