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O avanço da consolidação no varejo pet começa a redesenhar o papel das distribuidoras no Brasil. Com grandes redes ampliando presença regional, fortalecendo poder de negociação e investindo em tecnologia, o setor passa a exigir uma atuação mais técnica, consultiva e orientada por dados das empresas de distribuição.

A avaliação é de Diego Câmara, presidente da Andipet, que vê uma mudança estrutural no modelo de negócios da distribuição pet. Segundo ele, o espaço agora está nos distribuidores capazes de oferecer inteligência comercial, suporte operacional e apoio estratégico ao pequeno varejo.

Distribuição deixa de ser apenas logística

Na visão do executivo, o modelo tradicional baseado apenas em entrega e volume perde força diante da nova dinâmica do mercado.


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“O distribuidor precisa ser parceiro do negócio. Ou seja, ajudar o varejo a vender, comprar, expor e treinar melhor, além de proteger sua margem”, afirma.

Isso inclui:

  • gestão de mix
  • treinamento de equipes
  • crédito responsável
  • análise de categoria
  • orientação comercial
  • inteligência regional

Segundo Câmara, a pergunta deixou de ser apenas “quanto comprar” e passou a envolver eficiência operacional e rentabilidade.

Consolidação acelera pressão competitiva

O movimento acompanha o avanço das grandes redes pet nos últimos anos, marcado por expansão regional, aquisições e ganho de escala.

Com maior acesso a capital, tecnologia e negociação direta com a indústria, os grandes grupos aumentam a pressão sobre distribuidores e varejistas independentes.

Ao mesmo tempo, a padronização operacional das grandes operações abre espaço para atuação mais próxima e personalizada junto ao pequeno varejo.

“Há milhares de pet shops, clínicas veterinárias, agropecuárias e lojas de bairro espalhadas pelo país. Muitos desses estabelecimentos não conseguem ser atendidos com a mesma eficiência pelos grandes grupos”, afirma Câmara.

Distribuidor mantém papel estratégico na cadeia

A expansão das grandes contas também reacendeu discussões sobre vendas diretas da indústria para grandes varejistas.

Embora reconheça o avanço desse modelo, a Andipet avalia que a distribuição segue relevante para garantir cobertura comercial, presença regional e execução no varejo independente.

“O distribuidor não pode ser tratado como custo intermediário. Ele é infraestrutura comercial do setor”, afirma o executivo.

Interior ganha relevância, mas capitais seguem estratégicas

Com maior disputa nas capitais, parte das distribuidoras passou a olhar para cidades do interior como oportunidade de crescimento.

Segundo Câmara, o movimento faz sentido, mas abandonar grandes centros seria um erro estratégico.

“O interior exige capilaridade, logística, relacionamento e conhecimento regional. Mas nas capitais também há milhares de pequenos e médios varejistas que precisam de apoio, agilidade e atendimento consultivo”, afirma.

Margem vira principal desafio da distribuição

A pressão sobre rentabilidade aparece hoje como uma das principais preocupações do setor.

Com grandes redes operando em escala elevada e negociando preços mais agressivos, distribuidoras enfrentam dificuldade crescente para preservar margem.

Segundo a Andipet, isso exige gestão mais técnica e acompanhamento constante de indicadores como:

  • margem de contribuição
  • custo logístico
  • inadimplência
  • devoluções
  • avarias
  • custo de servir cada cliente

“Não dá mais para vender tudo para todos do mesmo jeito”, afirma Câmara.

Tecnologia e dados entram no centro da operação

A digitalização também muda de papel dentro da distribuição pet.

Mais do que venda online, o setor passa a incorporar:

  • BI
  • CRM
  • roteirização
  • automação de pedidos
  • análise de margem
  • gestão de estoque

Para a entidade, a distribuição segue indispensável dentro da cadeia pet, mas o valor entregue passa a depender cada vez mais de inteligência operacional e capacidade consultiva.