ChatGPT-Image-7-de-ago.-de-2025-20_11_26-e1754608343877.png

Comunicados das decisões sobre juros do BC (Banco Meão) costumam ser carregados de condicionantes, uma redação que evita grandes comprometimentos da domínio monetária e dá mais espaço para manobrar os juros.

Sem surpresas para o resultado desta quarta-feira (28), o mercado se prepara para ler com lupa cada frase publicada pelo Copom (Comitê de Política Monetária) em procura de pistas sobre um verosímil início do incisão da Selic – a taxa básica de juros – a partir do próximo encontro, em março.

As “dicas” da domínio monetária estão nas entrelinhas, e muitas vezes o não dito se sobressai ao que está escrito.

Porquê exemplo, a XP cita o trabalho de “significativamente contracionista” no trecho o qual o colegiado descreve a premência de manter o aperto dos juros.

A conjunção apareceu no transmitido pós-Copom de maio de 2025, quando a Selic subiu a 14,75%, e desde logo está presente em todos os anúncios de política monetária.

Para a XP, uma verosímil carência do termo no transmitido desta quarta pode ser uma forma do BC falar, mas não diretamente, que o ciclo de incisão está se aproximando.

“Nesse contexto, acreditamos que o transmitido pós-decisão desta semana deixará alguma margem para eventual incisão de juros em março”, diz em relatório.

A sentença “bastante” também chamou a atenção dos analistas.

Desde que os juros foram a 15%, em junho do ano pretérito, o BC repetiu em todos os comunicados que o cenário determina uma “política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”.

Os juros completarão 10 meses no nível de 15% em março, data do próximo Copom, “o que nos parece patível com a definição de um período bastante prolongado”, diz o time da XP.

Mário Mesquita, economista-chefe do Itaú, nota que o BC já alterou sutilmente a informação em dezembro.

Para ele, o comitê deve mostrar que a estratégia até logo de juros elevados está se mostrando adequada, substituindo a ênfase em se manter vigilante por uma receita de “paciência e serenidade”.

“Seguimos acreditando que o início do ciclo de flexibilização está próximo. Em sua informação recente, o comitê demonstrou que está ganhando crédito de que sua estratégia está surtindo efeito. Na carência de grandes surpresas, essa crença deveria aumentar ao longo do tempo”, aponta.

Obediência de dados

A expectativa de mais uma manutenção do BC é respaldada pelas indicações do presidente da autonomia, Gabriel Galípolo, da subordinação dos dados para a tomada de decisões.

Números recentes do mercado de trabalho mostram que o desemprego segue nas mínimas históricas, indicando uma economia ainda aquecida.

Por outro lado, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Grande) segue gradualmente para o meio da meta — mas com expectativas ainda desancoradas —, enquanto o dólar mantém sinais de resfriamento no mercado doméstico.

Feipe Sales, economista-chefe do banco C6, pondera que esses fatores ainda determinam uma política monetária contracionista.

Ao mesmo tempo, ele aponta que o texto do BC deve reconhecer que o choque de juros promovido desde setembro do ano pretérito, quando iniciou o atual ciclo de subida, está fazendo efeito no resfriamento da inflação.

“O Copom deve substanciar a premência de perseverar com uma política monetária contracionista até que se consolide não unicamente o processo de desinflação, mas também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”, diz.

Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, as notícias foram positivas no flanco inflacionário, apesar de as expectativas ainda estarem desancoradas e pressões maiores no setor de serviços.

Em um quadro mais grande, porém, ele cita a já percebida perda de fôlego das atividades porquê um ponto que contribui para o BC inaugurar a indicar que o início do ciclo de recuo da Selic está se aproximando.

“[…] avaliamos que o Comitê pode promover um ajuste marginal em sua informação, reconhecendo de forma mais explícita que, caso o cenário evolua conforme o esperado, haverá espaço para iniciar o processo de flexibilização monetária nas próximas reuniões”, diz.