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A Libertadores assistiu neste sábado a um capítulo histórico do futebol sul-americano. Flamengo e Palmeiras entraram em campo para resolver quem seria o primeiro clube brasílico tetracampeão do continente — e o Flamengo levou a melhor na sétima final consecutiva entre brasileiros, consolidando uma predominância que reduz a disputa sul-americana a um duelo vernáculo.

A atmosfera da decisão deixava no ar alguma coisa que ficou evidente logo no início: o Palmeiras entrou assustado. Não é excesso. O olhar dos jogadores antes de a globo rolar já transmitia instabilidade, porquê quem reconhece o peso do opoente. E isso se refletiu imediatamente no campo.

O Flamengo tomou as rédeas do jogo desde o sibilo inicial. Mesmo sem fabricar tantas chances claras, o time de Felipe Luiz dominou a posse — que chegou a 70% em determinados momentos — e ocupou o campo ofensivo com naturalidade. O Palmeiras, por sua vez, aceitou seu papel defensivo: duas linhas muito baixas, intermediária congestionada e um projecto simples de recuperação e lançamento longo para Vitor Roque.

O problema: Vitor Roque jogou praticamente sozinho. Flaco Lopes parecia mancar em campo, não conseguiu ser o parceiro necessário no ataque. Faltava profundidade, faltava pedestal, faltava competitividade. O jovem atacante do Palmeiras foi sacrificado em um sistema que não funcionou.

E houve a arbitragem. O lance em que Pulgar chutou o lateral palmeirense sem globo, claramente para expulsão, tornou-se inacreditavelmente despercebido. O avaliador nem buscou o VAR. Uma expulsão ali mudaria totalmente o roteiro de uma final, e isso, inevitavelmente, será tema de protestos da torcida alviverde.

Mesmo com o Palmeiras subjugado, Abel Ferreira voltou para o segundo tempo sem modificar absolutamente zero. E isso escancarou suas limitações no comando técnico da equipe nesta reta final de temporada.

Todo o estádio via que o Palmeiras não fluía. Não propunha. Não reagia. Não pressionava. E, mesmo assim, Abel só mexeu aos 20 minutos — e mexeu mal. Ao retirar Allan, justamente o único atacante que realmente quebrava linhas e criava qualquer desconforto para a resguardo rubro-negra, enfraqueceu ainda mais o setor ofensivo. O Flamengo respirou aliviado.

O gol de um herói improvável

O gol do título veio de Danilo — o lateral-direito respondido, improvisado porquê zagueiro, líder tristonho e varão de crédito de Felipe Luiz.

E foi um gol em estilo Cristiano Ronaldo. A foto do lance deixa isso cristalino: Danilo sobe antes, sobe mais e sobe sozinho. Quando está no auge do movimento, todos os defensores palmeirenses ainda estão com os pés no pavimento. Chegaram atrasados. Danilo, não. Seu tempo de salto foi perfeito, de atacante experiente, não de um protector deslocado de posição.

É exatamente esse tipo de lance que hoje, no futebol mundial, só Cristiano Ronaldo costuma executar com tamanha impulsão e precisão.

Um herói improvável. E definitivo.

O Flamengo foi melhor. Foi mais seguro. Foi mais maduro. Foi mais time. Felipe Luiz, estreante porquê técnico, venceu tudo em 2025 e entregou um futebol que combina intensidade, disciplina e repertório.

Do outro lado, o Palmeiras viveu um termo de temporada de queda abrupta. Em seguida a histórica viradela sobre a LDU na semifinal — revertendo um 3 a 0 — o time desabou. Perdeu o Brasílio, perdeu o ritmo, perdeu crédito e perdeu, supra de tudo, a disputa direta com o Flamengo, que se mostrou muito supra em todos os aspectos.

A diferença ficou clara na final. Ficou clara no desempenho. Ficou clara no espírito.

O tetra é merecido. E, pelo que se viu no Maracanã, a predominância rubro-negra também.