Sem comitiva, perda de peso com canetas traz riscos físicos e psicológicos, dizem entidades europeias
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VITOR HUGO BATISTA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

As canetas emagrecedoras mudaram o tratamento da obesidade nos últimos anos. Mas o emagrecimento rápido promovido por esses remédios pode trazer não unicamente riscos nutricionais e musculares, mas também psicológicos se o paciente se preocupar unicamente com a perda de peso e não receber um comitiva adequado.

Essa é a principal mensagem de um consenso publicado na revista científica The Lancet Diabetes & Endocrinology em julho, elaborado por três entidades europeias dedicadas à obesidade e nutrição —EASO (Associação Europeia para o Estudo da Obesidade), EFAD (Federação Europeia dos Nutricionistas) e ECPO (Coalizão Europeia de Pessoas com Obesidade).

Os especialistas revisaram toda a literatura disponível até 2025 e elaboraram recomendações práticas, pela primeira vez, para médicos, nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas que acompanham pacientes em uso dos emagrecedores à base de incretinas —classe que inclui os agonistas do receptor de GLP-1, porquê a semaglutida (Ozempic e Wegovy), e os agonistas duplos de GLP-1 e GIP, porquê a tirzepatida (Mounjaro).

Até recentemente, muita atenção era dada unicamente ao peso perdido. Agora o consenso diz que o importante é escoltar porquê esse peso está sendo perdido.

“O documento veio para ressaltar a preço do tratamento multidisciplinar. Muitas pessoas achavam que bastava usar essas drogas e estava tudo resolvido. Mas não adianta perder peso de qualquer jeito. É importante que essa perda seja com qualidade, para prometer uma boa saúde”, diz o endocrinologista Fabio Moura, diretor da Sbem (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).

Na avaliação do nutrólogo Guilherme Giorelli, professor e coordenador da pós-graduação em Nutrologia do Hospital Israelita Albert Einstein, a publicação responde a uma veras relativamente novidade na prática clínica.

“Nunca tivemos medicamentos tão potentes para tratar obesidade. De uma hora para outra o paciente que começa a tomar medicação passa a permanecer mais saciado e com menos míngua. Isso vai, sem sombra de incerteza, levar ele a manducar menos. E quem come menos, precisa manducar melhor. É necessário muito mais atenção”, diz.

Com a redução do gosto, os pacientes tendem a consumir menos proteínas, vitaminas, minerais e fibras. Uma vez que consequência, segmento do emagrecimento pode levar a perda de volume muscular, aumentar o risco de fome e comprometer a capacidade funcional, principalmente entre idosos.

Durante a tempo de emagrecimento, o documento recomenda a ingestão de pelo menos 60 gramas de proteína por dia, distribuídas ao longo das refeições. Quando a alimento não for suficiente para atingir essa meta, suplementos podem ser considerados, porquê whey e shakes.

Outra recomendação é priorizar provisões ricos em fibras, pelo menos 25 gramas por dia, o que ajuda a reduzir a constipação, um dos efeitos adversos mais relatados.

“Uma ingestão proteica adequada minimiza ou até impede a perda de volume magra. Já uma ingestão adequada de fibras mantém o tripa funcionando melhor”, diz Moura.

Aliás, é recomendado o consumo de 2 a 2,5 litros de chuva diariamente, já que muitos perdem sede junto com gosto, o que pode levar a desidratação.

O consenso também labareda atenção para a possibilidade de deficiências nutricionais. Pessoas com obesidade frequentemente já apresentam carências de vitaminas e minerais antes mesmo de iniciar o tratamento, e a redução importante da ingestão nutrir pode aumentar esse quadro.

Os autores destacam a urgência de monitorar nutrientes porquê ferro, vitamina B12, vitamina D, ácido fólico e zinco em pacientes considerados de maior risco. Em situações nas quais a ingestão calórica permaneça aquém de 1.200 calorias por dia, a suplementação com multivitamínicos pode ser considerada.

Os efeitos adversos, porquê náuseas, vômitos, refluxo, diarreia e prisão de ventre, não podem ser ignorados. Em vez de recomendar a interrupção imediata do tratamento por essa razão, o consenso orienta que esses sintomas sejam manejados por meio de aumento mais lento da ração, ajustes temporários na medicação e adaptações na alimento, sempre que provável.

Saúde mental e relação com a comida

Além dos aspectos nutricionais, o documento dedica um capítulo inteiro à saúde mental. Os autores afirmam que esses medicamentos modificam profundamente a relação das pessoas com a comida e recomendam que profissionais investiguem sintomas de impaciência, depressão, transtornos alimentares e possíveis mudanças na forma porquê os pacientes buscam prazer e recompensa.

Segundo o documento, alguns pacientes descrevem desaparecimento da “míngua emocional”, redução do chamado “sonido nutrir” e menor compulsão. Mas isso pode gerar efeitos inesperados, porquê perda de identidade, dificuldade para mourejar com emoções e sensação de vazio, já que a comida era um mecanismo importante da rotina.

“A comida não é unicamente natividade de força. Ela também ativa circuitos de prazer e está profundamente ligada à vida social e familiar. Quando a pessoa deixa de usar a comida dessa forma, outras questões emocionais podem chegar. Isso não significa que seja um efeito frequente, mas precisamos preparar o paciente para essa possibilidade”, diz Giorelli.

Ele afirma que o objetivo do tratamento deve ser mais extenso do que atingir determinado peso na balança.

“Saúde não é unicamente ter o peso ideal. É bem-estar físico, mental e social. A medicação ajuda muito, mas o paciente precisa entender que ela faz segmento de um processo maior de mudança de hábitos e de construção de uma vida mais equilibrada.”