Eu estava pronta para mais um desfile entusiasmado de carnaval e, de repente, o Núcleo do Rio virou pista intergaláctica. Grag Queen chegou ao Conjunto da Favorita porquê quem sabe exatamente o tamanho do palco que tem nas mãos. E tem. Megabloco não perdoa distração, e ela não piscou.
No repertório, “Mau Contato”, “Tô Mal” e “Canceriana” surgiram porquê manifesto pop em meio à plebe. A chamada Era Cósmica ganhou corpo, suor e coro coletivo, daquele jeito que só o carnaval de rua do Rio sabe fazer. Zero de performance tímida. Era entrega totalidade, olhando para o público porquê quem diz “vocês vieram, eu vim também”.

O clima ficou ainda mais interessante com a presença de Felipe Poeta, que dividiu a cena e ajudou a costurar o clima eletrônico do projeto novo com o caos delicioso do asfalto carioca. A química funcionou, sem esforço visível, o que sempre é um bom sinal.
A apresentação coincidiu com o lançamento de Cósmica (Remix), projeto que revisita o disco de estreia da artista em versões eletrônicas e parcerias muito escolhidas. O álbum chegou às plataformas na quinta-feira, 5, e o carnaval virou vitrine imediata. Estratégia boa é aquela que não parece estratégia, só parece sarau muito pensada.

Teve também entusiasmo para o público. Grag distribuiu leques perto do trio, dialogando com a estética da Era Cósmica e com o calor real solene do Núcleo do Rio. Ação simples, eficiente e com leitura de rua. Folião patroa um gesto que resolve a vida e ainda rende foto.
Criado em 2013, o Conjunto da Favorita já é instituição carnavalesca e segue porquê um dos grandes símbolos do funk no carnaval de rua, integrando o rodeio Preta Gil de megablocos. Em 2026, o desfile reuniu nomes porquê Hitmaker, Pocah, Puterrier, Maneirinho, Rodrigo da CN e Ramon Sucesso, com aquecimento da DJ Marisa D’Amato. Muita gente, muito som e uma certeza. A Era Cósmica passou pelo Rio e deixou rastro.
