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Pesquisa ajuda a entender uma vez que o transtorno evolui com o passar do tempo e abre caminhos para tratamentos personalizados

Por Maria Fernanda Ziegler

Para entender o impacto da depressão no organização, um dos aspectos mais investigados é a seriedade dos sintomas. Mas um estudo realizado por cientistas da Universidade de São Paulo e da Universidade de Oxford, no Reino Uno, sugere que a duração da doença também é um fator determinante para as mudanças estruturais que ocorrem no cérebro.

Os autores analisaram imagens cerebrais de 46 pacientes com transtorno depressivo maior (TDM), uma quesito grave, caracterizada por tristeza persistente, desesperança e perda de interesse em atividades diárias. Os resultados, publicados em fevereiro na revista Scientific Reports, indicam que a duração da doença está associada a mudanças na forma uma vez que determinadas redes cerebrais se comunicam. Esse descoberto pode ajudar a entender por que a depressão se manifesta de maneiras tão diferentes entre os pacientes e, no horizonte, contribuir para o desenvolvimento de tratamentos personalizados.

“Identificamos que pacientes crônicos [com mais de 24 meses de depressão] e não crônicos apresentam padrões distintos de conexão entre duas redes funcionais importantes do cérebro, que desempenham papéis complementares: a Rede Executiva Médio e a Rede de Modo Padrão”, afirma Tamires Zanão, bolsista de pós-doutorado da Fapesp na Faculdade de Medicina da USP e 1ª autora do estudo.

Responsável pelo chamado “controle executivo”, que envolve funções uma vez que atenção, planejamento e tomada de decisão, a Rede Executiva Médio é mais recrutada durante tarefas que exigem foco no envolvente extrínseco. Já a Rede de Modo Padrão está associada a processos mentais internos, uma vez que autorreflexão, memória autobiográfica e imaginação de situações futuras.

Em condições típicas, o cérebro alterna entre essas duas redes de maneira coordenada, usando uma terceira rede (chamada de rede de saliência) uma vez que um interruptor. Na depressão, porém, esse estabilidade pode ser dissolvido.

“Esse descompasso pode proporcionar a predominância de pensamentos introspectivos, frequentemente com viés negativo. Isso ajuda a explicar por que pessoas com depressão tendem a permanecer presas a pensamentos ruins [ruminação] e podem ter dificuldade em direcionar a atenção para o envolvente quando necessário”, explica Zanão à Escritório Fapesp.

Dinâmica cerebral

Por razão da sua subida dificuldade, a Rede de Modo Padrão é frequentemente dividida em sub-redes. Uma região específica dessa rede de pensamentos internos (o pré-cúneo) funciona uma vez que uma espécie de “ponte” com a rede do controle cognitivo (a Executiva Médio). É justamente nessa dinâmica que o fator “tempo” se revelou decisivo.

Os pesquisadores observaram que, em pessoas com episódios mais recentes de depressão, quanto mais graves eram os sintomas, mais fraca ficava a conexão entre a rede do foco e a da introspecção. Já em pacientes com depressão de longa duração (crônica) foi identificado o oposto: quanto maior a severidade, mais possante se tornava a conectividade entre essas redes –o que pode refletir mudanças progressivas na forma uma vez que elas se comunicam.

Estudos anteriores com indivíduos saudáveis observaram uma reciprocidade positiva entre a Rede Executiva Médio e a porção da Rede de Modo Padrão associada ao pré-cúneo. No estudo, embora não tenha havido verificação direta com indivíduos sem a doença, os pacientes com depressão de curta duração e menos sintomas apresentaram padrões de conectividade muito mais próximos do perfil considerado típico.

“Os resultados reforçam a hipótese de que as alterações na conectividade cerebral associadas à depressão não são estáticas. Estudos anteriores indicam que, em fases mais iniciais da doença, algumas redes podem apresentar redução da conectividade, enquanto casos recorrentes ou mais prolongados tendem a exibir padrões distintos de informação entre regiões cerebrais”, explica Zanão.

Mudanças na tamanho cinzenta

Outra desenlace do estudo é que a seriedade dos sintomas está associada ao volume de tamanho cinzenta (tecido cerebral rico em neurônios) em duas regiões específicas: o córtex cingulado anterior (que funciona uma vez que ponte entre a emoção e o pensamento, atuando na regulação emocional) e o córtex pré-frontal dorsolateral recta (região ligada ao controle da atenção e ao processamento de emoções negativas).

Embora em pessoas saudáveis um volume maior de tamanho cinzenta hábito indicar um melhor funcionamento da região, nas pesquisas sobre depressão esses dados variam muito. Segmento disso se dá porque o uso de antidepressivos pode mudar a estrutura física do cérebro. Porquê o estudo da USP incluiu só pacientes que não estavam tomando medicamentos no momento da estudo, foi provável investigar alterações cerebrais potencialmente relacionadas à depressão sem a interferência do tratamento farmacológico.

A invenção está alinhada com exames de tomografia e estimulação magnética transcraniana, que sugerem que a depressão envolve um desequilíbrio no córtex pré-frontal (a médio de comando do cérebro), gerando menor atividade no lado esquerdo e maior atividade no lado recta.

“Uma das hipóteses propostas para explicar a depressão propõe que o córtex pré-frontal esquerdo está mais relacionado ao processamento de emoções positivas, enquanto o recta estaria mais associado às negativas. O roupa de termos encontrado um aumento de volume justamente no córtex pré-frontal recta é conciliável com essa hipótese. No entanto, a relação entre alterações no córtex pré-frontal e os sintomas depressivos continua sendo objeto de investigação, e ainda não existe consenso sobre sua utilidade uma vez que marcador biológico da doença”, diz a pesquisadora.

Para o horizonte, avaliam os autores, os achados devem facilitar no desenvolvimento de tratamentos mais personalizados. “A escolha do tratamento da depressão ainda envolve um processo de ajuste individualizado ao longo do tempo, já que a resposta varia consideravelmente entre os pacientes. Estudos uma vez que nascente ajudam a continuar, mas precisamos de mais dados antes que essas informações guiem as decisões médicas no consultório”, diz.

Os dados de imagem cerebral dos 46 pacientes com depressão integram um experiência galeno coordenado pelo professor da USP André Brunoni, atualmente na University of Texas Southwestern Medical Center. As análises para nascente estudo foram feitas durante o pós-doutorado de Zanão na Universidade de Oxford, com apoio da Fapesp, que também financiou a investigação por meio dos projetos 12/20911-5, 22/03266-0 e 23/13893-5.

O item Chronicity moderates the impact of severity on médio executive-default mode network functional interactions in depression pode ser lido aqui.


Oriente texto foi publicado originalmente pela Escritório Fapesp, em 29 de junho de 2026. O teor é livre para republicação, citada a manancial, e foi ajustado para o padrão do Poder360.