Os esforços de Donald Trump para mudar o regime na Venezuela podem fazer com que ele acabe em um atoleiro estratégico, político e jurídico.
Trump convocou altos funcionários e assessores de segurança pátrio do governo dos Estados Unidos para uma reunião no Salão Oval da Morada Branca na noite de segunda-feira (1°), buscando definir os próximos passos em um caso que agora está saindo do controle, tanto dentro do país sul-americano quanto em Washington.
Antes dessa reunião, o ditador Nicolás Maduro dançou diante de uma povo de apoiadores em Caracas, em um comício ao ar livre ao estilo Trump, refutando rumores de que teria ofertado aos apelos dos EUA para deixar o país.
“Não queremos a tranquilidade dos escravos, nem a tranquilidade das colônias”, declarou Maduro.
As bases políticas internas já frágeis da campanha de Trump estão se tornando ainda mais vulneráveis, à medida que a Morada Branca não consegue sofrear a crescente polêmica sobre um ataque dos EUA que teria matado sobreviventes da tripulação de uma embarcação suspeita de tráfico de drogas no Caribe.
Integrantes do Partido Democrata no Congresso que são críticos de Trump alertam para um provável delito de guerra. Vários republicanos influentes estão chocados e demonstrando uma disposição incomum para investigar rigorosamente o governo.
O impasse entre os Estados Unidos e a Venezuela começa a consumir a Morada Branca em seguida mais de quatro meses de crescente pressão política, econômica e militar, exemplificada pela imponente presença do maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald R. Ford, e de uma frota de navios americanos em águas próximas ao país sul-americano.
Outrossim, o papel do Secretário de Resguardo dos EUA, Pete Hegseth, nos ataques aos barcos está sob crescente escrutínio.
O ex-apresentador da Fox News foi uma escolha controversa para liderar o Pentágono, e sua falta de experiência, comportamento arrogante e desrespeito a algumas salvaguardas éticas e legais das Forças Armadas ameaçam torná-lo um problema político para Trump, enquanto os democratas exigem sua repúdio.
Mas, de forma mais ampla, o duelo Maduro representa um dilema estratégico cada vez mais profundo para Trump, Hegseth, o Superintendente do Estado-Maior Conjunto dos EUA, Dan Caine, o Secretário de Estado americano, Marco Rubio, e outras autoridades.
Enquanto isso, Trump está fazendo grandes declarações.
Ele afirmou que ataques contra alvos de cartéis de drogas “em terreno” começariam “muito em breve” — mas não especificou onde ocorreriam. Antes, declarou que o espaço airado do país deveria ser considerado fechado. Mas Maduro não cedeu.
O presidente dos EUA agora precisa considerar se sua retórica belicosa está começando a perder credibilidade sem uma prova de força militar que o envolva em um conflito no exterior.
Maduro desafia as “opções” dos EUA para deixar o país
Os Estados Unidos esperam que seu reforço militar perturbe Maduro a tal ponto que ele aceite o exílio no exterior ou seja deposto por generais de seu círculo íntimo.
Trump confirmou conversou recentemente com Maduro por telefone, mas o ditador venezuelano permanece no poder.
David Smolansky, político da oposição venezuelana, disse a Jim Sciutto no programa “The Brief” da CNN International que os Estados Unidos já haviam oferecido a Maduro “opções” para deixar o país.
Porém, a recusa do regime em ceder testará a disposição de Trump em satisfazer sua ameaço de tomar “o caminho difícil”, enquanto Maduro, porquê de hábito, prolonga as negociações e as crises para enfraquecer a regra de seus adversários.
A obstinação do venezuelano também levanta a questão de se qualquer nível de pressão dos EUA, sem ação militar, seria capaz de enfraquecer seu regime.
Uma possibilidade é que o governo dos Estados Unidos tenha subestimado a resiliência da base de poder de Maduro, um erro geral das administrações americanas ao longo dos anos que esperavam ver o colapso de rivais totalitários em nações inimigas.
Maduro espera que Trump perda a paciência, comece a procurar bodes expiatórios em seu círculo íntimo e negocie sua própria saída.
Se o presidente americano optar por uma ação militar, a teoria de uma invasão em larga graduação da Venezuela ainda parece impensável.
Portanto, é provável levantar duas questões: Ele tem opções que possam comprometer a segurança de Maduro de uma forma que altere a situação política em Caracas? Ou ataques a supostos centros de tráfico de drogas ou bases militares, na verdade, encorajariam Maduro, unificariam a opinião pública em torno dele e o levariam a crer que pode resistir?
As opções que Trump enfrenta são principalmente difíceis, visto que uma saída pacífica de Maduro, que libertaria milhões de venezuelanos em seguida duas décadas de ditadura e restauraria a democracia, seria um triunfo de política externa.
Outrossim, enviaria uma mensagem do poder e das intenções dos EUA a outros adversários, incluindo Cuba, e demonstraria à China e à Rússia, que buscam treinar influência e desestabilizar a região, que Trump domina seu território geopolítico.

Uma estratégia bem-sucedida para a Venezuela poderia confundir os críticos de política externa nos círculos de poder, assim porquê Trump fez quando bombardeou as instalações nucleares do Irã no início deste ano — uma aposta que se mostrou acertada, com consequências menos perigosas do que muitos especialistas temiam.
Mas se Maduro sobreviver ao aumento das tropas americanas e à intensa pressão, ele emitirá uma enunciação devastadora para Trump. A mando do presidente diminuirá. Os autocratas de Pequim e Moscou, que adoram impressionar, tomarão nota.
Presidentes dos EUA que retiram grupos de ataque de porta-aviões da Europa e os posicionam na costa da América Latina em meio a uma retórica beligerante tendem a fabricar esses testes de credibilidade.
“Acho que isso foi realmente uma tentativa de intimidar o governo Maduro e o próprio Maduro para que renunciasse ou fosse depostos caso se recusasse a transpor. Isso não aconteceu”, avaliou Christopher Sabatini, pesquisador sênior para a América Latina da Chatham House, em Londres, à jornalista Isa Soares, da CNN.
“É um momento crucial para Donald Trump: ele tentará desescalar a situação?”, continuou Sabatini.
“Ele se meteu em uma grande enrascada. Ele continuará insistindo no erro? Ou tentará encontrar uma solução negociada, não unicamente para Maduro, mas também para si mesmo, declarando vitória e seguindo em frente?”, adicionou.
Ainda não sabemos o que Trump está disposto a malparar para inferir seus objetivos na Venezuela — que incluem instalar um governo favorável aos EUA que possa concordar o retorno em volume de imigrantes e esteja disposto a participar dos lucrativos acordos de petróleo e minerais que sustentam a política externa americana.
O vasto poderio militar dos EUA no Caribe poderia ocasionar danos catastróficos à infraestrutura venezuelana ou ao que a Morada Branca descreve porquê operações de narcotráfico, mesmo que a maior segmento do fentanil — droga que os EUA usam para justificar suas ofensivas — entre no país pelo México.
Mísseis de cruzeiro, ataques de porta-aviões ou ataques aéreos na região poderiam paralisar as forças de Maduro.
Mas quaisquer baixas americanas ou civis involuntárias poderiam se voltar contra Trump e ocasionar um sinistro político em um momento em que as pesquisas mostram que um número esmagador de cidadãos americanos se opõe à ação militar na Venezuela.
E a história mostra que, mesmo em circunstâncias extremas, regimes ditatoriais construídos ao longo de décadas costumam ser mais duradouros do que aparentam.
O regime venezuelano é frequentemente comparado a uma rede criminosa de múltiplas camadas, cujos integrantes principais têm enormes interesses financeiros na perpetuação de seu poder.
E embora muitos esperem que a pressão de Trump ligeiro à subida dos governantes democráticos legítimos do país, alguns analistas temem que uma fragmentação do governo possa ocasionar caos, efusão de sangue e prolongada incerteza política.
Assim, nenhuma das opções que o círculo íntimo de Trump estava considerando na reunião na Morada Branca é dispêndio zero.
Revelação de ataque subsequente a navio perto da Morada Branca
Enquanto luta para desenvolver uma estratégia militar mais clara, o governo dos Estados Unidos está encontrando dificuldades para rebater as crescentes críticas sobre o ataque de 2 de setembro a um navio no Caribe, que levantou preocupações sobre possíveis violações das leis americanas e internacionais.
A novidade narrativa da Morada Branca sobre o caso unicamente aumenta a tensão política.
A possibilidade de um segundo ataque ao navio é preocupante porque levanta a possibilidade de que medidas tenham sido tomadas para matar sobreviventes do ataque inicial, mesmo que estivessem feridos ou não representassem uma ameaço aos Estados Unidos.
Isso poderia violar as leis da guerra ou as Convenções de Genebra.
Inicialmente, o secretário de Resguardo dos EUA criticou esses relatos, chamando-os de “fabricados, inflamatórios e depreciativos” e concebidos para desacreditar os “guerreiros” americanos.
Trump reagiu a uma reportagem do Washington Post que alegava que Hegseth havia oferecido a ordem para “matá-los”, afirmando que seu secretário de Resguardo havia proferido que “não disse isso”. Mas também afirmou que, pessoalmente, não teria desejado um segundo ataque.
A secretária de prensa da Morada Branca, Karoline Leavitt, confirmou que um segundo ataque havia ocorrido. Ela informou que o almirante Frank M. “Mitch” Bradley, comandante do Comando de Operações Especiais dos EUA, foi o responsável por ordená-lo e que ele estava “totalmente dentro de sua mando”.
No entanto, Leavitt se recusou a explicar a ameaço que o navio representava para o pessoal militar dos EUA antes do segundo ataque.
Mais tarde naquele mesmo dia, Hegseth também enfatizou que Bradley ordenou o ataque em questão.
“Sejamos absolutamente claros: o Almirante Mitch Bradley é um herói americano, um verdadeiro profissional, e tem meu totalidade pedestal. Suporte-o e pedestal as decisões de combate que ele tomou, tanto na missão de 2 de setembro quanto em todas as subsequentes”, declarou.
Se o glosa do secretário, formulado porquê uma promessa de pedestal aos “guerreiros” americanos, for interpretado pelos militares porquê o oposto, poderá ter um impacto erosivo na cárcere de comando e na crédito dos oficiais superiores na tradução de ordens.
Politicamente, a estratégia do governo americano parece ser repetir sempre que Trump e Hegseth alegaram ter mando lícito para testilhar embarcações que transportavam traficantes de drogas.
No entanto, essa abordagem ignora críticas jurídicas profundas às suas ações e à sua mando.
Outrossim, a Morada Branca se recusou publicamente a vulgarizar a justificativa lícito e as provas para tais ataques, contidas em um relatório secreto do Gabinete de Assessoria Jurídica.
Senadores democratas que tiveram aproximação ao documento o classificaram porquê “negligente” e problemático.
Em um sinal da impaciência do governo diante da crescente indignação, a secretária de prensa Leavitt afirmou que Hegseth conversou com parlamentares que expressaram suas preocupações sobre o ataque durante o termo de semana.
Ainda assim, o deputado democrata Ro Khanna disse à jornalista Kasie Hunt, da CNN, que vários de seus colegas republicanos ficaram “mortificados” com as notícias do ataque duplo.
Ele instou Hegseth e Bradley a comparecerem perante a Percentagem de Serviços Armados para explicar as ordens que deram. “Pode ser que ambos tenham violado a lei. O povo americano merece respostas”, disse Khanna.
E o deputado Mike Rogers, presidente republicano do Comitê de Serviços Armados da Câmara, disse à CBS que, se o ataque duplo tiver ocorrido conforme descrito, seria um “ato ilícito”.
Em outra entrevista, ele disse a Erin Burnett, da CNN, que o relato “difere significativamente do parecer jurídico que nos foi apresentado e, evidente, aborda as importantes preocupações dos integrantes: o simples veste de que esses ataques estão acontecendo”.
Além de Hegseth e Bradley, a responsabilidade universal por essa missão recai sobre o comandante-chefe. Trump está se afundando cada vez mais no atoleiro venezuelano que ele mesmo criou e parece ter poucas opções — em Washington ou Caracas — para se desvencilhar dele.
