1200-800-2026-04-06t170845-307.webp.webp

(O Orbe) A ingressão do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) na corrida presidencial deve dividir o suporte do agronegócio e travar o movimento de aproximação do setor com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que esperava adesão ampla ao seu nome ainda na temporada de pré-campanha. Ainda que distante do parlamentar nas pesquisas de intenção de voto, Caiado tem relação longa com o agro e, durante sua gestão, implementou políticas que foram muito vistas pelo campo. Dados do Ministério da Lavra mostram, por exemplo, que o estado fechou 2025 com desenvolvimento de 23% na exportação de grãos na verificação com o ano anterior.

Até a confirmação da postulação de Caiado, no início da semana passada, aliados de Flávio tratavam porquê questão de tempo a consolidação da adesão do agronegócio, diante das resistências ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tentará a reeleição. A avaliação interna era de que o alinhamento histórico com o bolsonarismo, consolidado desde 2018, se traduziria em suporte ao longo dos meses seguintes, mesmo que sem um pregão prévio formal.

Ex-governador Ronaldo Caiado (Foto: Divulgação)

A estratégia previa um progressão em etapas, começando por manifestações mais discretas de parlamentares da bancada ruralista e lideranças regionais, seguidas pela aproximação de entidades representativas. Esse movimento, no entanto, acabou interrompido.

Lideranças do setor passaram a frear conversas mais avançadas com a campanha de Flávio e a evitar, por ora, qualquer gesto público de alinhamento. A teoria é manter canais abertos e lucrar tempo antes de fechar posição.

Embora a mudança de postura não represente um retiro definitivo do agronegócio em relação ao fruto de Bolsonaro, ela altera o ritmo e o método da aproximação. Com a ingressão de um novo aspirante ao Planalto com trânsito próprio no setor, nomes de peso na espaço passaram a trabalhar com a possibilidade de repartição no primeiro vez, preservando uma margem para influenciar a corrida presidencial com mais vigor na reta final.

— O agronegócio vai permanecer dividido entre Caiado e Flávio no primeiro vez. Não tem uma preferência. O setor está muito vocacionado nesses dois nomes e ainda está acompanhando o cenário — confirma o presidente da Federação da Lavra e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles.

Ex-governador Ronaldo Caiado (Foto: Divulgação)

Segundo o dirigente, a atuação do setor é organizada a partir de uma taxa geral apresentada aos pré-candidatos, com demandas que passam por segurança jurídica no campo, previsibilidade a longo prazo para o Projecto Safra, ampliação de seguros rurais e solução para gargalos estruturais, porquê a falta de armazenagem. Esse conjunto de propostas foi sistematizado em um documento entregue tanto a Flávio quanto a Caiado.

Na Tv, ‘paraninfo’

A ingressão do ex-governador altera esse estabilidade não só por ampliar o número de candidatos, mas pelo capital político que ele carrega. Médico e pecuarista, Caiado construiu sua trajetória com atuação em prol dos interesses do campo e foi um dos fundadores da União Democrática Ruralista (UDR), que ganhou projeção nos anos 1980 na resguardo da propriedade privada em meio a conflitos fundiários.

Ex-governador Ronaldo Caiado (Foto: Divulgação)

O mote vai ser usado pelo marqueteiro Paulo Vasconcelos já na pré-campanha, com o oração de “paraninfo do agro” aparecendo em inserções na TV. Também serão exploradas decisões recentes adotadas em Goiás, frequentemente citadas por lideranças porquê demonstrações concretas de alinhamento com o setor. A principal delas foi a extinção da imposto ao Fundo Estadual de Infraestrutura, conhecida entre produtores porquê “taxa do agro”, que vinha sendo meta de críticas.

O governo também vinculou recursos do fundo a obras de infraestrutura rústico, porquê estradas e logística de escoamento. Aliás, aprovou a revisão e a anulação de multas aplicadas a pecuaristas em operações de venda de rebanho.

Na outra ponta, Lula também tentou fazer acenos ao agro neste terceiro procuração, ainda que em meio a sinais contraditórios, sobretudo por declarações mal recebidas no setor. Já no primeiro semestre do atual governo, por exemplo, o presidente foi meta de reações depois declarar que “o problema deles conosco é ideológico”, não “de quantia”. Pouco antes, o petista havia dito, em feira agrícola na Bahia, que o evento faria inveja “a alguns fascistas” contrários à gestão.

Senador Flávio Bolsonaro (Foto: Divulgação)

Recém-saído do Ministério da Lavra para disputar as eleições, o senador Carlos Fávaro (PSD-MT) tem bom trânsito com o campo, mas a brecha não se estendeu a Lula. O cenário não foi mudado nem com o recorde de recursos para financiamento da atividade via Projecto Safra, que envolve subsídios para contratação de empréstimos e seguro.

Recentemente, diante dos impactos econômicos da ação militar dos EUA no Irã, estados produtores agrícolas demonstraram suporte à intenção do governo de editar uma Medida Provisória para subsidiar o diesel importado, devido ao supino dispêndio do combustível para o setor. As novas movimentações, porém, não parecem suficientes, até agora, para redesenhar o quadro eleitoral.

Aposta em senadora

No entorno de Flávio, a mudança é tratada porquê um revés à estratégia inicial. O agronegócio era visto porquê um dos pilares que poderiam conferir credibilidade econômica ao projeto, o que agora vai exigir disputa. Até poucas semanas detrás, secção relevante do setor ainda demonstrava preferência por nomes porquê Tarcísio de Freitas (Republicanos) e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).

Senadora Tereza Cristina (Foto: Sucursal Senado)

Com esses caminhos esvaziados, lideranças vinham, de forma gradual, se acomodando à candidatura de Flávio, em um fluxo paralisado com a ingressão de Caiado. Coordenador da pré-campanha do herdeiro do bolsonarismo, o senador Rogério Oceânico (PL-RN) minimiza o impacto do novo escorço e afirma que a aproximação será construída ao longo do processo:

— O setor sabe da afinidade que temos com ele, e vamos procurar todos na hora certa. Não será difícil.

Dentro da bancada ruralista, no entanto, não há consenso sobre o desfecho.

— Caiado com certeza qualifica o debate e endurece ainda mais o enfrentamento à esquerda. Melhor o Lula percorrer e ir preparando sua resguardo — afirma o deputado Evair de Melo (PP-ES).

É nesse contexto que volta a lucrar força, dentro do PL, a possibilidade de elaboração com a senadora Tereza Cristina (PP-MS) porquê vice. Ex-ministra da Lavra e uma das principais referências do setor no Congresso, ela é vista porquê um nome capaz de reduzir resistências e apressar a adesão do agronegócio.

— Depende de muitos fatores, porquê os partidos que vão coligar. Tenho certeza de que ele vai escolher o melhor nome para que tenha sucesso — desconversa a parlamentar.