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RANIER BRAGON, VICTORIA AZEVEDO, CAROLINA LINHARES E RAQUEL LOPES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O conjunto de centro-direita e de direita na Câmara se uniu novamente nesta terça-feira (18) contra a esquerda em um tema que tem se mostrado, por ora, a principal dor de cabeça de Lula na sua tentativa de se reeleger em 2026.

A Câmara aprovou o projeto de Lei Antifacção por 370 votos em prol e 110 contra, num revés ao Palácio do Planalto, que viu seu projeto ser confuso e tentou prorrogar a crítica da material em seguida discordar de mudanças feitas. Partidos com representantes na Esplanada dos Ministérios entregaram 60% dos votos favoráveis, em mais um sinal da fragilidade da base aliada no Congresso.

A ação ocorre em seguida a confederação centrão-bolsonarismo ter sido saída pela reação do governo Lula nas redes e junto à opinião pública com o oração em resguardo da justiça tributária e da soberania vernáculo.

Pesquisa Genial/Quaest divulgada no dia 12 mostrou interrupção da recuperação da popularidade de Lula, números colhidos na esteira da repercussão da operação policial que deixou 121 mortos no Rio de Janeiro.

O tema da segurança pública passou a dominar o debate político e tem sido tratado pelo bolsonarismo e pelo centrão uma vez que uma injeção de ânimo na corrida para derrotar o PT no ano que vem. Já aliados de Lula defendem que o governo retome a discussão da agenda da justiça tributária, além de focar os programas sociais da gestão petista, para evitar maiores desgastes.

Diante da repercussão, o governo federalista e aliados petistas tentam disputar espaço nesse campo, historicamente associado à direita.

O PL Antifacção era considerado prioritário pelo Executivo, além de principal aposta do presidente da República para responder à megaoperação no Rio.

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), afirmou que a votação do projeto gera uma “crise de crédito” do governo Lula com o presidente da Lar, Hugo Motta (Republicanos-PB).

“É simples que tem uma crise cá de crédito, é simples que todo mundo sabe que o presidente [Lula] reclamou muito, é um projeto de autoria do Poder Executivo”, afirmou Lindbergh à prelo em seguida a votação do projeto.

A sessão desta terça da Câmara foi marcada por embates entre governistas e oposicionistas.

“Hoje é o dia da coragem. O pai dessa lei é cada um dos senhores e senhoras que tinham temor, mas que vão poder transpor de mansão mais tranquilos, seguros. Não contem com nascente governo federalista, não contem com nascente presidente, não contem com estes partidos da esquerda porque a esquerda é negacionista na tarifa da segurança pública”, discursou o deputado Zucco (PL-RS), líder da oposição na Câmara.

“O relatório do Derrite e da direita favorece o violação organizado”, afirmou Maria do Rosário (PT-RS).

Além da disputa pela paternidade da proposta entre o governo Lula e o relator, Guilherme Derrite (PP-SP), secretário de Segurança Pública de Tarcísio de Freitas (Republicanos), a votação do projeto renovou o sentimento de suspeição do Palácio do Planalto com Motta.

Na Lar, o vaivém de relatórios apresentados por Derrite fez com que a votação, originalmente prevista na semana passada, fosse adiada, diante de críticas que o texto recebeu de governistas, oposicionistas e até mesmo do centrão.

Com minoria na Lar, aliados de Lula passaram a associar a proposta ao objetivo de enfraquecer a atuação da Polícia Federalista e de blindar investigações feitas pela corporação, numa tentativa de mobilizar a opinião pública contra os textos de Derrite —resgatando estratégia usada na resguardo da agenda de justiça tributária, estimulando o oração “nós contra eles”, com críticas ao Congresso.

Já Motta e lideranças da Câmara criticaram essa postura dos parlamentares da base e classificaram uma vez que narrativas qualquer tentativa de desidratar as competências da PF.

O presidente da Câmara intensificou a participação em programas jornalísticos e escalou aliados para proteger publicamente o texto, numa tentativa de frear desgastes a sua imagem e diluir as críticas que vinha recebendo.

Motta e os parlamentares insistiram em suas falas ao longo do dia que o projeto representava a “mais dura resposta da história da Câmara” no combate ao violação organizado, dando protagonismo ao Legislativo nesse processo, em detrimento do Executivo. O líder do PP, Doutor Luizinho (RJ), coligado de primeira hora de Motta, por exemplo, afirmou que a Câmara e o Congresso estavam dando a maior tributo na história do país nesse tema.

Depois divulgação do sexto relatório de Derrite, enquanto a sessão do plenário já estava acontecendo, o governo defendeu prorrogar a votação do projeto, por considerar que o texto descaracterizou a proposta original enviada pelo Executivo. Mas foi derrotado.

Integrantes do Planalto e parlamentares classificaram o vaivém dos pareceres uma vez que “lambança legislativa” e defenderam a retomada do texto original enviado ao Congresso. A aposta de aliados de Lula é que o Senado poderá rever pontos considerados problemáticos e que foram chancelados pelos deputados.

Eles também criticaram a transporte de Motta nesse processo, desde a designação de Derrite até o que consideraram um pressa na votação e falta de preâmbulo ao diálogo, renovando sentimento de suspeição com o deputado.

Há uma avaliação de que o parlamentar é oscilante, dando sinalizações dúbias. Motta foi eleito presidente da Câmara com espeque do PT ao PL e, desde o prelúdios de sua gestão, tem feito gestos de um lado a outro, tornando-se níveo de críticas. Governistas afirmam, no entanto, que em momentos cruciais neste ano, ele esteve mais desempenado com a oposição do que com o governo.

Depois a votação, Motta fez um oração no qual afirmou que a função do Parlamento “não é carimbar um projeto e passar adiante”, numa indireta ao Executivo. “O compromisso do Parlamento é debater as matérias e entregar a melhor versão provável. Estou seguro que o texto confirmado hoje é a melhor versão para enfrentar o violação organizado”, disse.