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RAPHAEL DI CUNTO
FOLHAPRESS

Na contramão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que iniciou o governo em confronto com o Congresso e acabou numa associação com o centrão, o presidente Lula (PT) entra na reta final do procuração com aposta na pressão do eleitorado sobre o Legislativo para subscrever projetos de interesse de sua gestão.

Essa estratégia terá novo exemplo nesta quinta-feira (8), quando Lula comandará uma cerimônia em memória dos três anos dos ataques de bolsonaristas aos três Poderes, em 2023.

Além da solenidade dentro do Palácio do Planalto, militantes deverão permanecer concentrados na superfície externa, em um ato em resguardo da democracia e com o mote “sem anistia para golpistas”.

A expectativa é que Lula desça a rampa ao encontro dos manifestantes no término da tarde. Ele também pode usar a cerimônia porquê palco para o veto ao projeto de lei que reduz as penas dos envolvidos nos ataques do 8 de Janeiro e na trama golpista —texto que, se sancionado, beneficiaria Bolsonaro.

Lula tem atuado para amarrar o suporte de alas do centrão e se reaproximar da cúpula do Senado e da Câmara, em privativo por suporte para a agenda econômica, mas a pressão popular sobre o Congresso passou a ser um dos principais instrumentos para prometer governabilidade às vésperas da eleição e resistir a pautas consideradas negativas.

“O processo de mobilização da sociedade foi o elemento mais definidor que tivemos [em 2025]”, diz o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), para quem a estratégia deve se repetir levante ano.

A agenda do último ano do procuração tem temas espinhosos, porquê a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública, a regulamentação da lucidez sintético e a regulação da concorrência do dedo. Há outros considerados mais simples, porquê a medida provisória que amplia o vale-gás, aposta de Lula para a reeleição.

Nos últimos meses, campanhas lideradas pelo PT classificaram o Congresso porquê “inimigo do povo” e patrono dos ricos.

Esse exposição entrou no meio da estratégia política do Planalto principalmente em seguida a derrubada do decreto que aumentava o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Também foi usada para vencer as resistências contra a taxação sobre rendimentos superiores a R$ 50 milénio, uma indemnização à isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 milénio.

Atos de rua também foram adotados para reunir suporte popular ao governo e ganharam força quando a Câmara aprovou a PEC da Blindagem, que impedia que parlamentares fossem processados criminalmente sem autorização do Congresso. O Senado rejeitou a proposta por unanimidade.

A mobilização da esquerda contra os deputados, em privativo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), levou a um rompimento temporário do paraibano com o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ).

O tom subiu quando Motta escolheu porquê relator do projeto antifacção —aposta de Lula no debate da segurança pública— o deputado Guilherme Derrite (PP-SP), coligado do governador Tarcísio de Freitas.

Lindbergh chegou a declarar, na tribuna, que Motta estava “perdendo as condições” de presidir a Câmara e sugeriu um processo por violação de responsabilidade. Os dois se reuniram antes do recesso parlamentar e se reaproximaram.

A tendência, na avaliação de petistas, é que o presidente da Câmara atue mais desempenado ao governo em 2026, em procura de suporte de Lula para optar seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos), porquê senador pela Paraíba. Mesmo assim, a relação é de suspeição de ambos os lados.

Apesar dos embates, o governo Lula fez acordos para o pagamento de emendas parlamentares com o objetivo de subscrever, na última semana antes do recesso, o aumento de impostos sobre bets e fintechs, considerado crucial para fechar as contas de 2026.

Lula também ensaiou uma recomposição com o União Brasil, {sigla} que havia determinado que seus filiados deixassem o governo em seguida desentendimentos com a gestão petista. O petista substituiu o ministro do Turismo, Celso Sabino, por Gustavo Feliciano, indicado por um grupo de deputados governistas do partido, com a benção de Motta.

A recomposição procura trazer de volta o suporte de secção do União Brasil, {sigla} que aderiu ao governo no início junto com PSD e MDB.

Bolsonaro, por sua vez, iniciou seu procuração rejeitando apoios políticos. Depois derrotas nas pautas de costumes, fechou uma associação com o centrão para optar Arthur Lira (PP-AL) presidente da Câmara, uma espécie de fiador do governo no Congresso.

Embora enfrentasse resistências principalmente no Senado, Bolsonaro conseguiu subscrever um robusto pacote para disputar a reeleição, com o golpe de impostos estaduais sobre gasolina e a conta de luz, aumento do Auxílio Brasil (derivado do Bolsa Família), ampliação do vale-gás e um calote nos precatórios (dívidas judiciais) para aumentar o espaço para gastos.

Contribuiu para isso a constituição do Congresso mais à direita, principalmente entre os deputados. Já Lula lidou com uma base menos alinhada ideologicamente.

Para o pesquisador político Robson Roble, da Universidade de Brasília, Bolsonaro conquistou espaçoso suporte na Câmara ao terceirizar o Orçamento da União para o Congresso. “Ele entregou o governo e a meio das políticas públicas nas mãos do centrão, transportado na pessoa do Ciro Nogueira [presidente do PP] na Mansão Social, no coração do Palácio do Planalto”, diz.

Lula, ressalta Roble, foi eleito com minoria “num Congresso absolutamente viciado nas emendas parlamentares”. “O presidente Lula consegue, no que dá para convergir, subscrever algumas coisas importantes, algumas pautas econômicas, mas com dificuldades. Ele sofreu várias derrotas e elegeu, ao contrário de Bolsonaro, o Supremo Tribunal Federalista porquê uma espécie de coligado”, afirma.