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Os episódios recentes envolvendo instituições financeiras porquê Digimais e PicPay levantaram uma incerteza entre investidores: porquê identificar se um banco é seguro antes de investir? 

Embora algumas aplicações contem com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), é importante que o investidor não considere exclusivamente a rentabilidade oferecida pelas instituições, mas também a qualidade financeira dos emissores.

Para Marilia Fontes, apresentadora da Resenha do Moeda e economista, esses casos mostram que bancos que expandem rapidamente suas carteiras de crédito e assumem riscos elevados enfrentam dificuldades financeiras.

“Em alguns casos, o incremento rápido da carteira de crédito veio escoltado de operações que acabaram mascarando a deterioração do balanço das instituições”, afirma.

Ou por outra, existe um padrão recorrente entre bancos que sofreram problemas nos últimos anos, analisa Thiago Godoy, educador financeiro. 

“O incentivo costuma ser o mesmo: incremento muito rápido da carteira de crédito e CDBs oferecendo remunerações muito supra da média do mercado. Esses são sinais que merecem atenção do investidor”, diz.

Em universal, retornos significativamente superiores aos praticados pelos grandes bancos normalmente refletem um nível maior de risco.

“Se um banco de grande porte paga um CDB próximo de 100% do CDI e outro oferece 140%, o investidor precisa entender por que essa diferença existe. Rentabilidade maior normalmente vem acompanhada de um risco maior”, ressalta Godoy.

Além da remuneração, a saúde financeira da instituição também deve ser considerada antes da emprego. 

“O ideal é verificar se o banco mantém resultados consistentes ao longo do tempo, gera lucro mesmo em períodos de crise e apresenta um Índice de Basileia supra do mínimo regulatório. Quando o investidor não consegue fazer essa estudo, pode recorrer a um profissional ou instituição de crédito ou simplesmente evitar instituições mais arriscadas para não tombar na tentação de olhar exclusivamente a rentabilidade”, explica Fontes. 

Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, avalia que os episódios recentes também reforçam a urgência de elevar a supervisão sobre o sistema financeiro, principalmente diante do aumento no número de instituições em operação.

“O FGC é uma importante classe de proteção, mas não possui recursos ilimitados. Por isso, é fundamental que investidores entendam os riscos antes de buscar exclusivamente as maiores rentabilidades”, afirma.

O educador financeiro ainda recomenda que os investidores evitem concentrar todos os recursos em uma única instituição financeira. A diversificação entre bancos de diferentes perfis pode contribuir para reduzir riscos e aumentar a segurança da carteira no longo prazo.

“Zero impede investir em bancos menores, mas faz sentido lastrar a carteira com instituições maiores e mais sólidas”, complementa Thiago.

Resenha do Moeda

Realizado com o base da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem ligeiro, direta e descomplicada sobre temas ligados a ensino financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem transfixar mão da estudo.

A Resenha do Moeda vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no via do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.