Segundo presidente do BC, “conservadorismo” da poder monetária em 2025 possibilita “gordura” para explorar os efeitos
O presidente do Banco Meão, Gabriel Galípolo, disse nesta 5ª feira (26.mar.2026) que é preciso ter “tempo para entender” os impactos da guerra no Oriente Médio na economia brasileira e explorar os próximos passos da política monetária.
Galípolo afirmou que a obstrução do Estreito de Ormuz não provoca exclusivamente impacto logístico, mas também afeta a capacidade produtiva, cuja recuperação demanda mais tempo.
O bloqueio do estreito de Ormuz —rota marítima de 33 km de largura no Oriente Médio— ocorreu depois do início da guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro.
Galípolo declarou, porém, que o “conservadorismo” na política monetária do Banco Meão em 2025 deixou o Brasil em posição “melhor” do que estaria sem juros mais restritivos. Disse que o país tem uma “gordura” para explorar os desdobramentos e os impactos do conflito.
“Eu acho que a posição em que o Banco Meão está hoje, e em que o Brasil está, tem alguns benefícios decorrentes de ser exportador de petróleo e de ter uma taxa de juros bastante contracionista”, afirmou. Ressaltou, porém, a urgência de atenção aos efeitos de segunda ordem, mormente sobre a resiliência da economia brasileira.
Galípolo disse que o Banco Meão terá cautela ao sinalizar os próximos passos da política monetária. Não se comprometeu com queda ou manutenção dos juros e reforçou a urgência de “tempo para entender”.
Galípolo comentou o Relatório de Política Monetária, divulgado nesta 5ª feira (26.mar.2026). Eis a íntegra (PDF – 3 MB). O Banco Meão manteve em 1,6% a estimativa de propagação do PIB (Resultado Interno Bruto) do Brasil em 2026.
A poder monetária afirmou que a verosimilhança de a inflação permanecer supra do pausa da meta é de 30%. Disse ainda que os conflitos no Oriente Médio ampliaram as incertezas econômicas e que o prolongamento da guerra pode ter impacto “significativo e sempiterno”, com verosímil prostração da atividade e aumento da inflação.
A prévia da inflação medida pelo IPCA-15 (Índice Pátrio de Preços ao Consumidor Vasto-15) passou de 0,84% em fevereiro para 0,44% em março, mas a desaceleração foi menor que a estimada por economistas. A taxa anualizada —acumulada em 12 meses— recuou de 4,10% para 3,90%.
A meta de inflação é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O objetivo será descumprido se o IPCA (Índice Pátrio de Preços ao Consumidor Vasto) permanecer fora do pausa de 1,5% a 4,5%.
O Banco Meão reduziu de 15% para 14,75% ao ano a taxa básica de juros, a Selic, principal instrumento da política monetária. A ata do Copom (Comitê de Política Monetária) indicou que os próximos passos dependerão da duração do conflito no Oriente Médio.
O relatório afirma que a guerra dificulta a transporte da política monetária, por pretexto de efeitos secundários do choque de oferta. A elevação das expectativas de inflação, dos prêmios de risco e a inclinação da curva de juros podem indicar a urgência de “reação preemptiva”, segundo o BC.
