O governo Trump deve permitir que CNN, MS NOW e Politico tenham acesso à Casa Branca enquanto tramita o processo movido pelas organizações de notícias contra a proibição imposta pelo presidente à imprensa, decidiu um juiz federal nesta terça-feira (13).
A decisão do juiz distrital dos Estados Unidos Timothy Kelly abre caminho para que o governo Trump recorra do caso, movido pelas três organizações de notícias que foram alvo do presidente Donald Trump. Uma decisão anterior de Kelly, que barrou a proibição imposta pela Casa Branca, expiraria nesta terça-feira.
A nova ordem de Kelly determina que o governo “não execute, implemente ou faça cumprir a decisão de 18 de setembro de 2026 de revogar as credenciais de imprensa de acesso permanente à Casa Branca (hard pass) concedidas a funcionários da CNN, da MS NOW e do POLITICO”.
Trump defendeu repetidamente a proibição desde que a anunciou, em 18 de setembro. Para justificar a intenção de impedir que os jornalistas tivessem acesso à Casa Branca, ele citou sua percepção de que a cobertura dos veículos era “negativa” ou “tendenciosa”.
No entanto, em documentos apresentados à Justiça, o Departamento de Justiça alegou que a proibição também tinha uma justificativa de segurança nacional. Para isso, citou reportagens dos veículos sobre a guerra no Irã, a construção do salão de festas na Ala Leste da Casa Branca e até a convenção republicana para as eleições de meio de mandato.
As organizações de notícias argumentaram que a proibição não apenas prejudicou sua capacidade de cobrir o presidente, mas também teve um efeito inibidor sobre outros veículos de comunicação.
Durante uma audiência sobre o caso na última quinta-feira (8), Kelly demonstrou ceticismo em relação às justificativas divergentes apresentadas por Trump e pelos advogados do Departamento de Justiça para explicar por que o presidente queria barrar os veículos de comunicação da Casa Branca.
Kelly observou, durante a audiência, que era “incomum” um caso em que “o responsável pela decisão parece ter dito […] estou tomando esta medida por causa de ‘x’ e ‘y’”, enquanto agora o governo afirma que o motivo é “z”.
O advogado do Departamento de Justiça Michael Velchik disse ao juiz que está “dentro da discricionariedade do presidente” retirar jornalistas ou veículos de comunicação da Casa Branca.
Velchik afirmou que a CNN “está ciente disso há anos” e que Trump há muito tempo chama a emissora de “imprensa falsa”.
“Trump não se incomoda com reportagens negativas se ele as merece”, acrescentou Velchik.
Ted Boutrous Jr., advogado dos veículos de comunicação, destacou o caráter subjetivo da proibição e o fato de Trump ter tomado a decisão pessoalmente.
“Sabemos o que ele decidiu. Ele disse isso repetidas vezes”, afirmou Boutrous. “Ele próprio impôs a proibição.”
Boutrous acrescentou que “a única explicação que consigo encontrar” é que o presidente provavelmente “acordou do lado errado da cama” e decidiu impor a proibição.
