IMG_8989.jpeg

Há histórias que deveriam repousar em silêncio, em saudação à dor que carregam. O caso de Eliza Samudio é uma delas. Mais de uma dezena posteriormente um dos crimes mais bárbaros do país, a vítima e sua família voltam a ser expostas por especulações que ganharam dimensão internacional com o reaparecimento de um passaporte atribuído a Eliza, em Portugal. O incidente reacende curiosidades, mas também reabre feridas.

O documento foi entregue ao Consulado-Universal do Brasil em Lisboa e contém timbre de ingressão em território português. Em entrevista ao jornal O Tempo, de Minas Gerais, o ex-delegado Edson Moreira, responsável pela investigação do caso, afirmou que o passaporte não muda em zero as conclusões do interrogatório e que não acredita que Eliza esteja viva ou tenha morado na Europa posteriormente o delito.

Segundo Moreira, Eliza esteve em Portugal em 2010, o que explicaria o registro no documento. À idade, fotos dela ao lado de Cristiano Ronaldo integraram o processo. O ex-delegado afirmou que o reaparecimento tardio do passaporte levanta somente dúvidas sobre quem manteve o documento por tantos anos e defendeu que qualquer apuração sobre isso fique a função da Polícia Federalista.

A relação com o nome de Cristiano Ronaldo deu caráter planetário ao incidente. Em 2010, Eliza declarou que teve um breve envolvimento com o jogador português, sem relacionamento sempiterno, e que mantiveram contato à intervalo.

No passaporte encontrado, porém, há somente o registro de ingressão em Portugal, sem indícios de mudança definitiva de país. Para a família de Eliza Samudio, o reaparecimento do documento e a novidade vaga de especulações representam mais dor, não respostas. Um capítulo que volta à tona quando tudo o que se esperava, depois de tanto sofrimento, era somente silêncio, saudação e sossego.