Ao retirar os racks do teto, adotar as calotas de 15 polegadas e aproximar a carroceria do solo, a Renault não só cortou custos para criar uma versão de entrada. O Kardian Vibe assume, visual e dinamicamente, sua verdadeira identidade: a de um hatchback compacto moderno.
Ao abrir mão da pose de SUV, o modelo ganha em agilidade e propósito e entrega uma experiência ao volante que surpreende pelo conjunto mecânico oferecido abaixo da barreira dos R$ 100 mil.
Dizer que um carro ficou 43 kg mais leve pode parecer um detalhe abstrato na ficha técnica, mas a diferença é perceptível. A redução de massa, aliada à menor área frontal e ao centro de gravidade ligeiramente rebaixado, deixa o Kardian mais arisco nas mudanças de direção do que suas versões automáticas mais altas, mesmo que levemente.
Mecânica do Vibe

Sob o capô, o motor 1.0 TCe (turbo) de três cilindros mantém os 125 cv de potência e os interessantes 220 Nm de torque (o maior da categoria). Na prática, o comportamento do turbo entrega uma dinâmica muito particular. O fôlego máximo do motor se concentra nitidamente na faixa entre 3.000 e 5.000 rpm. Essa patada intermediária muito bem definida dá um comportamento de certo modo caricato e divertido à tocada do pequeno hatch, garantindo ultrapassagens e retomadas sem hesitação, algo raro de se ver nessa faixa de preço e categoria.
O câmbio manual de seis marchas tem engates fáceis e diretos. As três primeiras marchas curtas aproveitam bastante o torque nas saídas de semáforos e subidas. É um conjunto bastante amigável, convidativo e sem muita complexidade, servindo até como uma excelente porta de entrada para motoristas menos experientes ou inseguros com o manual.
Mesmo com essa personalidade mais mecânica e sensorial, obviamente, não se deve esperar o comportamento de um esportivo purista. O Vibe é claramente uma versão de entrada de um compacto urbano 1.0, é partindo dessa perspectiva que ele se torna uma alternativa mais dinâmica.
Interior e construção

Por dentro, o Kardian Vibe reflete a proposta de ser a opção de entrada da linha, optando por materiais simples e rígidos no painel. No entanto, a solidez da montagem, o projeto e o espaço interno deixam clara a diferença de posicionamento em relação a modelos como o, também da francesa, Renault Kwid. O carro passa a firmeza necessária para enfrentar o asfalto castigado, mas ainda em pé de normalidade quanto à expectativa de tratamento da cabine de um modelo de entrada.
Os detalhes em tom azul nos bancos e no painel dão alguma personalidade à cabine, que preserva bons trunfos de ergonomia e espaço:
- Habitabilidade: os 2,6 metros de entre-eixos garantem espaço honesto para quem viaja no banco traseiro.
- Porta-malas: os 410 L de capacidade continuam liderando o segmento.
- Equipamentos: ar-condicionado digital automático, seis airbags e central multimídia de 8 polegadas (menor que a multimídia de 10,1″ das versões mais caras) com espelhamento sem fio mantêm o nível de conforto para o uso diário.
Onde se encaixa o Kardian Vibe?

Com a etiqueta de R$ 99.990, o Kardian Vibe ocupa um espaço isolado no mercado nacional. Ele é atualmente o único automóvel zero km com motorização turbo vendido abaixo dos seis dígitos no Brasil.
Seus concorrentes diretos na faixa de preço (de 95 a 105 mil reais), como versões de entrada do Volkswagen Polo, Hyundai HB20 ou Fiat Argo, entregam motores aspirados ou conjuntos turbo com entrega reduzida de torque e potência, além de câmbios de cinco marchas. Já as opções de SUVs compactos automatizados, como o Fiat Pulse ou o próprio Kardian Evolution CVT, ultrapassam a margem de R$ 110 mil a R$ 115 mil.
