A governadora do Região Federalista, Celina Leão (PP), foi empossada nesta segunda-feira (30) pela Câmara Legislativa. A cerimônia ocorreu em seguida a repúdio do agora ex-governador Ibaneis Rocha, no sábado (28).
Pré-candidata à reeleição, Celina terá seis meses até o pleito — e oito até o termo do ano — para gerir o Região Federalista.
Depois a leitura da missiva de repúdio pelo presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz (MDB), o governador Ibaneis Rocha deu início ao seu exposição. Durante sua fala, o ex-governador abordou os feitos de sua gestão.
“A firmeza citada passa pela firmeza política. A última vez [que isso ocorreu] foi o governador Joaquim Roriz passando para a Maria de Lourdes Basílica. Agora, estamos passando para a governadora Celina. Ela terá uma régua subida para manter. Ela é uma das mulheres mais fortes que eu conheço”, elogiou Ibaneis. “Ela esteve comigo desde 2018. A Celina, agora governadora, será reeleita e vai fazer o melhor procuração da história do Região Federalista.”
Ao ser empossada, Celina começou seu exposição político afirmando que Ibaneis nunca teve ciúmes dela. Falou sobre o momento difícil que eles passaram durante o 8 de janeiro, mencionando a pena de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro e do próprio ex-governante. “Michelle, isso pelo que o presidente está passando hoje vai passar”, afirmou, direcionando-se à ex-primeira-dama.
Celina lamentou ainda a exiguidade em sua vida familiar ao longo de seus 30 anos de vida pública. “Peço perdão aos meus filhos pela exiguidade.”
BRB
Em seu exposição, Celina negou que tivesse qualquer relação com o escândalo do Banco de Brasília (BRB). “Nunca participei e nunca tive meu nome envolvido em zero de inverídico”, garantiu a governadora.
Primeiras medidas
Aos servidores públicos, a novidade governadora afirmou que trabalhará pela melhoria para os trabalhadores e manterá o escora ao empresariado.
Disse ainda que trabalhará pessoalmente para a melhoria da saúde e no combate ao feminicídio. “Não estou sentando sozinha nessa cadeira. Estou cá com todas as mulheres.”
Histórico
Em quase 30 anos de curso política, Celina Leão ocupou os cargos de dirigente de gabinete, deputada distrital por dois mandatos, presidente da Câmara Legislativa, deputada federalista e vice-governadora.
”Fui oposição por dois mandatos, contra a esquerda. Fui perseguida. Sempre estive do lado patente. Não era o mais confortável”, descreveu.
O evento foi marcado pela presença de autoridades de todos os poderes do Região Federalista. Entre os nomes chamados para inventar a Mesa, além do próprio Ibaneis, que transmitiu o função, estavam a senadora Damares Alves (Republicanos) e a deputada federalista Bia Kicis (PL). A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) também esteve presente, mas preferiu não inventar a mesa de honra.
Em breve exposição, Bia confirmou escora à candidatura de Celina. O mesmo fez a senadora Damares Alves, que aproveitou para elogiar o agora ex-governador Ibaneis.
”Celina, o governador Ibaneis fez as obras e cuidou da cidade, agora é sua vez de cuidar das pessoas”, disse Damares.
Horizonte de Ibaneis
Ibaneis Rocha confirmou seu retorno à advocacia em seguida restaurar sua carteira da OAB, afirmando que dividirá seu tempo entre os processos no escritório e sua pré-campanha ao Senado Federalista.
Ao abordar a crise envolvendo o BRB e as investigações sobre operações financeiras, Ibaneis defendeu a evolução do banco em sua gestão e a cultura técnica da equipe. Ele rebateu as pressões da oposição e de órgãos de controle sobre os aportes e garantias bilionárias propostos para estabilizar a instituição, enfatizando sua postura diante do caso: “Uma vez que eu falei, eu não fiz segmento do problema, mas eu quero fazer segmento da solução.”
Escora do PL
O deputado distrital Tiago Manzoni (PL) reforçou que sua saída da base do governo ocorreu por divergências graves em relação “ao povo do DF” e que agora manterá uma postura independente. Ele destacou que seu escora não é fixo e dependerá exclusivamente do valor de cada taxa, votando em prol do que for bom para a população e contra o que considerar prejudicial.
Sobre a complexa confederação política envolvendo o PL e a governadora, Manzoni pontuou que o partido tem interesse em manter o escora e possui duas pré-candidatas ao Senado, mas frisou a pressão da base de direita por um retraimento político do idoso coligado dela. Ele resumiu a situação afirmando:
”O que o sufragista bolsonarista espera dela é que ela se distancie, faça uma ruptura em relação ao governador Ibaneis, para que essa confederação possa se manter daqui até lá.”
