Special Dog: “os investimentos vão se concentrar no super premium”
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De acordo com o estudo Faturamento e População Pet no Mundo – 2026, desenvolvido pela Abempet (Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação), até o final deste ano, o setor de pet food brasileiro deve movimentar R$ 42,9 bilhões, num crescimento de 52,8% se comparado ao faturamento do ano anterior.

Para muitas empresas como a Special Dog Company esse resultado inspira a constante inovação, redescobrindo formas de proporcionar alimentação segura para os animais domésticos e um ambiente sustentável. Recentemente, a empresa apostou seus esforços em produtos à base da proteína advinda da mosca-soldado-negra, mas também investiu em uma fábrica em Minas Gerais, afim de reduzir distâncias e atingir novos mercados.

O Panorama Pet&Vet conversou com a Priscila Manfrim, diretora administrativa da Special Dog Company, que ressaltou o comprometimento com as linhas super premium, a importância dos médicos veterinários e o papel da inovação dentro da companhia.


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A Special Dog anunciou uma fábrica de R$ 300 milhões em Mateus Leme (MG), que deverá entrar em operação no primeiro trimestre de 2027. Qual será o papel estratégico dessa unidade?

Mateus Leme é o maior investimento da nossa história e a primeira fábrica da Special Dog fora de Santa Cruz do Rio Pardo (SP), onde nascemos há 25 anos. Hoje produzimos cerca de 26 mil toneladas por mês, operando próximo do limite da capacidade. A nova unidade começa com aproximadamente 5 mil toneladas mensais, o que aumenta a nossa capacidade em cerca de 20%; e pode chegar a 10 mil toneladas, uma projeção de aproximadamente 40%. Além das rações secas para cães e gatos, ela terá uma linha dedicada a snacks e produtos funcionais. Para chegar ao teto produtivo, vamos depender da expansão para novas regiões, como Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia, e da conquista de novos clientes.

A companhia projeta encerrar 2026 com crescimento superior a 5%, em um mercado que deixou para trás o forte ritmo observado durante a pandemia e hoje apresenta expansão mais moderada. Quais são as principais alavancas capazes de sustentar crescimento acima do mercado nos próximos anos?

Faturamos mais de R$ 2,15 bilhões em 2025 e projetamos crescer acima de 5% em 2026. É uma projeção conservadora, porque o mercado está mais seletivo. Vemos três alavancas para seguir crescendo acima dele. A primeira é a presença geográfica. Hoje chegamos a mais de 40 mil pontos de venda, com uma rede própria de distribuição, e a fábrica de Mateus Leme abre caminho para avançarmos em regiões onde ainda temos espaço. A segunda é o mix. Queremos aumentar a participação das linhas premium especial e super premium, que elevam o tíquete médio sem depender apenas de volume. A terceira é a inovação atrelada à melhoria contínua. Em pouco mais de um ano, inauguramos uma fábrica de biscoitos, lançamos a Bionatural Sensitive com proteína de inseto e ampliamos o portfólio de sachês. Em um mercado mais maduro, cresce quem consegue oferecer motivo para o tutor escolher a marca, e não apenas preço.

A empresa sinalizou a intenção de dobrar o volume vendido da categoria super premium nos próximos anos, mantendo, ao mesmo tempo, a escala das linhas premium. Como equilibrar premiumização e volume sem provocar uma migração excessiva do consumidor para faixas de preço que podem limitar a penetração?

Não temos interesse em perder volume absoluto em nenhuma categoria. A premiumização, para nós, não significa empurrar o tutor para cima, mas oferecer uma escada clara de opções. O premium segue como a base do nosso volume e continua recebendo investimento. O premium especial, com a linha Ultralife, faz a ponte entre as faixas, e acabamos de ampliar a linha com novos sabores para cães e gatos. O super premium, com a Bionatural, é onde está o maior potencial de crescimento, justamente por ser a categoria mais nova do nosso portfólio. Quando cada linha tem uma proposta de valor bem definida, o tutor escolhe a que cabe na rotina e no orçamento dele, e continua dentro da Special Dog.

A Bionatural tornou-se uma das principais apostas da Special Dog nesse movimento de premiumização, incorporando ingredientes naturais. Que espaço a companhia acredita que ainda existe para a categoria super premium crescer no Brasil e quais perfis de consumidores estão puxando essa demanda?

O super premium ainda tem bastante espaço para crescer no Brasil, porque a penetração da categoria é menor do que em mercados mais maduros. A procura vem de um tutor mais informado, que lê o rótulo, que quer entender a origem dos ingredientes e busca alimentos para necessidades específicas, como pets castrados, seniores ou com sensibilidades. A Bionatural, lançada em 2024, nasceu para esse tutor: une ingredientes naturais, benefícios funcionais e compromisso com a sustentabilidade.

A Bionatural Sensitive, que utiliza proteína proveniente da mosca soldado negra, coloca a Special Dog em uma fronteira ainda relativamente nova no mercado brasileiro. O que precisa acontecer para que proteínas alternativas deixem de ser uma inovação de nicho e ganhem escala comercial no país?

A Bionatural Sensitive representa um avanço da Special Dog na aplicação de fontes alternativas de proteína no mercado brasileiro, utilizando proteína proveniente da mosca-soldado-negra (BSF). Essa iniciativa acompanha uma tendência já presente no mercado europeu de pet food e reforça o potencial dos ingredientes à base de insetos como alternativas nutricionais. Para que as proteínas alternativas deixem de ser uma inovação de nicho e ganhem escala comercial no Brasil, é necessário avançar em aspectos como segurança e padronização dos ingredientes, competitividade de custos, capacidade produtiva e aceitação por tutores e profissionais da área veterinária. Entretanto, para que alcancem maior escala comercial, é fundamental comprovar sua qualidade nutricional, digestibilidade, segurança e viabilidade econômica, além de avaliar a aceitação dos animais e dos consumidores.

Além da inovação nutricional, a empresa vem apostando em produtos que aproximam o universo pet do comportamento humano, como os biscoitos Ultralife e a edição licenciada com os Minions. Até que ponto a humanização dos pets está mudando as decisões de P&D, marketing e construção de portfólio da companhia?

A humanização mudou a pergunta que fazemos no início de cada projeto. Hoje questionamos o que os tutores precisam para que nós consigamos trazer conveniência, cuidado, e outros fatores além do nutricional. Na área de P&D, isso se traduz em encontrar um equilíbrio entre crescimento sustentável da cadeia de fornecimento versus ingredientes mais nobres, com foco em trazer benefícios específicos para cada fase da vida. Os biscoitos Ultralife não têm adição de corantes, açúcar ou transgênicos. O produto especial com os Minions segue a mesma lógica, aproximando a marca das famílias de um jeito mais leve. No portfólio, o resultado é um peso cada vez maior de snacks, úmidos e linhas funcionais.

A Special Dog ampliou sua atuação no Norte e Nordeste e estabeleceu uma meta de distribuição de até 1.200 toneladas mensais nessas regiões. Quais são hoje os maiores desafios para ganhar capilaridade nesses mercados?

O Norte e o Nordeste são mercados que acompanhamos com atenção, mas nossa atuação nessas regiões ainda é pontual. Por isso, cada oportunidade de expansão exige uma avaliação cuidadosa. A partir de 2027, a fábrica de Mateus Leme poderá ampliar as possibilidades de atendimento à Bahia e a outros mercados do Nordeste. Nosso crescimento continua concentrado principalmente nas regiões em que já temos uma presença consolidada.

O lançamento de novos sachês e a ampliação das opções de alimentos úmidos indicam uma aposta em diferentes ocasiões de consumo e no chamado mix feeding. Como a Special Dog avalia o potencial de crescimento dos alimentos úmidos no Brasil e qual papel essa categoria deve desempenhar no faturamento da companhia?

Os úmidos ainda têm baixa penetração no Brasil quando comparados aos alimentos secos e a países da Europa, por exemplo. É justamente por isso que vemos espaço para crescer. O mix feeding atende o tutor que quer variar a rotina do pet, reforçar a hidratação e aumentar a palatabilidade, especialmente no caso de gatos e pets seniores. Em 2023, lançamos 12 novos sachês nas linhas premium e premium especial, com opções para cães e gatos e ingredientes como batata-doce, fonte de fibras naturalmente prebióticas. Em menos de 3 anos, esses novos sabores já representam praticamente 1/4 das vendas, refletindo a demanda do consumidor por essa “variação no cardápio”. A categoria tem um papel complementar no portfólio.

A empresa tem aumentado sua presença em congressos veterinários, como CBNA PET e MedVep, levando equipes técnicas, pesquisas e lançamentos diretamente para médicos veterinários. Qual é o papel do canal veterinário na estratégia comercial da Special Dog e como transformar relacionamento técnico em geração de demanda no varejo?

O médico veterinário é uma das principais referências do tutor na escolha do alimento, e quanto mais especializado o produto, maior o peso dessa recomendação. Por isso, o relacionamento técnico com esse profissional é estratégico para nós. Nos congressos, levamos nossas equipes técnicas, apresentamos pesquisas e lançamentos e abrimos espaço para troca de conhecimento. Quando o veterinário conhece a fundo a formulação e os benefícios de um produto, como no caso da Bionatural Sensitive, ele recomenda com mais segurança. Essa recomendação chega ao tutor e se reflete no ponto de venda.

Para os próximos anos, quais categorias e tendências devem concentrar os maiores investimentos da Special Dog?

Chegamos aos 25 anos entre as três maiores empresas de pet food do Brasil, com cerca de 2 mil colaboradores, presença em mais de 40 mil pontos de venda e 4 milhões de pets alimentados todos os dias. Para o próximo ciclo, os investimentos vão se concentrar no super premium e nos alimentos funcionais, puxados pela Bionatural, e em snacks e produtos funcionais, que terão uma linha dedicada em Mateus Leme. Proteínas alternativas e sustentabilidade seguem como base do que desenvolvemos. Queremos ser reconhecidos como a empresa brasileira que une escala, qualidade e inovação na nutrição de cães e gatos, crescendo de forma consistente e sustentável.