FABIO VICTOR E EDUARDO ANIZELLI
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)
Comoção e revolta dominaram familiares e amigos durante o funeral de mortos pela polícia em operação nos complexos do Teutónico e da Penha.
No final da tarde desta quinta (30), a reportagem acompanhou o velório e segmento do enterro de Cauan Fernandes do Carmo Soares, 22.
Segundo a família, o rapaz trabalhava porquê repositor de produtos em um supermercado e não tinha relação com o tráfico.
Mana de Cauan, a vendedora Grasiele Fernandes do Carmo da Silva contou que a família, que mora no multíplice do Teutónico, soube da morte pela TV.
“Ele estava em vivenda, foi na rua e acabou morto. Eu estava dormindo, acordei com tiros. Depois fomos ver na reportagem, minha mãe reconheceu pelos pés dele no vídeo, acredito que ele já tenha chegado morto”, relatou.
“Destruíram a nossa família. Minha família está destruída.”
A reportagem teve autorização da família para seguir o velório, numa capela, e o enterro de Cauan, no cemitério de Inhaúma, bairro vizinho aos complexos do Teutónico e da Penha.
Posteriormente salva de fogos para marcar a saída do cortejo lúgubre, parentes de outro morto na operação partiram para cima de equipes de reportagem que aguardavam no lugar.
Um rapaz avançou em direção a repórteres fotográficos e cinegrafistas e disse que jogaria no soalho as câmeras de quem fotografasse ou filmasse.
Uma mulher reclamou, aos gritos: “Quer vir fotografar e filmar agora? Agora não adianta. Porque não estavam com a gente filmando e fotografando quando a polícia fez aquilo? Se vocês tivessem lá eles não tinham feito aquele massacre”.
O grupo de jornalistas acompanhou a pé o cortejo lúgubre de Cauan do velório na capela até o cemitério, um trajeto de 200 metros.
Ao chegar lá, em meio a novas queixas de parentes de outros mortos, os familiares de Caun voltaram detrás e pediram para que a prensa não cobrisse o sepultamento -o que foi respeitado.
