O objecto que sempre foi tabu na Argentina finalmente veio à tona – e com um notório constrangimento: o futebol prateado virou uma barbada para o Brasil.
Durante uma mesa-redonda exibida na TV argentina, os jornalistas Mariano Kloss e Léo Gabes reconheceram, em rede vernáculo, que a intervalo entre os dois países no futebol sul-americano já é abissal.
“Porquê podemos ajudar os clubes argentinos? Porquê podemos dar uma mão econômica para termos melhores jogadores?”, perguntou Gabes, num tom quase de desabafo. Ele admitiu que, enquanto o Brasil atrai craques e mantém um campeonato sólido e rentável, a Argentina vive de exportar promessas e disputar um torneio inflado, com 30 clubes e nível técnico em queda livre.
Mariano Kloss tentou relativizar: “O torneio é parelho, mas é difícil competir. O Brasil paga prêmios muito maiores. A AFA teve superávit, mas os clubes recebem migalhas.”
A conferência é vergonhosa: o vencedor prateado recebe 500 milénio dólares, enquanto no Brasil, os prêmios por conquistas nacionais e continentais chegam à vivenda das dezenas de milhões.
O debate deixou evidente o colapso estrutural: uma liga inchada, com clubes de segunda separação subindo em volume, e uma Associação de Futebol Prateado (AFA) que virou símbolo de convergência e desorganização.
A revolta do torcedor: “Tudo é negócio para eles”
As redes sociais reagiram de forma explosiva. No X-Twitter, a discussão entre Kloss e Gabes virou trending topic.
Um usuário resumiu o sentimento universal: “Por mais que peçam, não vão mudar zero. Não se interessam. Tudo é negócio para eles.”
Outro completou: “Tapia chegou à presidência da AFA pedindo um torneio com 18 ou 20 clubes, e agora defende esse formato paradoxal de 30.”
As críticas ao presidente Claudio “Chiqui” Tapia dominaram as postagens. Um internauta ironizou: “Mercado Livre é patrocinador do torneio, mas o numerário nunca chega aos clubes – vai direto pro Barracas Médio, do rebento de Tapia.”
A sensação de decadência é tamanha que até os torcedores reconhecem o domínio brasiliano. Um observação viral lembrou:
“Desde que o Brasil aprovou as SAFs, todos os finalistas da Libertadores são brasileiros: Palmeiras, Flamengo, Atlético, Fluminense, Botafogo… A Argentina virou figurante.”
Estrutura versus nostalgia
Enquanto o Brasil profissionalizou seus clubes, criou o padrão de Sociedades Anônimas do Futebol (SAF) e transformou a Série B numa competição de cima nível, o futebol prateado se afunda em improvisos e sentimentalismo.
Os talentos continuam surgindo, mas partem cedo demais. O que sobra é um campeonato desigual, onde clubes tradicionais penam para sobreviver e as arquibancadas viraram válvulas de escape para a crise.
O contraste é nítido:
de um lado, o Brasil constrói estádios, investe em marketing e contrata jogadores de ponta;
do outro, a Argentina tenta “seduzir” estrangeiros para jogar um torneio que perdeu prestígio até na própria prensa sítio.
O termo da mística
O futebol prateado viveu de raça, de camisa, de mística. Mas hoje, sobram bravatas e faltam resultados.
Enquanto os brasileiros disputam as últimas seis finais da Libertadores entre si, os argentinos discutem se o campeonato deve ter 30 times ou 20.
O ruína não é mais técnico – é estrutural, cultural e econômico.
A mesa-redonda de Kloss e Gabes foi mais do que um debate: foi um ato de rendição.
A Argentina descobriu que, enquanto debatia paixão, o Brasil construiu poder.
E agora, quando o objecto é futebol sul-americano, o veredito é cruel: a Argentina virou uma barbada.
