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LUANY GALDEANO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (9) o texto-base do projeto do devedor contumaz, que prevê punição para empresas que deixam de remunerar tributos de forma reiterada e sem justificativa e acabam obtendo vantagem competitiva sobre os concorrentes que cumprem suas obrigações fiscais.

A proposta, aprovada por 436 votos no plenário, avançou em seguida pressão de membros do governo, entre eles o ministro Fernando Haddad (Quinta), e agora segue para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Todos os partidos, da esquerda à direita, orientaram voto favorável à proposta.

O texto define o que é o devedor contumaz, estabelece penalidades às pessoas jurídicas que se enquadram nesse perfil e cria incentivos para as companhias que cumprirem com obrigações tributárias.

Serão consideradas devedoras contumazes as pessoas jurídicas com uma dívida mínima de R$ 15 milhões e correspondente a mais de 100% de seu patrimônio divulgado, com inadimplência frequente e injustificada.

Essas empresas poderão suportar uma série de punições, uma vez que a suspensão imediata do CNPJ e a paralisação de suas atividades financeiras. Aliás, sujeitos passivos que forem tidos uma vez que devedores contumazes terão seus dados divulgados no site da Receita Federalista.

O texto também traz benefícios para empresas com bom histórico de pagamento de tributos e para incentivar as pessoas jurídicas a cumprirem com suas obrigações junto à Receita, por meio dos programas Confia (Programa de Conformidade Cooperativa Fiscal) e Sintonia (Programa de Incitamento à Conformidade Tributária).

As companhias com bom histórico de pagamento que entrarem momentaneamente em inadimplência terão recta à redução de até 70% no pagamento de multas e juros moratórios, prazo de até 60 meses para quitar débitos relativos às contribuições sociais e de até 120 meses para quitar demais tributos.

A proposta foi aprovada em setembro no Senado, em seguida ter sua tramitação impulsionada devido à megaoperação Carbono Oculto, que mirou o envolvimento da organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) com postos de gasolina e fintechs. O esquema movimentou R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024.

Depois disso, o texto ficou parado na Câmara, apesar da pronunciação do governo e de setores interessados no progressão da proposta. Somente no termo de novembro foi nomeado relator, o deputado Antonio Carlos Rodrigues (PL-SP).

O parecer de Rodrigues não trouxe alterações em relação ao texto enviado pelo Senado, buscando certificar a aprovação do projeto ainda neste ano.

Devido à Operação Carbono Oculto, o texto estabelece novas regras para evitar que empresas do setor de combustível sejam usadas pelo transgressão organizado para lavagem de numerário e sonegação fiscal.

Uma delas é a previsão de que a ANP (Sucursal Vernáculo do Petróleo, Gás Proveniente e Biocombustíveis) estabeleça um capital social mínimo para empresas no setor de combustíveis, que vai de R$ 1 milhão -para as que trabalham com revenda- até R$ 200 milhões para as companhias que atuam na produção.
A aprovação do projeto sobre devedor contumaz ocorre um dia em seguida o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), ter se reunido com Haddad. O ministro pressionou em diversas ocasiões para que o texto avançasse no Congreso Vernáculo.

Haddad voltou a falar sobre a proposta na manhã desta terça, quando afirmou ser importante para combater a sonegação fiscal em setores estratégicos, uma vez que de bebidas, fumo e combustível.

“Por casualidade, são setores em que a tributação é elevada para inibir o consumo e é justamente aí que o devedor contumaz se instala para prejudicar a sociedade por meio da sonegação fiscal”, disse.

Uma estimativa do ICL (Instituto Combustível Lítico) aponta que o combate às ilegalidades no mercado de combustíveis elevaria a arrecadação do governo em até R$ 40 bilhões por ano, alguma coisa que pode seguir com a aprovação do projeto na Câmara.