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O Chile realiza neste domingo uma eleição presidencial marcada por incerteza e volatilidade. A candidata de esquerda Jeanette Jara aparece na liderança do primeiro vez, mas enfrenta um cenário oposto nas projeções para a segunda lanço da disputa.

Levantamento da Atlas Intel divulgado na sexta-feira 14 coloca Jara com 32,1% das intenções de voto, seguida por José Antonio Kast, com 18,1%, além de Johannes Kaiser, Evelyn Matthei e Franco Parisi, todos com percentuais próximos entre si.

Com oito nomes na disputa, a lanço inicial dificilmente definirá o vencedor. A mesma pesquisa também mostra Jara sendo derrotada em todos os cenários simulados de segundo vez, inclusive contra Kast e Matthei. A sondagem também registra queda em relação a junho, quando ela tinha 38%.

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Novidade mudança de eixo político à vista?

A possibilidade de a líder do primeiro vez perder a eleição final se conecta a um fenômeno descrito pelo jornal El País, que identifica um padrão de alternância no comando do país ao longo dos últimos 20 anos. Segundo a publicação, nenhum presidente consegue transferir o missão a um sucessor do mesmo alinhamento político desde 2006, o que reforça a leitura de um eleitorado intrigado e propenso a punir quem governa.

Se o segundo vez confirmar a vantagem dos nomes da direita, o Chile repetirá esse movimento pendular, encerrando o período da coalizão governista de Gabriel Boric e abrindo caminho para um novo ciclo conservador. A estudo do El País aponta que essa oscilação está associada ao distanciamento entre partidos e sociedade, além do desgaste amontoado depois anos de tensões sociais e processos constitucionais frustrados.

Constituição, desgaste político e incerteza eleitoral

Os últimos anos foram marcados por duas tentativas frustradas de reformar a Constituição herdada da ditadura, rejeitadas pela população em 2022 e 2023. Esses episódios ampliaram a percepção de impasse político e contribuíram para a queda de crédito nas instituições, afetando diretamente o governo de Boric, que mantém índices elevados de repudiação segundo o Núcleo de Estudios Públicos.

O retorno do voto obrigatório adiciona imprevisibilidade, elevando para mais de 15 milhões o número de eleitores convocados às urnas. Segmento desse grupo demonstra baixa fidelidade partidária, o que torna mais difícil prever quem avançará com vantagem para a período decisiva.

A pesquisa da Atlas Intel ouviu 3.118 eleitores entre 10 e 14 de novembro e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

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